Turismo de pedras e vinhos

Opinião

Carlos Cupeto

Universidade de Évora

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Muito para além das hordas de turistas a tirar fotografias a monumentos que todos os outros europeus teem muito melhor que nós há um potencial único de valor incalculável, quase ignorado, o turismo associado à enogeobiodiversidade.

Foi isso que aconteceu em  Borba num trabalho conjunto da Universidade de Évora/Centro de Ciência Viva de Estremoz (CCVE) e da Adega de Borba quando surgiu “a história da Terra num copo”, atividade integrada na Ciência no Verão. Esta mesma enogeobiodiversidade está bem patente nas terras do Sado e Arrábida. Chegar ao Rossio em Estremoz num sábado de manhã é a boa surpresa e o convite para compreender, cedo, o genius locci deste maravilhoso lugar. Desde logo, para que não existam dúvidas, na base está a geodiversidade que justifica a singularidade desta terra com água e solo, a causa da excelência da produção hortícola local e logo do fabuloso mercado de sábado no Rossio. Antes do vinho na garrafa, e logo a seguir no copo, há um imenso percurso, há uma vinha enraizada num solo, resultante de uma rocha mãe que há cerca de 500 milhões de anos se formou num profundo oceano e que depois se altera. Estas pedras, além do registo da história da Terra que nos contam, gozam da identidade de uma mineralidade e de um fabric que se sente no vinho; algo mais que o conhecido terroir. A enogeobiodiversidade desde encantador país é uma realidade que facilmente o vinho nos comprova. Em Borba, como na rica Península  de Setúbal, há vinhas que respondem a uma variedade imensa de micro – terroir e por isso a enorme diversidade de vinhos. No copo é possível provar a diferença que a rocha confere ao vinho. Quanto vale esta história? Acreditem que imensamente mais que as bonitas fotografias tiradas aos Jerónimos.  Dias 4 e 5 de agosto, no primeiro ao fim da tarde e no segundo de manhã, há mais pedras e vinhos, inscrições gratuitas pelo CCVE –  http://www.ccvestremoz.uevora.pt/home/

Porque não em Setúbal?

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