Montijo – terra de inclusão

Opinião
Catarina Marcelino

Catarina Marcelino

Dirigente do Partido Socialista
Catarina Marcelino

Latest posts by Catarina Marcelino (see all)

No Montijo somos, enquanto comunidade, marcados por um sentimento de nostalgia que nos caracteriza e nos convoca a identidade, em torno da Estrada Real, da Mala Posta, da Estalajadeira Alda a Galega, em torno de uma terra cosmopolita, de portas abertas, quer através do rio que une as margens do Tejo, quer através de terra que nos liga ao Sul.


A verdade é que hoje, em pleno Séc.XXI, o Montijo é um território que cresceu, que se transformou, no contexto do arco ribeirinho sul e da área metropolitana de Lisboa, territórios que do ponto de vista social foram sendo marcados por movimentos migratórios que trouxeram crescimento económico por um lado, mas também zonas de pobreza e exclusão por outro.
O Montijo foi-se demarcando desta realidade e, como diz o Presidente Nuno Canta, há 20 anos que há uma clara aposta em políticas sociais e de integração que excluem condomínios para ricos e bairros exclusivamente para pobres.
Apesar da forte pressão urbanística do final do séc. XX, início do séc. XXI, marcada pela construção da ponte Vasco da Gama, o concelho, ao contrário de concelhos vizinhos, não permitiu a construção de condomínios fechados, apostando por outro lado na integração da habitação social com outras tipologias, como podemos ver no Bairro do Esteval ou no Bairro da Caneira, onde coabitam a habitação social, a habitação de custos controlados e a habitação em moradias unifamiliares.
Mas a política de integração não se ficou apenas por uma lógica de habitação integrada, houve um investimento na área social e na educação que acompanharam este movimento.
Na década de 90 os Programas de Luta Contra a Pobreza trouxeram os Projetos PISCA à Caneira e ao Esteval, e estiveram na origem do que hoje é o Centro Social de S. Pedro no Afonsoeiro, projetos que apostavam na inclusão das crianças e das famílias que viviam nos bairros, através de formação pessoal e profissional, atividades de acompanhamento escolar para as crianças, atividades socioculturais para jovens.
Estes projetos foram-se transformando, acompanhando as políticas sociais do país, mas continuam a existir nos Bairros, através do Contrato Local de Desenvolvimento Social, projeto Roda Livre no Esteval e no Afonsoeiro e do Programa Escolhas, projeto [email protected] na Caneira. Estes projetos mantêm o trabalho de combate à pobreza e à exclusão social, são motores de promoção do sucesso escolar das crianças, da sua integração e da promoção da mobilidade social.
É aqui que entra a estratégia de educação do Concelho do Montijo, através de uma rede de pré-escolar público, da existência desde 2005 de escolas de primeiro ciclo com atividades extracurriculares, as AEC, de uma política de qualidade nos refeitórios escolares certificados, e um trabalho constante de parceria com o Ministério da Educação ao nível do segundo e terceiro ciclos, dando aqui como exemplos a presença de equipas dos projetos [email protected] e do projeto Roda Livre, na Escola D. Pedro Varela ou na Secundária Poeta Joaquim Serra, que acompanham as crianças com maiores dificuldades de inclusão social.
O Montijo, no contexto de tantos concelhos próximos onde a existência de guetos sociais é uma realidade, pode afirmar-se hoje como um território que promove políticas públicas de integração, de promoção de igualdade de oportunidades para todos e para todas, uma terra que se pauta pela inclusão.

One comment

  1. Parabéns à Drª.Catarina por este texto. Normalmente perante este tipo de “partilhas”, com um tal conteúdo e qualidade, não há muitos comentários, porque não há como não falar bem! Escreve quem sabe. Lê quem se interessa. E … a reflexão fica com cada um de nós! Bem-haja.

Deixe uma resposta