Portugal, La Isla Bonita, i´m crazy for you like a virgin

Opinião

Aparentemente, tudo o que Portugal faça é notícia. Ao longo dos anos, más notícias. Toda a gente se lembra de que em 1977, em 1983 e em 2011, foram necessárias intervenções do FMI; que em vários momentos o preço dos combustíveis aumentou; que o incumprimento das metas do défice foram regulares; que Durão Barroso é português. A grande diferença é que da depressão noticiosa quase constante se passou para um estado de novidades eufóricas. Dados frescos apontam que o nome de Portugal saiu em mais de 16 mil notícias em todo o mundo e que o turismo aumentou. Ao contrário do que Passos Coelho vaticinou, o diabo não veio. O que acaba por ser um contra-senso, pois trata-se, ao mesmo tempo, de um revés e de uma boa notícia para o turismo.

Segundo acontecimentos recentes, Portugal parece estar na moda. Em apenas 12 meses foi campeão europeu de futebol, venceu o festival da Eurovisão e conseguiu eleger António Guterres para secretário-geral da ONU.

Quando, em 1917, a Cova da Iria recebeu uma ilustre visita, poucos perceberam que Portugal já nessa altura estaria na moda. Afinal, quantos países se podem gabar de despertar o interesse da mãe de Jesus Cristo? Há 100 anos era extremamente difícil argumentar, mas visto à luz dos nossos dias talvez Nossa Senhora fosse a Madonna daqueles tempos. O raciocínio parece simples e lógico, na medida em que se descortinam alguns pontos em comum: as roupas extravagantes; o crucifixo; o surpreendente interesse por Portugal; o “like a virgin”.

Pessoalmente sou favorável a entusiasmos moralizadores. Sugiro, por isso, que o leitor vá buscar as pipocas porque é possível que este entusiasmo por Portugal ainda esteja só a começar: Mónica Bellucci e Michael Fassbender compram casas em Lisboa; Madonna visita Portugal e aparece vestida com camisola do Benfica; Schauble compara Centeno a CR7.

Aguarda-se que a próxima façanha seja reconhecer Cavaco Silva como uma múmia mais importante que a de Tutankamon.

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