Construção de novo hospital divide cabeças-lista no Montijo

Local Sociedade Sociedade B

João Afonso (PSD/CDS-PP) defendeu proposta de construção de novo hospital a suportar pela autarquia. Carlos Jorge de Almeida (CDU) e Cipriano Pisco (BE) são pelo investimento do Governo. Filipe Rodrigues (PAN) diz que a alimentação saudável vem antes de qualquer infra-estrutura

Helena Correia

Quatro dos sete cabeças-de-lista à Câmara Municipal do Montijo participaram no debate promovido pelo grupo do Facebook “Montijo – sem censura e com cultura”, na última quinta-feira, para discutir a área da saúde. A iniciativa juntou no Jardim da Casa Mora 110 pessoas que ao longo de cerca de três horas, ouviram as posições defendidas pelos candidatos João Afonso (PSD/CDS-PP), Carlos Jorge de Almeida (CDU), Cipriano Pisco (BE) e Filipe Rodrigues (PAN). Os restantes cabeças-de-lista declinaram o convite para participar.

O objectivo inicial era abordar várias necessidades e soluções dentro da temática da saúde, mas o modelo de financiamento proposto pela coligação “Muito Mais Montijo” (PSD/CDS-PP) para construção de um novo hospital centrou atenções. O candidato João Afonso sugere que a infra-estrutura seja totalmente custeada pela Câmara Municipal do Montijo, através de pelo menos 12 milhões de euros. O cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS-PP defende que a gestão do hospital – cuja edificação apresenta no seu programa eleitoral – seja entregue às instituições particulares de solidariedade social locais (IPSS).

Cipriano Pisco (BE) discordou, considerando que o que o PSD e o CDS sugerem é uma parceria público-privada. Carlos Jorge de Almeida (CDU) também refutou a proposta da lista de João Afonso, justificando que essa “não é uma estratégia para a saúde pública”. Quanto PAN, Filipe Rodrigues considerou que, mais do que fazer infra-estruturas, é necessária uma alimentação saudável para prevenir doenças.

João Afonso foi o primeiro a intervir, opinando que a saúde é o problema mais sério que existe no concelho do Montijo. Segundo o candidato, com a criação do Centro Hospital Barreiro Montijo, o Hospital do Montijo perdeu vários profissionais e valências, agora concentradas na cidade do Barreiro. Lembrou que o protocolo que a Câmara assinou em 2007 com o Governo foi “grosseiramente incumprido” e que a população está agora, em 2017, muito pior servida, em termos de saúde, do que em 2007. A solução, defende, passa por um novo hospital, baseado num “modelo de cooperação entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), as IPSS do concelho e a Câmara”, tendo esta última o papel decisivo de colocar o hospital como eixo central de uma política de saúde.

O cabeça-de-lista do PSD/CDS-PP deu o exemplo da Unidade Hospitalar da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, que trabalha em articulação com o SNS.

Filipe Rodrigues defendeu uma “melhor rentabilização e optimização dos recursos já existentes”. Para o candidato do PAN, em vez de novas infra-estruturas, “deve-se pensar em formas de evitar que as pessoas fiquem doentes”. Nesse contexto, adiantou, deve ser feita uma aposta em nutricionistas, na promoção de hábitos saudáveis e sustentáveis, bem como adquirir alimentos aos produtores locais.

Este slideshow necessita de JavaScript.

CDU e BE contra financiamento autárquico

A CDU quer um equipamento diferente e sustentado pela tutela. “Toda a gente sabe que a CDU defende, há muito, que exista um novo hospital público em Montijo, que não sirva só a sua população, mas que possa servir também a população de Alcochete, a de Pinhal Novo e, eventualmente, a de Vendas Novas”, afirmou Carlos Jorge de Almeida. Além de uma eventual futura construção por parte do Governo, o cabeça-de-lista da CDU considera que o protocolo assinado em 2007 para criação do Centro Hospitalar Barreiro Montijo tem de ser cumprido. “O Governo da República, em nome do Estado Português, tem que honrar o compromisso que assumiu e, pelo menos colocar, o que existe em condições de poder prover o nosso direito à saúde”, vincou.

Cipriano Pisco posicionou-se, nesta matéria, ao lado da CDU. “Não estamos de acordo com um hospital nas condições que o PSD e o CDS defendem. Achamos que a Câmara não tem de investir 15, 20, 30 milhões para fazer um hospital, e depois entregá-lo a uma gestão. Isto é uma parceria público-privada”, justificou o candidato do BE.

O bloquista recordou também que a Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde tem um hospital, “mas foi a Misericórdia de Vila do Conde que o fez”. O cabeça-de-lista do BE defendeu também que a Câmara tem de ter uma intervenção mais activa junto do Governo, a fim de se suprir as necessidades do hospital existente.

João Afonso argumentou que é possível seguir outros modelos “desde que não haja preconceitos”. Salientou que o importante é ter outra opção e não se o hospital “é totalmente público ou parcialmente público”.

Médicos pronunciaram-se

A gestão pública/privada foi também abordada por alguns espectadores, incluindo médicos e outros profissionais de saúde, o que voltou a colocar João Afonso no centro do debate. Francisco Prates afirmou que “a Unidade Hospitalar da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde tecnicamente é uma clínica privada onde as pessoas pagam”. Lembrou que o Montijo já tem um hospital e que é necessário dinamizar a rede de cuidados primários.

Já o médico Fernando Guerra, dirigindo-se ao candidato da CDU, opinou que não se trata de “dar todo o poder de acção às misericórdias, mas usar as misericórdias como um elemento que irá reforçar o SNS”.

A médica Ana Raposo Marques, convidada para a sessão, disse não ter uma opinião concreta sobre o modelo proposto pela coligação, uma vez que João Afonso ainda não tem resposta para todas as questões de funcionamento, como é o caso do preço das taxas e se estas seriam iguais às que se praticam nos hospitais públicos.

Quanto à sugestão da localização para o novo hospital, junto à zona ribeirinha, o arquitecto Alexandre Berardo, que foi convidado para o debate, falou em “oito condicionantes”, como o tempo que os veículos demoram a entrar e a sair da cidade e argumentou que a localização ideal para o edifício seria na entrada da cidade do Montijo. Neste caso, João Afonso explicou que a construção junto à zona ribeirinha representa custos muito menos avultados, já que o terreno nessa zona já tem infra-estruturas básicas.

 

Iniciativa custou 208 euros e permitiu doar 90 aos bombeiros do concelho

A utilização do Jardim da Casa Mora para a realização da iniciativa teve o custo de 208 euros. No final do debate, foi feita uma angariação para ajudar a pagar esse valor. Foram angariados 298 euros, o que permitiu à organização doar a verba em excesso (90 euros) às Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários de Montijo e Canha.

3 comments

  1. Joao afonso tens a mesma labia que tem a presidente da camera de setubal
    Obra ,obra obra e mais obra!
    Poe a tabela que ainda perdes canha!

Deixe uma resposta