Construção do novo hospital em Montijo: Um grande passo

Opinião

A coligação PSD/CDS – “Muito Mais Montijo” apresenta uma proposta para a construção de um novo Hospital para servir os Munícipes de Montijo/Alcochete, mais de 70.000 pessoas, na qual caberá às IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) do Montijo e de Alcochete a sua construção faseada, e em que a CMM (Câmara Municipal de Montijo) será um parceiro fundamental.
Há diversos factos que enumero, de seguida, e a que reputo extrema importância:
1 – As forças políticas, CDU e BE, têm a opinião de que o actual Hospital não serve os interesses das populações de Montijo e Alcochete e que deve ser construído um novo Hospital;
2 – O PS ainda não tem opinião;
3 – Essas forças políticas entendem que não cabe à CMM a construção do novo Hospital, mas sim ao Governo Central.
4 – A localização proposta pela coligação PSD/CDS também não merece consenso das outras forças políticas;
A proposta da coligação “Muito Mais Montijo” constitui um projecto que, alegadamente para as outras forças políticas, não tem valor político, social e humano, antes pelo contrário, é considerada uma proposta despesista e populista. Pelo que, das mais variadas formas, tentam influenciar os eleitores a desconsiderarem tal proposta, na tentativa de minimizar os efeitos que a mesma, a concretizar-se, poderá vir a ter, directamente, na saúde e no bem-estar de mais de 70.000 potenciais munícipes/utentes.
Na verdade, o diagnóstico está feito: o actual Hospital não serve os interesses dos cidadãos. A solução para melhorar e resolver, de uma vez por todas, as questões da saúde hospitalar no Montijo e Alcochete é que é dúbia e controversa: enquanto uns “chutam a bola para a frente” e propõem que deve ser o Orçamento de Estado a resolver (e que depois nada resolve!), outros “chutam a bola para o canto”, estando no poder, não querendo resolver, mesmo quando têm meios financeiros ao dispor para o fazer, para além da influência de que dispõem do governo da república por ser da mesma cor política.
No entanto, limitam-se a criticar a proposta da coligação “Muito Mais Montijo” que quer fazer alguma coisa e que apresenta uma proposta a debate que poderá ser melhorada.
Neste contexto, não podemos esquecer que Nuno Canta esqueceu completamente a prestação dos serviços de saúde, na apresentação da sua recandidatura à CMM. Aliás, tal como esqueceu, durante este mandato, os cuidados primários de saúde, com a construção do novo centro de saúde que prometeu e não realizou.
Parece que existe uma excelente situação financeira na CMM. Ora, os meios financeiros existem para servir as populações e não o contrário.
Torna-se importante, nesta sede, dar a conhecer a situação financeira da CMM para termos consciência da praticabilidade da execução da proposta apresentada pela coligação “Muito Mais Montijo”: a CMM apresenta, no ano de 2016, um património bruto (activo) de € 101.807.848,87, um passivo de € 21.198.293,73, patenteando um património líquido de € 80.609.555,14.
Esta Entidade apresenta um lucro, no ano de 2016, de € 729.143,01 e libertou meios financeiros de € 3.316,357,28.
Atentemos que a CMM libertou meios financeiros, ao longo do último triénio, de € 11.296.614,27.
A ser assim, a CMM pode contribuir para a construção do novo Hospital do Montijo promovida pela coligação “Muito Mais Montijo”.
Os munícipes, muitas vezes, por desconhecerem as contas e os números da sua Câmara Municipal, conformam-se com a ausência de políticas activas e acções de melhoramentos na saúde, educação e higiene pública por pensarem que tal se deve a falta de meios financeiros e não à incapacidade de quem nos governa.
Sendo a CMM uma Entidade da Administração Autónoma do Estado, tem obrigação de contribuir e não descurar aspectos fundamentais como a saúde pública para o bem-estar social da população em geral, e em particular, dos seus utentes e trabalhadores.
Julgamos que o projecto a implementar é, de facto, positivo, viável (a exemplo do Hospital de Vila do Conde), exequível e concretizável, contribuindo para a criação de cerca de 200 postos de trabalho e ainda para a revitalização do centro histórico do Montijo.
Haja discussão e coragem política.

3 comments

  1. Como profissional de saúde não posso deixar de reagir a tanta superficialidade na abordagem de assunto tão sério. Lamento profundamente a demagogia com que se tenta enganar os montijenses.

  2. Sendo que “revitalizar” consiste em “dar vida”, como se pode pensar em revitalizar um Centro Histórico com um Hospital? Um Hospital serve para revitalizar pessoas e deve ter boas acessibilidades. A não ser que o que se quer construir não seja verdadeiramente um Hospital mas algo com cariz comercial. O autor conhece em rigor a realidade do “Hospital” da Misericordia de Vila do Conde apontado como modelo a seguir? Pelo que escreve, não conhece certamente…

  3. Por hoje apenas estas notas:
    – O actual Hospital, não sendo perfeito, tem tratado bem e salvo muitas vidas a alcochetanos e montijenses e muitos tem nascido lá. Sou médico, exerço no Montijo e no Barreiro e constato diariamente estes factos.
    – A unidade de saúde apontada pelo Dr. João Afonso como modelo a seguir, NÃO E UM HOSPITAL mas sim uma CLÍNICA PRIVADA onde todos os cuidados prestados são pagos e portanto inacessível a muitos cidadãos. Nessa unidade os cuidados prestados são em muitos casos manifestamente inferiores aos do actual Hospital do Montijo (por exemplo: nos fins de semana não se efectuam análises)
    – Essa mesma unidade não foi nem está a ser custeada por dinheiros públicos ao contrário do que se propõe irrealisticamente para o Montijo: construir uma unidade PRIVADA a qual as classes economicamente mais desfavorecidas não terão acesso. No entanto pretende-se que a Câmara Municipal custeie a sua construção.
    – No Montijo já existe uma IPSS a prestar há muitos anos cuidados de saúde aos locais e não só, e que já emprega cerca de 200 pessoas. Porque não canalizar verbas para essa Instituição que complementará (e já complementa) o Hospital actual?
    – como alguém já escreveu, a função de um Hospital ou de qualquer outra unidade prestadora de cuidados de saúde não será nunca a de “reabilitar centros urbanos” mas sim reabilitar PESSOAS.

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