Manuel Bola imortalizado em escultura na Avenida Luísa Todi

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Familiares, amigos, actores e setubalenses homenagearam o actor e poeta Carlos Rodrigues, com discursos, recitação de poemas e um momento musical interpretado pela fadista Piedade Fernandes

 

A escultura, de 2,15m, da autoria do artista plástico Jorge Pé-Curto foi inaugurada na manhã do passado domingo, 3, na Avenida Luísa Todi, dia em que o actor completaria 73 anos. A sessão solene contou com a participação de centenas de pessoas, entre familiares, amigos, colegas de profissão, e setubalenses, que se deslocaram à avenida central da cidade para demonstrar a sua afeição pelo actor e poeta Carlos Rodrigues, familiarmente conhecido como Manuel Bola, falecido em Dezembro de 2016. Na inauguração estiveram também presentes Maria das Dores Meira, presidente da Câmara de Setúbal, Pedro Pina, vereador da cultura, Carla Guerreiro, vereadora da Divisão de Recursos Humanos, Luís Liberato, da Divisão da Educação, Rui Canas, presidente da União de Freguesias de Setúbal, Nuno Costa, presidente da Freguesia de S. Sebastião e Fernando Paulino, candidato do PS à Câmara de Setúbal.

A cerimónia começou com o testemunho de Duarte Vítor, actor do TAS (Teatro de Animação de Setúbal), que afirmou que “a memória é um dos maiores patrimónios da humanidade e é com grande alegria que hoje testemunhamos o legado de Manuel Bola, actor e companheiro fantástico. Além da sua obra, ficará o seu exemplo de solidariedade, inconformismo e dignidade”, acrescentou. No seu discurso referiu ainda que “Manuel Bola lhe confidenciou que tinha 18 anos, o corpo é que não acompanhava a ousadia, usando a bengala apenas para dar estilo”, sublinhando a simplicidade do amigo. Em seguida, Duarte Vítor recitou um poema de Fernando Guerreiro, actor da geração de Manuel Bola, já falecido.

Célia David, a directora do TAS lembrou que conviveu com Manuel Bola. “Não era só um colega, mas amigo, trabalhei com ele 30 anos. Nunca o vamos esquecer”. Deste modo e como forma de homenageá-lo, a directora da companhia de teatro setubalense recitou um poema não editado, que foi escrito para um espectáculo, intitulado “A Fala do Navegador”.

Já Pedro Rodrigues, filho do homenageado, afirmou que “conhecia o ‘Carlos Rodrigues’, era o meu pai e eu considerava-o um privilegiado, porque fazia o que gostava e há uma grande diferença entre gostar do que faz e fazer o que se gosta”, chamando a atenção para os actores Álvaro Félix, Carlos César e Fernando Guerreiro, já falecidos, que também fizeram o que gostaram até ao fim da vida.

Maria das Dores Meira, presidente da Câmara de Setúbal afirmou que Manuel Bola era “um grande ator, condição que colava a outra que lhe estava na pele: a condição de setubalense que amava a cidade, daí a escolha do sítio para instalar a escultura, pois “um cidadão desta dimensão tinha de ficar numa avenida central da cidade, onde deambulou vezes sem conta com passo curto e olhar sonhador ficando eternamente em frente à sua casa de espetáculos (Fórum Municipal Luísa Todi), onde nos fez rir e chorar”.

Manuel Bola foi um dos actores setubalenses mais internacionais. Participou em diversos filmes, séries de televisão e peças de teatro. Foi fundador da TEIA (Teatro de Amadores Setúbal), trabalhou durante 27 anos no TAS, tendo participado em peças como o “Gebo e a Sombra”, “Pai Tirano” e a revista “Era uma vez Setúbal”.

A qualidade do seu trabalho levou a que fosse galardoado em 1977, com o prémio de Melhor Actor Ibérico, atribuído pelo terceiro festival de cinema ibérico. Fez diversas personagens em conhecidos programas de televisão, como “Jardins Proibidos”, “Inspector Max”, “Nós os Ricos”, “Os Malucos do Riso” e “Gente Fina é Outra Coisa”. Além do teatro, escreveu letras para canções infantis e música ligeira. Dedicou-se também à poesia e em 2005 publicou o livro “Sem Amor”. Faleceu em Dezembro de 2016, com 72 anos.

Setúbal ganha nova associação cultural em honra de Manuel Bola

O actor José Nobre aproveitou a ocasião para anunciar o nascimento de uma nova associação cultural, em Setúbal, com o nome de TOMA Teatro Oficina Manuel Bola, cujo principal objectivo é “preservar e difundir a memória de Manuel Bola naquilo que estiver ao nosso alcance”. Trata-se de uma oferta de cultura para a cidade e “creio que a melhor homenagem é continuar o trabalho desenvolvido por ele”. Além de José Nobre, fazem parte do recente projecto Mariana Dias, os familiares directos de Manuel Bola, Maria das Dores Rodrigues, Pedro Rodrigues, Lúcia Rodrigues, Sónia Rodrigues e os amigos Paulo Brito, João Gonçalves, Raul Tavares e Joaquim Liso. A recitação dos poemas através do TOMA ficou a cargo de João Alegaria, Susana Caritas, Micaela Castanheira, José Nobre, Maria Simões, Maria Clementina e Lúcia Rodrigues.

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