Desenvolvimento económico e emprego em destaque no debate no Barreiro

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O desenvolvimento económico e a criação de emprego estiveram no centro da discussão no debate entre os candidatos à Câmara Municipal do Barreiro, numa iniciativa com casa cheia

 

O debate do Barreiro da ‘Operação Autárquicas 2017’, que o DIÁRIO DA REGIÃO está a promover em parceria com as rádios Popular FM, Rádio Sines, a Setúbal Revista, a agência ADN e o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), decorreu no Auditório Municipal Augusto Cabrita e registou uma casa cheia para assistir.

Coube a Mário Durval abrir o debate, com o candidato do BE a defender que o partido pretende centrar a sua actuação nas pessoas, garantindo que vai avançar com o Orçamento Participativo e com referendos para questões centrais, como o terminal de contentores, referindo que as decisões “não podem ficar nos corredores do poder”.

Frederico Rosa, do PS, defendeu que o projecto do partido tem vindo a ser construído nos últimos anos e garantiu que é preciso ter um Barreiro com desenvolvimento económico, “rompendo com a resignação económica e dando um novo impulso”, considerando que o potencial do concelho “não pode ficar por concretizar”.

O candidato do CDS, Jorge Teixeira, referiu que é preciso reflectir sobre o estado do Barreiro nas ultimas décadas e salientou que é preciso trabalhar para tratar o que existe no concelho e que só depois é que se pode pensar nos grandes projectos “muitos anunciados e poucos concretizados”.

Durval Salema, candidato do PAN, defendeu que o partido tem a premissa que o homem não está no centro de tudo e salientou a necessidade de haver preocupações com o ambiente ou os animais. Apresentou também um conjunto de 10 eixos que considera fundamentais em diversas áreas.

Bruno Vitorino, candidato do PSD, afirmou que quer mudar o Barreiro, lembrando o trabalho que tem desenvolvido na autarquia enquanto vereador com pelouros. O candidato considerou que o modelo da CDU “falhou” e que está preparado para assumir os destinos da autarquia, apresentando algumas propostas.

Já Sofia Martins, actual vice-presidente e candidata da CDU, considerou que o desenvolvimento económico é um ponto central e que estão a trabalhar em soluções, defendendo o investimento nos serviços públicos, que é elevado mas “essencial para o futuro do Barreiro”, e salientando a aposta na participação.

 

Desenvolvimento económico considerado essencial

O desenvolvimento económico e o emprego estiveram no centro da discussão, com Frederico Rosa a defender que é necessário que se seja pró-activo para seduzir investimentos. “Temos que ser uma cidade amiga do investimento”, salientou, defendendo uma maior ligação com o ensino superior, o apoio a pequenas empresas para candidaturas a fundos comunitários, um simplex autárquico e a criação de uma Agência de Desenvolvimento Local.

Jorge Teixeira defendeu que é difícil investir no Barreiro quando o concelho “tem dos IMI mais altos, a derrama no máximo e não se devolve IRS”. O candidato defendeu que o Barreiro não pode ficar preso ao passado e deixou criticas à falta de classificação do património e à demolição do antigo posto médico da CUF.

Durval Salema defendeu que o corredor de protecção para a terceira Travessia sobre o Tejo tem sido um problema, considerando que é espaço “ocupado por nada”, e afirmou que é preciso ter em atenção as empresas que estão a fechar no concelho. Defendeu a revitalização dos mercados municipais, a preferência a empresas locais na adjudicação de serviços e uma aposta na melhoria das acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida.

Bruno Vitorino disse que a autarquia “trata mal os que cá estão” e deixou criticas a CDU e PS por terem sido favoráveis ao Forum Barreiro. O candidato defendeu a criação de uma incubadora de empresas, considerando o desenvolvimento económico uma prioridade, e referiu que é preciso acabar “com as barreiras ideológicas”, salientando também um choque fiscal para as empresas com menos taxas e um gabinete do munícipe nos mercados municipais.

Sofia Martins salientou que não viu as forças politicas dos candidatos “fazerem oposição ao desmantelamento do tecido industrial” e defendeu a aposta da autarquia em infra-estruturas para acolher investimentos, salientando a importância projectos estruturantes para alavancar o emprego no Barreiro. A candidata defendeu a aposta numa economia mista e lembrou que a região foi a NUT III que mais divergiu da União Europeia, considerando que faltam grandes investimentos para atrair desenvolvimento económico na margem sul.

Mário Durval centrou a sua intervenção na importância que o rio e o mar podem ter para a economia no futuro, salientando que tem muitas oportunidades que podem ser utilizadas para atrair empresas e famílias. Lembrou ainda que o Barreiro perdeu 20 mil pessoas com o fim da CUF e que “essa depressão ainda não foi curada”.

 

Turismo, terminal e outros assuntos em debate

Os candidatos abordaram ainda a questão de se apostar no turismo e no seu desenvolvimento, em complementaridade com Lisboa e apostando no património existente, sendo unânimes em manifestar-se contra o terminal de contentores em frente à avenida da praia.

Os candidatos demonstraram também algumas preocupações com a possível localização do novo aeroporto complementar na base aérea do Montijo e os seus impactos para o concelho, abordando também a extinção de freguesias no Barreiro ou a implementação de um Orçamento Participativo.

Para mais informações, agenda de debates e os vídeos entre no site da Operação Autárquicas 2017.

 

COMENTÁRIO
António Oliveira – Jornalista

Candidatos discutem ideias, público não quis ficar fora do debate

Assistência envolveu-se no debate com palmas, assobios e alguns apupos

O debate organizado pelo DIÁRIO DA REGIÃO e os seus parceiros no Barreiro deu voz a todos os candidatos à Câmara Municipal do Barreiro, que apresentaram as suas ideias para o futuro do concelho.

No palco, os candidatos esgrimiram argumentos, fizeram ataques, mas sempre num espírito de respeito e cordialidade entre todos, com algumas “farpas” a proporcionaram mesmo alguns momentos de humor e boa disposição, com todos a demonstrarem um enorme ‘fair play’.

O público encheu o Auditório Municipal Augusto Cabrita. Na assistência, cada intervenção dos candidatos era acompanhada de palmas, em alguns casos mais sonoras que noutros, mas ouviram-se também apupos, assobios e um ou outro comentário a roçar a ofensa, de todo desnecessário. A intensidade das palmas começou a ser vista como um barómetro de quem estava melhor no debate.

Como um dos elementos do público disse: “parece que estamos num jogo de futebol”.

Bem, se a análise for feita em comparação com o futebol podemos dizer que alguns candidatos se apresentam nesta fase em melhor forma que outros, mas que o campeonato ainda é longo. No dia 01 de Outubro vamos ver quem montou a melhor equipa, conseguiu a melhor estratégia, potenciou as sua forças e escondeu as suas fraquezas, porque existe sempre a velha máxima: as contas só se fazem no fim.

E convém não esquecer que nem todos se apresentam nestas eleições com os mesmos objectivos. Se uns pretendem vencer o campeonato (no caso a Câmara), existem outros que pretendem atingir objectivos mais modestos (como a representação dos partidos em órgãos autárquicos), mas ainda assim importantes.

A 01 de Outubro vamos ver quem atingiu os objectivos, quem os supera e quem vai ficar aquém do previsto. Como em todos os campeonatos: uns vão vencer e outros vão ser vencidos.

 

OS CANDIDATOS UM A UM

Mário Durval (BE)

O candidato do BE apresentou-se a debate bem preparado e foi claro em assumir que o objectivo do bloco é conseguir estar representado nos órgãos autárquicos.

Mário Durval, uma figura simpática e com provas dadas na sua vida profissional, marcou o seu discurso pela necessidade de as pessoas serem envolvidas nos processos de decisão e garantiu que pretende avançar com Orçamento Participado e com referendos sobre as principais decisões para o futuro do Barreiro. Defendeu também a aposta no turismo com recurso à memória e património existentes no concelho.

O candidato enalteceu as potencialidades do rio Tejo e oportunidades que representa a nível económico, tendo a capacidade para responder aos seus adversários com nível e bom humor. Foi o protagonista de algumas das mais engraçadas respostas da noite, em especial a Bruno Vitorino e Jorge Miguel Teixeira.

Faltou também a Mário Durval a capacidade para ir mais longe em propostas concertas para o Barreiro.

 

Frederico Rosa (PS)

O candidato do PS, o principal partido da oposição à CDU no Barreiro e o único que conseguiu acabar com a sua hegemonia na autarquia, surgiu no debate bem preparado e demonstrou conhecimento do Barreiro, mas o seu discurso, talvez muito técnico, não foi o mais entusiasmante.

Frederico Rosa tem provas dadas na sua área de actuação, mas a menor experiência política ficou demonstrada no debate, apesar de ter tido o mérito de preferir apresentar as suas ideias do que atacar os seus opositores.

O candidato apresentou várias propostas como a oferta de dois manuais às famílias dos alunos do 5º ao 12º ano, a criação de uma Agência de Desenvolvimento Local, uma aposta no turismo em complementaridade com Lisboa, um Simplex autárquico ou uma relação com o ensino superior existente no concelho.

Não foi objectivo na resposta sobre a sua posição em relação à extinção de freguesias, tendo em conta também a posição do partido a nível nacional, mas ainda assim defendeu que o processo deve ser estudado.

 

Jorge Miguel Teixeira (CDS)

O jovem candidato do CDS apresentou-se a bom nível, mostrando conhecimento e um discurso polido, trazendo muita elevação ao debate. Não fugiu ao confronto com os seus opositores e mostrou que pode ter futuro na política e no concelho.

Jorge Miguel Teixeira referiu que o CDS pretende estar representado nos órgãos autárquicos e parte com esse objectivo para estas eleições, mas para isso é preciso que o partido seja mais activo no concelho fora dos períodos eleitorais e o candidato pode conduzir esse trabalho.

Apresentou algumas ideias e propostas como a necessidade de se classificar o património, de se apostar no turismo, na redução do IMI e do preço da água, mas preferiu centrar a sua intervenção naquelas que considera serem insuficiências e problemas do concelho, com mérito de procurar aprofundar a discussão.

Também não foi longe na apresentação de propostas concretas para o Barreiro e errou ao confundir os nomes do antigo posto médico da CUF com o Posto 3, que é um bar no concelho.

 

Durval Salema (PAN)

O candidato do PAN surgiu no debate com vontade de afirmar as suas ideias e objectivos para o concelho, centradas nos aspectos que o partido tem vindo a defender a nível nacional. Mostrou conhecimento e trabalho de casa e colocou alguns temas interessantes à discussão.

Durval Salema lembrou o trabalho que o único deputado do PAN tem feito na Assembleia da República e foi claro em afirmar que o partido pretende conseguir lugares nos diferentes órgãos autárquicos, prometendo trabalho e a apresentação de propostas.

Apresentou ideias e propostas como a candidatura a “Cidade Amiga das Crianças”, um roteiro pelas lojas mais antigas, a preferência a empresas locais na adjudicação de serviços, um regulamento animal, a defesa dos mercados e a aposta no alargamento do Metro Sul do Tejo.

O candidato do PAN não foi muito longe em propostas concretas para áreas determinantes para o futuro do concelho, mas abordou áreas que são essenciais para o partido, como o ambiente ou os animais.

 

Bruno Vitorino (PSD)

O candidato do PSD, um político experiente, apresentou-se no debate bem preparado e com um objectivo bem traçado: assumir-se como a principal oposição à CDU na Câmara do Barreiro.

Bruno Vitorino apontou as suas ideias e atacou a CDU e também PS, referindo que foram duas forças políticas que já conduziram os destinos da autarquia, chegando mesmo a considerar que o PS “fez ainda pior” que a CDU. Quis assumir-se como o rosto da mudança no concelho, considerando mesmo que só haviam duas opções: a continuidade com Sofia Martins ou a mudança consigo.

Bruno Vitorino foi o candidato que apresentou mais propostas concretas, como a criação da Polícia Municipal, a instalação de videovigilância, redução do IMI, criação de uma incubadora de empresas ou o passe grátis nos TCB para crianças até aos 10 anos.

Como aspecto menos positivo, a maneira como aligeirou responsabilidades sobre decisões políticas tomadas a nível nacional no governo PSD/CDS, ele que é deputado na Assembleia da República e votou as decisões, bem como a discussão do nome da avenida das Nacionalizações, um detalhe apenas ideológico.

 

Sofia Martins (CDU)

A candidata da CDU, vice-presidente da autarquia e que procura substituir no cargo Carlos Humberto, apresentou-se no debate de modo a dissipar dúvidas se está ou não preparada para o desafio.

Sofia Martins explicou as suas ideias e assumiu o papel da continuidade do projecto da CDU. A candidata respondeu aos seus adversários, demonstrando conhecimento e preparação, e partiu mesmo ao ataque, com um discurso fluido e responsável, assumindo uma postura de quem se prepara para ser presidente.

Sofia Martins apresentou algumas ideias e propostas, como a renovação dos TCB, um Plano Municipal de Turismo, a reabilitação do património, a aposta na requalificação da frente ribeirinha e lembrou o trabalho efetuado em diversas áreas nos últimos anos. Destacou também a importância do IMI na receita da autarquia, lembrando que representa um quarto e paga muita despesa.

Como menos positivos a não apresentação de mais propostas concretas para o concelho, em especial para áreas determinantes para o futuro do Barreiro.

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