Seremos todos Montijo?

Opinião

No dia 15 de Março de 2017, numa sessão pública da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, presidente da Câmara, incomodado com a intervenção crítica de um vereador da oposição, Carlos Almeida da CDU, mandou este para a sua terra, uma vez que não era do Montijo.
No dia 25 de Março um conjunto de cidadãos, assinavam uma petição pública intitulada Somos Todos Montijo contra estas declarações do autarca Nuno Canta.
Um mês e pouco depois, a candidatura do PS à presidência da Câmara Municipal do Montijo (protagonizada pelo actual presidente da Câmara) colocava nas ruas um outdoor com a frase Somos Todos Montijo.
Não sendo esta frase da autoria desta candidatura, usurpar este direito de autor, configura um plágio e um crime de usurpação de direitos de autor previsto na Lei.
Aliás, o conteúdo e o espírito da frase Somos Todos Montijo constitui um grito de revolta contra uma declaração xenófoba, intolerante e excludente proferida por Nuno Canta.
Nuno Canta fez Plágio Directo, na medida em que copiou uma frase (palavra por palavra) sem indicar que é uma citação e não fazer referência ao autor.
Nuno Canta candidato, além de um crime de plágio, revelou uma frágil dimensão ética e um claro e inacreditável desrespeito pela opinião dos outros e uma postura incomodativa e recorrente, enquanto autarca, de desrespeito pela lei.
Não é possível uma sociedade acreditar em políticas e políticos que não olham a meios para alcançar os seus fins; não é possível acreditar em alguém que, com o seu exemplo, incita os seus concidadãos ao não cumprimento da lei, da ética e da moral.
Plagiar é crime e fazê-lo com tamanha frieza, cinismo e irresponsabilidade é ultrapassar as mais elementares regras e condutas próprias de uma sociedade democrática. É algo temeroso!
Este comportamento anti-ético de um candidato e de uma candidatura revelou-se uma prática quotidiana no exercício da gestão política da autarquia do Montijo, traduzido em inúmeros atropelos à ética e ao conflito de interesses.
Para não maçar os leitores com muitos exemplos, bastaria apenas citar dois:
1- A indiferença com que o presidente da câmara convive com o conflito de interesses, permitindo que a sua esposa permanecesse como chefe de divisão das finanças;
2- A facilidade com que o seu sogro tem acesso permanente a documentos não tornados públicos pela autarquia para promover o genro (presidente da câmara) nas redes sociais.
Somos Todos Montijo? Seríamos efectivamente Todos Montijo se os filhos que não são da terra fossem tratados em pé de igualdade com os que (não sendo da terra) vivem, trabalham e criam emprego no concelho do Montijo;
Seríamos Todos Montijo se quem discorda desta gestão autárquica não fosse logo marginalizado e relegado para a lista dos inimigos de estimação;
Seríamos Todos Montijo se a honestidade e a verdade fossem o principal critério não o plágio e a mentira;
Seríamos Todos Montijo se o poder autárquico cumprisse a lei;
Seríamos Todos Montijo se o ódio, a vingança e a sede do poder não unisse uma família na defesa de interesses que não são, por certo, os da maioria dos cidadãos que vivem do seu trabalho com honestidade e sem truques nem golpes.
Se Somos Todos Montijo, em nome do Estado de Direito Democrático, da solidariedade, da igualdade e da sã convivência social, devolvam aos cidadãos o slogan que é deles e peçam desculpa pelo crime de plágio.

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