Montijo – terra de inclusão

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No Montijo somos, enquanto comunidade, marcados por um sentimento de nostalgia que nos caracteriza e nos convoca a identidade, em torno da Estrada Real, da Mala Posta, da Estalajadeira Alda a Galega, em torno de uma terra cosmopolita, de portas abertas, quer através do rio que une as margens do Tejo, quer através de terra que nos liga ao Sul.

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A verdade é que hoje, em pleno Séc.XXI, o Montijo é um território que cresceu, que se transformou, no contexto do arco ribeirinho sul e da área metropolitana de Lisboa, territórios que do ponto de vista social foram sendo marcados por movimentos migratórios que trouxeram crescimento económico por um lado, mas também zonas de pobreza e exclusão por outro.
O Montijo foi-se demarcando desta realidade e, como diz o Presidente Nuno Canta, há 20 anos que há uma clara aposta em políticas sociais e de integração que excluem condomínios para ricos e bairros exclusivamente para pobres.
Apesar da forte pressão urbanística do final do séc. XX, início do séc. XXI, marcada pela construção da ponte Vasco da Gama, o concelho, ao contrário de concelhos vizinhos, não permitiu a construção de condomínios fechados, apostando por outro lado na integração da habitação social com outras tipologias, como podemos ver no Bairro do Esteval ou no Bairro da Caneira, onde coabitam a habitação social, a habitação de custos controlados e a habitação em moradias unifamiliares.
Mas a política de integração não se ficou apenas por uma lógica de habitação integrada, houve um investimento na área social e na educação que acompanharam este movimento.
Na década de 90 os Programas de Luta Contra a Pobreza trouxeram os Projetos PISCA à Caneira e ao Esteval, e estiveram na origem do que hoje é o Centro Social de S. Pedro no Afonsoeiro, projetos que apostavam na inclusão das crianças e das famílias que viviam nos bairros, através de formação pessoal e profissional, atividades de acompanhamento escolar para as crianças, atividades socioculturais para jovens.
Estes projetos foram-se transformando, acompanhando as políticas sociais do país, mas continuam a existir nos Bairros, através do Contrato Local de Desenvolvimento Social, projeto Roda Livre no Esteval e no Afonsoeiro e do Programa Escolhas, projeto [email protected] na Caneira. Estes projetos mantêm o trabalho de combate à pobreza e à exclusão social, são motores de promoção do sucesso escolar das crianças, da sua integração e da promoção da mobilidade social.
É aqui que entra a estratégia de educação do Concelho do Montijo, através de uma rede de pré-escolar público, da existência desde 2005 de escolas de primeiro ciclo com atividades extracurriculares, as AEC, de uma política de qualidade nos refeitórios escolares certificados, e um trabalho constante de parceria com o Ministério da Educação ao nível do segundo e terceiro ciclos, dando aqui como exemplos a presença de equipas dos projetos [email protected] e do projeto Roda Livre, na Escola D. Pedro Varela ou na Secundária Poeta Joaquim Serra, que acompanham as crianças com maiores dificuldades de inclusão social.
O Montijo, no contexto de tantos concelhos próximos onde a existência de guetos sociais é uma realidade, pode afirmar-se hoje como um território que promove políticas públicas de integração, de promoção de igualdade de oportunidades para todos e para todas, uma terra que se pauta pela inclusão.

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns à Drª.Catarina por este texto. Normalmente perante este tipo de “partilhas”, com um tal conteúdo e qualidade, não há muitos comentários, porque não há como não falar bem! Escreve quem sabe. Lê quem se interessa. E … a reflexão fica com cada um de nós! Bem-haja.

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