Bom presságio para todo o Setembro e Outubro

Opinião

Corremos o risco de nos apontarem o dedo como que assumíssemos um mau presságio, e o do aplauso de uma das partes que se situa no outro lado da barricada, cheia de desejos. Tipo: «Oxalá!!!»
«Verdi, Rossini, Mozart, Bizet, Gershwin (“Porgy and Bess… Summertime”), Puccini, Bellini, Leoncavallo – que será? É a Grande Gala de Ópera que às 21.30 horas de 5 de Setembro, no Palco 25 de Abril, com a Orquestra Lisboa Ginásio e o Coro Lisboa Cantat, ecoará junto à Baía do Seixal. Sem legendas – sem “panfletos” – para já, o PCP não desiludirá: em cada um daqueles oito, houve certamente… revolução.»
Tinha vêr com a noite da sexta-feira da Festa do Avante! de 2009, mas rigorosamente o que estava em causa era o desafio que o PCP assumia outra vez, «voltando à carga» – integralmente – com a mesma produção que em 2008 o inesperado mau tempo obrigou a anular. A Orquestra Sinfónica do Ginásio Ópera e o Coro Lisboa Cantat, como intérpretes de um grande acontecimento a que não eram alheios, conforme a brochura já editada com o Avante! de 18 de Junho, o Teatro Municipal de São Luíz, o Centro Cultural de Belém, a Escola Superior de Música e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, acabariam por ser comprometidos militantes da… vingança!
«Os espectáculos musicais são, naturalmente, o elemento mais procurado da anunciada programação, mas o PCP não deixa de lhes pôr marca: basta recordar o “OPUS 2005” que no talhe de tempo próximo daquele que nos ocupa, e sempre no gigantesco Palco das multidões, então se associou às comemorações do 60º aniversário da derrota do nazi-fascismo. Quem não se lembra, em resumo, da Sinfonia nº 7 em Dó maior op. 60 “Leninegrado”, de Dmitri Shostakovich, ou, entre “canções populares nascidas do sofrimento e do combate travado na guerra”, num todo de “grande intensidade emocional”, do “L’Áffiche Rouge”, de Louis Aragon?»
O Suplemento Especial do órgão central do PCP da semana passada é dedicado ao Concerto do dia 1 de Setembro sob a égide do Centenário da Revolução de Outubro. A quem se faz chegar às mãos, pela nossa parte pelo menos prevenimos: «É pesado!», prescindido do «Cuidado, que é…».
Eis toda a primeira página, colorida com desenhos da época (1917) e fotografias de concertos, danças e autores, assim escrita: «Orquestra Sinfonietta de Lisboa Coro Sinfónico Lisboa Cantat Maestro Vasco Pearce Azevedo Maestro Jorge Alves Coro Solistas Marco Alves Nuno Dias Mário Laginha Canções Populares, Patrióticas e Revolucionárias Russas e Soviéticas».
Ocupa da página 17 à 24, e em final desta lá estão os naturais agradecimentos, sempre a reincidir: aos Centro Cultural de Belém, Escola Superior de Música de Lisboa, Banda da PSP, Teatro Municipal São Luís, A. V. Alexandrov Conjunto Académico de Canções e Bailado do Exército Russo, ONC, Produções Culturais.
Tem Cinema, na 22: «Do materialismo dialéctico de Sergei Eisenstein à representação da realidade em Dziga Vartov» – O Cinema ao serviço da Revolução. Mas são 8 páginas, insistimos!

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