PALMELA | Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa já caiu

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Nega ao referendo acertado com a empresa levou à queda do organismo. Fernando Sequeira, coordenador da Comissão de Trabalhadores, confirmou que o organismo demitiu-se. Negociações com a empresa só devem ser retomadas no próximo mês

A actual comissão de trabalhadores da fábrica de automóveis Autoeuropa demitiu-se na terça-feira na sequência da recusa da maioria dos funcionários do pré-acordo para aumentar horários e turnos, confirmou à Lusa Fernando Sequeira, coordenador daquele organismo. A possibilidade já havia sido avançada pelo DIÁRIO DA REGIÃO na segunda-feira (ver https://www.diariodaregiao.pt/2017/07/31/funcionarios-da-autoeuropa-sentem-se-traidos-pela-comissao-de-trabalhadores/).

“A actual lista está demissionária, portanto irá terminar o seu mandato e provocar eleições. Competirá à nova comissão de trabalhadores seguir com as negociações se a empresa o entender, mas só lá muito para o final do mês porque só aí estarão todos os trabalhadores. Este mês [Agosto] só estão 50%, outros 50% estão de férias, à vez. Só aí será possível marcar as eleições”, disse o representante dos funcionários da fábrica de Palmela.

Entretanto, no mesmo dia, a administração da estrutura do grupo Volkswagen e representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Ambiente do Sul (SiteSul) e da Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal) reuniram-se, desconhecendo-se para já o resultado do encontro.

“O sindicato vai manter a posição que sempre teve, de que os horários trabalho devem ser de segunda a sexta-feira e para facilitar a negociação, disponibilizar-se para retirar o pré-aviso de greve para o dia 30 de Agosto de 2017 se a empresa retirar a sua proposta de horário de segunda a sábado”, lê-se em comunicado do SiteSul, publicado após ser conhecido o resultado do referendo.

Larga maioria votou contra

Na sexta-feira, 74,8% dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram o pré-acordo alcançado entre a comissão de trabalhadores e a administração da empresa para os novos horários e turnos, mediante compensação financeira de 175 euros acima do valor previsto na legislação, tendo contado apenas com 23,4% de votos favoráveis num universo de 3 472 votantes.

Por seu turno, “a administração da Volkswagen Autoeuropa está a analisar os resultados do referendo que teve lugar na semana passada e comunicará oportunamente os próximos passos deste processo”, limitou-se a dizer fonte oficial da empresa à Lusa.

O grupo Volkswagen tem justificado a necessidade dos novos horários com a produção de 200 mil unidades do novo modelo T-Roc na fábrica de Palmela, quase triplicando a produção atingida em 2016, o que levou a empresa a decidir abertura de um sexto dia de produção e à contratação de “cerca de 2 000 colaboradores, 750 dos quais são para implementar um sexto dia semanal de produção”.

O pré-acordo de quinta-feira, rejeitado na sexta, segundo disse à Lusa fonte da empresa, foi aprovado por maioria na comissão de trabalhadores, mas com votos contra dos sindicatos afectos à CGTP, designadamente dos representantes do SiteSul e da Fiequimetal.

DIÁRIO DA REGIÃO com Lusa

One comment

  1. Bom dia

    Espanta-me bastante, ver em todos os meios de comunicação, e no vosso jornal inclusive, a exclusão do verdadeiro motivo, que leva os funcionários da Autoeuropa a rejeitar as propostas até agora apresentadas. Será possível, que ninguém faz menção , ao facto que, a empresa quer acrescentar dias de trabalho ao horário, sem que esses mesmos dias sejam pagos !!!!!! Ou seja, trabalhar sábados obrigatoriamente, sem que os mesmos sejam pagos !!!!!
    Fica muito bem nas páginas de jornal, falar de greves e recusas de horários, mas o principal problema é este: falta de pagamento do trabalho ao sábado !!!
    Durante estes 23 anos de laboração,sempre, os trabalhadores lutaram e cederam perante a manutenção dos postos de trabalho e conseguiram arranjar “ferramentas” para ultrapassar os dias menos bons. Trabalhar á “borla” !? Não obrigado, paguem os milhões do dieselgate com a fortuna de quem o provocou !!!! Esses saíram impunes e milionários, agora mais uma vez serão os trabalhadores da A.E. a suportar esse descalabro !?
    Parece que sim…….

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