«Educar para a felicidade»

Opinião
Francisco Cantanhede
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A geração de pais que viveu o 25 de Abril educou os seus filhos com excesso de liberdade. Ora, são esses filhos que hoje são pais e sentem insegurança, até desorientação, no modo como devem agir para com os seus filhos.

Hoje, há muitas crianças e jovens mimados, ou seja, para eles apenas existem direitos. Podem fazer tudo, querem ter tudo. Toda a criança vive uma fase em que é extremamente egoísta; os pais, embora conscientes de que se trata de um tempo que passará, devem agir de modo a combater esse egoísmo. A principal aprendizagem que a criança deve fazer é que a liberdade tem retorno. Se pede aos pais para usar algum dos seus objetos terá de o preservar e guardar; a criança deve igualmente aprender que há o meu e há o teu. Se, por exemplo, o filho usa o computador do pai, este não deve hesitar em lho retirar se precisar do mesmo, recordando à criança que o computador é propriedade sua; se os pais usarem algo que pertença aos filhos devem pedir-lhes autorização. Se os pais estão a falar com adultos, a criança não deve interromper a conversa, nem interromper as conversas dos seus progenitores. Para isso, é importante que, nas conversas entre pais e filhos, os pais também deixem falar os filhos sem os interromperem. Há crianças que gritam quando os pais conversam, o que pode significar que se sentem postas de lado ou vivem com alguma angústia que as tortura, e a única forma de chamar a atenção é gritar. Nestas situações, nunca os pais devem responder gritando, mas sim falar calmamente e procurar descobrir o que leva a criança a ter tal comportamento. Não podem ser as crianças a mandar nos pais e muitos pais temem impor disciplina aos filhos com receio de que se tornem revoltados, desajustados. Dizer não quando é necessário representa excelente pedagogia. Castigos nada resolvem, podendo mesmo levar os filhos a acreditar que não são amados pelos pais. Os pais não devem ter como referência  na educação dos filhos o bem parecer: demonstrar aos vizinhos, amigos, familiares que sabem educar; os pais assertivos e com alguma cultura agem com naturalidade em todas as situações de conflito, não pretendem moldar os filhos à sua imagem, respeitam o seu eu. Quantos pais se queixam que os filhos não os respeitam! Ora, o respeito não é mais do que admiração, estima pelo outro. Se os pais se insultam diante dos filhos, mentem, se a mãe aceita ser maltratada pelo marido prepotente, como podem esses pais merecer a admiração, a estima dos filhos? Uma criança educada em liberdade responsável e com amor, será um adulto respeitador dos direitos dos outros.

A criança tem de se adaptar ao mundo que a rodeia, o que provoca aprendizagens complexas e algum desconforto. Os pais devem estar conscientes que as casas são feitas para adultos, logo é importante reconhecer que a criança sente muitas dificuldades de adaptação. Não pode meter os dedos na tomada elétrica, não pode riscar os móveis, não pode partir a loiça, não pode… Por outro lado, os espaços foram decorados para adultos: móveis, quadros, restante decoração… nada significam para uma criança; tendo de viver num espaço de adultos, é natural que a criança, por vezes, tenha reações de desrespeito desse mesmo espaço.  Terão de ser os pais ou os educadores em cada situação a agir de modo a que a criança se desenvolva com equilíbrio, sem medos, sem se sentir culpada, para se tornar um adulto responsável e autónomo.

Numa família permissiva, a criança só tem direitos; numa família autoritária, só tem obrigações; numa família assertiva, tem direitos e obrigações.

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