Nuno Canta pede maioria absoluta e sublinha melhor resultado financeiro dos últimos 40 anos

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Apresentação da recandidatura foi apadrinhada por António Costa. Autarca socialista elege novo estádio municipal e piscinas na zona ribeirinha como compromissos para cumprir nos próximos quatro anos

A apresentação da recandidatura de Nuno Canta à Câmara Municipal do Montijo, apadrinhada pelo secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, arrancou com mais de meia-hora de atraso do que o previsto, mas a espera serviu para acentuar o sabor da boa capacidade de articulação da Distrital de Setúbal na preparação para as autárquicas de 1 de Outubro próximo.

A plateia do Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida esteve repleta de gente, registando-se a presença de todos os cabeças-de-lista do partido a cada um dos 13 concelhos do Distrito de Setúbal. A manifestação de apoio em torno de Nuno Canta – que também viu ainda algumas dezenas de apoiantes no balcão do Cinema Teatro – foi total, merecendo a presença não só de António Costa, que momentos antes havia participado no debate do Estado da Nação, como também de várias outras personalidades do Governo (Eduardo Cabrita, Pedro Marques, Marcos Perestrello, além de Catarina Marcelino, foram exemplo disso), entre outros.

Com um cenário típico de campanha eleitoral e ao som de “Prime Minister’s Love Theme”, de Craig Armstrong, Nuno Canta subiu ao palco para a intervenção final, revelando dois compromissos para cumprir em quatro anos.

“Assumimos aqui com clareza novas causas para a nossa terra. Mais e melhor emprego, mais e melhor desenvolvimento, mais e melhor Montijo. Assumimos o Montijo com mais reabilitação urbana e com melhores espaços públicos, como é o exemplo da nova ciclovia ao longo do ramal do caminho ferro. Assumimos o Montijo com mais frente ribeirinha, sem guetos para pobres nem condomínios privados para ricos, com o projecto das piscinas ribeirinhas há muito sonhado pelo Partido Socialista”, disse o cabeça-de-lista do PS, acrescentando: “Assumimos o Montijo mais sustentável, com melhores infra-estruturas desportivas, com um novo estádio municipal, que é ambição de muitos clubes e desta cidade. Assumimos o Montijo com um novo aeroporto com melhores acessibilidades à cidade, com melhores transportes públicos para todos. É esta visão que assumimos como contrato para os próximos quatro anos.”

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Mais turismo e melhores exemplos culturais, como a construção da Casa da Música Maestro Jorge Peixinho, também mereceram destaque na intervenção de Nuno Canta, que salientou ainda um outro vector de actuação. “A escolha do professor Francisco Santos [actual vice-presidente da autarquia] para mandatário sublinha a prioridade que queremos continuar a dar à Educação e à Escola Pública”, vincou.

Vitórias nas juntas e reforço na Assembleia Municipal

Quanto ao futuro, o candidato foi peremptório: “Passa por reforçar os acordos que temos hoje estabelecidos entre o município e as freguesias, assegurando competências e meios, porque é nas freguesias que os autarcas conhecem melhor o terreno e os problemas, que melhor governam em proximidade com as pessoas. Consideramos, por isso, essencial a eleição de cada um dos nossos presidentes de junta.”

Nuno Canta estabeleceu também a meta a atingir nas próximas autárquicas, pedindo maioria absoluta, ao mesmo tempo que deixou algumas críticas aos partidos da oposição. “Construir um futuro melhor é governar sem o constante bloqueio ao orçamento da Câmara que infelizmente tivemos durante este mandato. É muito importante a eleição da Câmara ser feita com uma maioria clara. Perante o que assistimos neste mandato é preciso uma maioria clara na Câmara e na Assembleia Municipal, para reforçar a confiança e ter um bom governo para o nosso Montijo”, afirmou.

“A escolha de Catarina Marcelino como cabeça-de-lista é uma certeza de que teremos uma Assembleia Municipal fiscalizadora da acção governativa da Câmara, em diálogo, em cooperação, e garantindo a participação de todos, porque todos somos Montijo”, acrescentou.

Nuno Canta lembrou o trabalho desenvolvido no actual mandato e realçou a situação financeira da autarquia. “Contas em dia, redução significativa dos impostos municipais, com a redução a zero da dívida a fornecedores e empreiteiros. Alcançámos a menor dívida de médio e longo prazo dos últimos 40 anos do poder local democrático no Montijo. E não deixámos nunca de reforçar o investimento nas áreas que considerámos estruturantes da cidade e das freguesias rurais”, concluiu.

Costa admite aeroporto no Montijo e ferrovia em Sines

Começando por elogiar Nuno Canta – “Sentámo-nos os dois no conselho metropolitano, foi aí que nos conhecemos, trabalhámos juntos, e onde aprendi a respeitar e a admirá-lo como um grande autarca, não só aqui no Montijo como um grande autarca em toda a região” –, António Costa admitiu que o aeroporto na Base Aérea n.º 6 do Montijo será uma realidade e deixou ainda implícito que a ligação ferroviária em Sines é para efectivar.

“O Distrito de Setúbal é um distrito fundamental para o conjunto do País. É um grande motor para a nossa economia. O País precisa de um Distrito de Setúbal dinâmico, empreendedor, gerador de riqueza, que estimule a iniciativa, e que seja capaz de ajudar o País a vencer os desafios que tem pela frente”, considerou. “O caso do Montijo é exemplar, porque não há nada que o Montijo não tenha. Montijo tem uma das maiores áreas de produção de cortiça do País, é um dos principais concelhos de produção e transformação de carne de porco, tem força industrial, é uma área residencial de grande significado e é, sobretudo terá a oportunidade de ser, um dos grandes centros logísticos de toda a região, quando aqui se instalar o novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa”, atirou.

Para transformar o distrito “numa grande plataforma logística de escala global, que possa juntamente com o Porto de Sines, com ligações ferroviárias”, cotar-se como uma área estratégica para o desenvolvimento do País, são necessários “autarcas com visão, com ambição, autarcas que não deixem as oportunidades passar, mas que sejam capazes de agarrar as oportunidades quando elas existem”, finalizou António Costa.

António Mendes lembra Amélia Antunes e revela Ricardo Bernardes

António Mendes, presidente da Federação do Distrito de Setúbal do PS, interveio após o discurso de abertura de Francisco Santos – mandatário da candidatura de Nuno Canta – e foi o único a salientar o trajecto iniciado pelos socialistas no concelho montijense com Maria Amélia Antunes, actual presidente da Assembleia Municipal. Um trajecto que, sublinhou, enche o partido de “orgulho”. O responsável realçou que “ao contrário do que acontece em outros partidos, no PS não se apaga ninguém das fotografias”. Mais à frente, o presidente da Distrital acabou por confirmar a integração de Ricardo Bernardes na lista de Nuno Canta, para salientar a aposta na juventude.

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