SETÚBAL | Reacendimento de incêndio obriga bombeiros a voltar para trás

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Meios já tinham começado a ser desmobilizados do local quando as chamas voltaram. À hora de almoço, cerca de 40 bombeiros lutavam de novo contra o sinistro. Vereador Carlos Rabaçal diz que proprietários que não limparam terrenos vão ter de pagar mais de meio milhão

Os meios que estiveram envolvidos no combate ao incêndio que deflagrou na terça-feira, em Setúbal, já tinham começado a ser desmobilizados do local, ontem por volta da hora de almoço, quando foram obrigados a regressar ao teatro de operações face ao reacendimento do fogo.

Pouco depois das 13h30, mais de 40 bombeiros, apoiados por 12 viaturas e um meio aéreo, participaram no combate às chamas que reacenderam surpreendentemente.

Antes, já o vereador com o pelouro da Protecção Civil da Câmara de Setúbal, Carlos Rabaçal, falava na desmobilização dos meios.

“A partir do meio-dia vamos começar a libertar todas as outras corporações de bombeiros, ficando as operações de rescaldo a cargo dos Voluntários e Sapadores de Setúbal”, disse à Lusa, então, o autarca, adiantando que a Estrada Nacional (EN) 10 tinha sido reaberta ao trânsito pela manhã.

A primeira frente do incêndio, por detrás do hospital da Luz, já estava resolvida, mas a essa hora ainda prosseguiam as operações de rescaldo na zona em que estiveram ameaçadas dezenas de moradias e prédios dos bairros da Reboreda e do Viso. Nesta área, por precaução, cerca de 500 pessoas foram retiradas das suas casas por causa da aproximação do fogo, que deflagrou pelas 18h00 de terça-feira. Cerca das 23h30 desse mesmo dia, os moradores foram autorizados a regressar a casa, depois de algumas horas de grande apreensão em que as chamas chegaram a passar por cima dos telhados de alguns prédios.

Proprietários vão ter de pagar

Na manhã de ontem, além dos bombeiros e de um helicóptero que ajudou no combate ao que restava do incêndio, estiveram no local várias máquinas pesadas que, segundo o vereador da Protecção Civil, “já tinham sido contratadas para começar a trabalhar esta quarta-feira na construção de novos caminhos de acesso a propriedades que não foram limpas”.

“Infelizmente para nós, tivemos este incêndio um dia antes”, lamentou Carlos Rabaçal, reiterando que as máquinas em causa já estavam contratadas e que a autarquia se limitou a fazer alguns ajustamentos ao trabalho que estava previsto inicialmente.

De acordo com o autarca, a Câmara de Setúbal vai construir dois caminhos, um na base e outro no topo da encosta onde ocorreu o incêndio, e está a avaliar também a construção de caminhos perpendiculares que permitam o acesso a zonas de mato no interior de cerca de 12 propriedades.

Tal como a presidente da Câmara de Setúbal já tinha antecipado na terça-feira à noite, Carlos Rabaçal assegurou que os proprietários dos terrenos onde ocorreu o incêndio já tinham sido notificados para procederem à limpeza do mato, mas só dois cumpriram o pedido.

“Em todo o concelho, notificámos 650 proprietários para limparem as suas propriedades e criarem áreas de gestão combustível – caminhos de acesso ao interior dessas propriedades –, mas cerca de metade não cumpriu com o que lhes era pedido, pelo que decidimos tomar posse administrativa de 30 propriedades que apresentavam maior risco de incêndio”, acrescentou.

“A Câmara Municipal já gastou cerca de meio milhão de euros na limpeza desses terrenos. O custo dessas operações e a respectiva multa terá de ser suportado pelos proprietários dos terrenos”, concluiu o vereador.

Dez feridos e danos na cobertura de uma casa

Apesar da situação de pânico que se chegou a viver quando o incêndio ameaçava dezenas de prédios e habitações, os bombeiros contabilizam apenas 10 feridos ligeiros, todos por inalação de fumos, sete dos quais foram transportados ao Hospital de São Bernardo e só uma moradia sofreu alguns danos na cobertura. O incêndio que deflagrou cerca das 18h00 de terça-feira no Casal dos Combros, à entrada de Setúbal, propagou-se rapidamente a uma encosta de mato junto à zona urbana da Reboreda, com dezenas de moradias e de prédios, alguns dos quais com cinco pisos. Cerca de 200 bombeiros apoiados por 63 viaturas, de todas as corporações da Península de Setúbal e mais duas dos distritos de Évora e de Lisboa, estiveram envolvidos no combate ao sinistro.

DIÁRIO DA REGIÃO com Lusa

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