Requalificação urbana e uso do rio no centro da discussão na Moita

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A requalificação urbana do concelho e a necessidade de se aproveitar as potencialidades do rio Tejo para o desenvolvimento económico foram dois aspectos que marcaram o debate entre os candidatos da vários forças política à liderança da Câmara Municipal da Moita

 

No debate da Moita da ‘Operação Autárquicas 2017’, que o DIÁRIO DA REGIÃO está a promover em parceria com as rádios Popular FM, Rádio Sines, a Setúbal Revista, a agência ADN e o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), que decorreu na biblioteca municipal, a requalificação urbana e dos espaços públicos marcou a primeira fase do debate.

Joaquim Raminhos, candidato do BE, foi pelo sorteio o primeiro a intervir e abordou, desde logo, as questões relacionadas com a requalificação urbana do concelho, referindo que existem “casas a cair ou emparedadas”.

“Na requalificação urbana falta fazer muita coisa. Por exemplo Alhos Vedros tem o núcleo central em escombros. A autarquia lançou um projecto mas as coisas têm estado paradas”, considerou.

Luís Nascimento, candidato apoiado pelo PSD, CDS e MPT, referiu que é um critico do IMI que se paga no concelho, mas defendeu que para as casas abandonadas, o IMI é baixo demais.

“A reabilitação urbana é um problema grave e a autarquia tem que encontrar soluções. Temos que trazer pessoas e investir nos centros das vilas”, defendeu o candidato, lembrando também a situação do Vale da Amoreira e a necessidade de se reabilitarem diversos espaços públicos.

Rui Garcia, actual presidente e candidato da CDU, afirmou que a reabilitação urbana é um problema grave em todo o país, rejeitando a ideia que um agravamento do IMI resolvesse o problema.

“Nas casas abandonadas temos casos de pessoas com dificuldades e um agravamento do IMI não me parece justo nem uma solução. Temos áreas de reabilitação urbana definidas, com inventivos fiscais, mas a maioria são privados e não públicos”, frisou.

Hélder Silva, candidato do PAN, defendeu que pretende conversar com as pessoas para conhecer os seus problemas e saber o que é preciso para que as pessoas avancem para a reabilitação urbana e se fixem nos centros das vilas do concelho.

Luís Chula, candidato do PS, referiu que a reabilitação urbana é uma ferida grave no concelho, considerando que Alhos Vedros é o seu maior exemplo.

“Metade de Alhos Vedros está a cair e é preciso uma forma mais actuante de resolver os problemas. O gabinete da autarquia não se deve limitar responder, tem que estar no terreno a conversar com as pessoas e a apontar soluções. Mas a autarquia tem que dar o exemplo e começar a reabilitar os seus espaços, existindo mesmo casos que são inexplicáveis”, disse.

A reabilitação urbana dos espaços públicos foi também abordada pelos candidatos, em especial do Vale da Amoreira, que também se debruçaram sobre a necessidade de se apostar no rio Tejo.

Sobre a requalificação dos espaços públicos no Vale da Amoreira, os vários candidatos assumiram que é preciso fazer mais, lembrando a existência de vários espaços degradados. Rui Garcia afirmou que o estado “fez as casas no meio da areia e foi embora”, referindo que a autarquia tem estado a fazer, a pouco a pouco, intervenções no local.

 

Rio Tejo e outras ideias dos candidatos

Em relação ao rio, Joaquim Raminhos considerou o Tejo com um pilar central e uma oportunidade que de deve aproveitar, deixando a ideia que se podem apostar em projectos até de nível intermunicipal, com os concelhos vizinhos como parceiros.

Luís Nascimento também defendeu a aposta no rio e nas potencialidades da zona ribeirinha, considerando imprescindível que se melhore o nível socioeconómico do concelho e defendendo que a Moita “deve deixar de estar nas notícias pelos piores motivos”.

Rui Garcia considerou que a Moita é a “grande bandeira do rio Tejo”, lembrando os barcos típicos existentes, e garantiu que a construção do novo ancoradouro vai estar concluída ainda antes das Festas da Moita.

Hélder Silva defendeu também a aposta no rio Tejo, com a criação de condições para que o concelho receba mais embarcações. Defendeu também uma maior aposta na área da restauração.

Luís Chula considerou que o Tejo é “uma estrada que pode abrir caminhos”, mas lembrou que existe a limitação de só existir água em determinadas horas do dia. Defendeu a ideia de se apostar mais no turismo em diversas áreas, entre elas a gastronómica.

Todos dos candidatos assumiram que caso sejam eleitos para a presidência pretendem distribuir pelouros por todos os partidos da oposição, com Rui Garcia a ser o menos claro na sua intenção, apesar de não fechar a porta a tal possibilidade.

O tema da piscina municipal da Moita também esteve sobre a mesa, mas nenhum candidato se comprometeu com a sua construção.

Luís Nascimento e Luís Chula levantaram também o facto de a Moita estar em último lugar nas estatísticas que medem a qualidade de vida dos munícipes, garantindo que é algo que querem alterar.

Joaquim Raminhos defendeu a aposta no património histórico do concelho e da necessidade de lhe dar utilidade pública, enquanto Rui Garcia anunciou candidaturas a fundos comunitários para intervenções essenciais no concelho.

Já Hélder Silva defendeu o fim das actividades relacionadas com a tauromaquia no concelho, numa intenção em que não foi apoiado pelos restantes candidatos, que reconheceram a sua importância histórica no concelho.

Para mais informações, agenda de debates e os vídeos entre no site da Operação Autárquicas 2017.

 

COMENTÁRIO
António Oliveira – Jornalista

Debates são um acto de serviço público

Uma oportunidade única para conhecer os candidatos e as suas ideias

Luís Nascimento, candidato do PSD à Câmara da Moita, logo nas suas primeiras palavras, considerou o debate organizado pelo DIÁRIO DA REGIÃO e seus parceiros como um verdadeiro ato de serviço público, algo que não podia concordar mais.

Na Moita, como já aconteceu e vai continuar a acontecer em todos os concelhos da região, a população tem a possibilidade de ouvir e conhecer as propostas e ideias dos vários candidatos para cada concelho.

Os debates são uma oportunidade, talvez única, de reunir na mesma sala os representantes das várias forças políticas que se propõem a dirigir os destinos das autarquias nos próximos quatro anos, sendo também uma oportunidade única de questionar os diversos candidatos.

O debate da Moita, com algumas picardias e ataques pelo meio, decorreu num ambiente de respeito entre todos os candidatos. O público também ajudou, ouvindo as posições de cada candidato sem manifestações que pudessem condicionar as intervenções.

Os candidatos optaram por transmitir as suas ideias do que deve ser o concelho da Moita, pecando por não terem aprofundado as suas propostas para áreas centrais para o desenvolvimento do concelho. Ainda assim, acabaram por fazer alguns compromissos e deixaram mesmo promessas caso sejam eleitos.

O debate foi um ato de serviço público para a população da Moita. Todos os candidatos na mesma sala, com o mesmo tempo e a responder a perguntas do moderador e do público.  Será difícil transmitir em texto tudo o que aconteceu na Biblioteca Municipal, pois nada substitui a presença no local, onde cada um pode retirar as suas ideias.

 

OS CANDIDATOS UM A UM

Joaquim Raminhos (BE)

O candidato do BE, que tem mantido a representação da força política na vereação, apresentou-se no debate calmo como é seu timbre, tentando, acima de tudo, explanar as suas ideias para o concelho e apontando alguns elementos que necessitam de ser alterados.

Joaquim Raminhos teve o mérito de ser o primeiro a colocar sobre a mesa os temas da requalificação urbana e da necessidade de se apostar nas potencialidades do Rio Tejo, que acabaram por estar no centro do debate, mostrando que conhece a realidade da Moita.

Apresentou algumas ideias, como a necessidade de requalificar a zona do Cais de Alhos Vedros, de se potencializar o património histórico do concelho e de se apostar em projectos intermunicipais para o desenvolvimento do concelho da Moita.

Pecou por não ser mais concreto na apresentação de propostas para a Moita, facto transversal a todos os candidatos, e errou ao afirmar que no Barreiro todos os vereadores têm pelouro, pois os eleitos do PS no concelho vizinho não têm.

 

Luís Nascimento (PSD-CDS-MPT)

O candidato da coligação do PSD-CDS-MPT entrou no debate com o à-vontade que lhe é característico, começando por explicar os motivos que o fizeram voltar à vida política, num concelho onde já foi vereador na oposição.

Luís Nascimento mostrou conhecimento do concelho e preparação, colocou logo sobre a mesa o facto de a Moita estar em último lugar nas estatísticas que medem a qualidade de vida dos munícipes e também lançou para a discussão a necessidade de se requalificar o espaço público no Vale da Amoreira.

O candidato apresentou algumas propostas concretas para o concelho, como o aumento do IMI para as pessoas com habitações degradadas, o alargamento da rede de ciclovias às escolas ou a criação de um nicho de empresas em zonas abandonadas, com as antigas fábricas em Alhos Vedros, deixando críticas à actual gestão, afirmando várias vezes que a “Moita merece mais”.

Durante o debate pecou por algumas repetições nas suas intervenções e por não ter ido mais longe nas propostas que apresentou, em especial para áreas centrais do desenvolvimento da Moita.

 

Rui Garcia (CDU)

O candidato da CDU, que procura ser reeleito para um novo mandato, apresentou-se no debate preparado para enfrentar os restantes candidatos, consciente que seria o centro das críticas e ataques.

Rui Garcia mostrou um amplo domínio sobre os temas e, para além de apresentar as suas ideias para o concelho, procurou responder aos ataques dos restantes candidatos, salientando que “é fácil apresentar ideias, sendo mais difícil definir prioridades”, e destacando a redução dos impostos e o aumento do investimento no último mandato.

O candidato apresentou propostas para o concelho, como o ancoradouro do cais, e candidaturas a fundos comunitários que vão permitir avançar com algumas intervenções, como na zona do cais de Alhos Vedros ou no Palacete da Fonte da Prata. Garantiu ainda que a requalificação estrada de acesso à escola profissional avança em 2018.

Como pontos negativos a sua intervenção sobre a distribuição de pelouros pela oposição caso vença as eleições, em que não foi concreto na resposta, e a ausência de resposta aos indicadores que colocam a Moita no último lugar na região abordados pelos seus adversários, preferindo referir que podem surgir em breve investimentos na Moita, mas não concretizou quais.

 

Hélder Silva (PAN)

O candidato do PAN apresentou-se a debate sem estar preparado para tal e mostrou desconhecer o concelho a que se candidata.

Hélder Silva centrou a sua intervenção no facto de ser contra as actividades ligadas à tauromaquia e pouco mais acrescentou, para além de algumas ideias avulsas ligadas ao desenvolvimento turístico apoiado no rio Tejo.

O candidato rejeitou por diversas vezes intervir em determinados temas no debate, reconhecendo que não conhecia a situação.

O PAN, que é um partido com representação na Assembleia da República, tem vindo a crescer a nível nacional, mas situações como as que ocorreram no debate na Moita não contribuem para a afirmação do partido.

 

Luís Chula (PS)

O candidato do PS, que tem sido a principal força da oposição à CDU no concelho, entrou no debate nervoso, mas foi melhorando com o passar tempo. Mostrou-se preparado e com o trabalho de casa feito.

Luís Chula pautou a sua intervenção por ataques à gestão da CDU, apresentando também algumas ideias para a Moita, como a necessidade de retirar o concelho do último lugar dos rankings ou necessidade de se fixar os jovens no concelho.

O candidato apresentou algumas propostas concretas como a aposta no turismo ligado ao rio Tejo e à gastronomia, a criação de um gabinete de apoio social, a criação de uma rota das tradições pelo núcleo museológico, com todos os locais identificados, ou o arranque da requalificação da estrada de acesso à escola profissional logo em Dezembro.

Como pontos mais negativos o facto de ter preferido apostar mais nas criticas à CDU do que na apresentação de mais propostas em áreas centrais para a Moita. Também não facilitou o trabalho ao candidato do PS no Barreiro, Frederico Rosa, quando considerou que os jovens da Moita preferem o concelho vizinho porque este tem “mais cultura, desenvolvimento e até uma sala de estudo disponível”.

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