Albérico Afonso lança livro “Setúbal Cidade Vermelha”

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Apresentação do livro retomou ciclo de encontros com autores “Muito Cá de Casa”, na Casa da Cultura e contou com o comentário do professor e historiador Fernando Rosas

 

A sessão de apresentação do livro “Setúbal Cidade Vermelha”, da autoria de Albérico Afonso Costa, decorreu na passada sexta-feira à noite, 8, na Casa da Cultura, em Setúbal. O lançamento da mais recente obra do professor e historiador Albérico Afonso Costa contou a com presença de Pedro Pina, vereador da Cultura, Educação e Inclusão Social, em representação da presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira e com a apresentação do historiador Fernando Rosas.

“Setúbal foi protagonista de alguns dos mais importantes momentos da história portuguesa e é interessante saber porque razão o rastilho que fez explodir a revolução foi accionado tão rapidamente em Setúbal”, explicou o autor.

Organizado em quatro grandes capítulos, o livro refere-se aos 19 meses entre a revolução do 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975. A primeira parte assenta na evolução económica (do ciclo conserveiro à industrialização dos anos 70), a segunda parte centra-se na evolução da situação política, a terceira parte aborda as novas formas de organização política e social, com especial destaque para as comissões de moradores, de trabalhadores e órgãos de coordenação e a quarta parte refere-se ao novo poder autárquico e às dificuldades da comissão administrativa.

Para Fernando Rosas, “em rigor este devia ser o quarto livro sobre a história de Setúbal, não tivesse o Albérico saltado um. Há um primeiro que foi das origens à república, um segundo sobre o período da ditadura militar de 1926 até 1933, o ano da institucionalização do regime salazarista. E depois o autor saltou um longo e penoso período, que foi o Estado Novo e de tal maneira este período foi penoso para a cidade de Setúbal que ele passa logo para a emancipação no quarto volume e esperemos que o terceiro não tarde, que é o volume sobre a revolução portuguesa de 1974, em Setúbal”.

O livro resulta de três anos de investigação do autor e “ajuda-nos a perceber através de um estudo de história local os destinos da revolução no resto do país. Setúbal foi uma espécie de laboratório social e político da revolução, em Portugal e estudar e tentar compreender o Processo Revolucionário em Curso (PREC) na cidade de Setúbal ajuda-nos a perceber a revolução noutros decisivos centros urbanos”, como notou Fernando Rosas.

Já Pedro Pina, vereador da Educação, Cultura e Inclusão Social agradeceu o facto de “o autor ter dado corpo e continuidade a este projecto de investigação sobre a história de Setúbal, esperando ansiosamente por novos desafios e inquietações, que nos recordem a riqueza do passado para olharmos o futuro com a memória que se exige neste tempo, que ao contrário do que se continua a dizer, exige a capacidade de resistir, lutar e trabalhar pela verdade histórica que muitas vezes nos parecem querer omitir”.

Depois das intervenções de Pedro Pina, Fernando Rosas e Albérico Afonso, seguiu-se um período de debate aberto ao público, com a moderação de Teófilo Duarte.

A iniciativa retomou o ciclo de encontro com autores “Muito Cá de Casa” promovido pela autarquia, em parceria com o atelier DDLX.

Albérico Afonso: “Era um período da história portuguesa que não estava estudado”

Em declarações ao DIÁRIO da REGIÃO, Albérico Afonso Costa explica os detalhes dos três anos de investigação, que conduziram à obra “Setúbal Cidade Vermelha”, que se reporta aos 19 meses entre a revolução do 25 de Abril e o 25 de Novembro de 1975.

Considerava que fazia falta um livro, com um estudo detalhado do período do processo revolucionário em curso (PREC), em Setúbal?

Sim, era um período da história portuguesa que praticamente não estava estudado e esta é a primeira tentativa de fazer uma síntese de uma época muito importante e fundamental para a cidade de Setúbal e em que Setúbal teve um grande protagonismo na história portuguesa. A revolução em Setúbal teve um carácter muito radical, de actividade social e política muito intensa e isso determinou que a cidade tenha tido uma especificidade da história portuguesa.

Em que é que baseou a sua investigação?

Foram três anos de trabalho, desde logo todas as actas da Câmara Municipal de Setúbal, a imprensa, todos os jornais existentes na época (O Setubalense, O Notícias de Setúbal, O Margem Sul). Além disso fiz entrevistas aos principais intervenientes ainda vivos sobre esse período e consultei ainda o arquivo da Torre do Tombo.

Dedica a obra a alguém em especial?

Apesar de não o ter feito, é sempre à minha família, à minha mulher e à minha neta. São sempre aqueles que estão no centro das minhas preocupações e atenção.

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