Ninguém no Barreiro quer o terminal de contentores em frente à Avenida da Praia

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A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio anunciou que rejeita “qualquer projecto” que ponha em causa a frente ribeirinha do concelho, referindo que é possível compatibilizar o terminal de contentores com a Avenida da Praia.

“No Estudo de Impacte Ambiental do Projecto do Terminal Portuário do Barreiro, que está em consulta pública, o mesmo se se propõe abarcar toda a frente ribeirinha, na Avenida Bento Gonçalves, sensivelmente até ao fim do Parque Infantil junto ao “Moinho do Jim””, refere em comunicado.

A União de Freguesias, liderada por Ana Porfírio (CDU), refere que esta dimensão nunca tinha sido anunciada ou equacionada e constitui “uma grave agressão à qualidade de vida dos barreirenses”.

“Causa a destruição do que é por todos reconhecido como um local invejável, aprazível, potenciador de várias situações, desde a prática de desportos náuticos a zonas de lazer, que tem sido alvo nos últimos anos de sucessivos investimentos”, acrescenta.

A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio refere que apesar da “importância inequívoca” de criação de postos de trabalho que permitam o crescimento económico do concelho, “estes não podem ser feitos a qualquer custo, como aconteceu no passado”.

“O crescimento económico pode e deve ser sustentável e potenciador de melhoria de condições de vida da população e não o inverso. Acreditamos que é possível a construção do equipamento no sentido oposto, fazendo uma ligação natural à estrutura portuária existente no território da Baía Tejo, conforme Plano de Urbanização da Quimiparque, mantendo assim a aprazível frente Ribeirinha para usofruto da população do Concelho do Barreiro. A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio rejeita qualquer projecto que ponha em causa a frente Ribeirinha”, referiu.

Autarquia, PSD e PS também já tinham assumido posições

A Câmara Municipal do Barreiro defende o novo terminal de contentores no concelho, mas rejeita a hipótese de a vista da marginal no centro da cidade ser afectada pela infraestrutura.

“A Câmara Municipal do Barreiro e o seu presidente têm defendido, desde sempre, que o terminal de contentores do Barreiro só será um contributo para o desenvolvimento do concelho, compatibilizando a actividade portuária com o projecto da Terceira Travessia do Tejo e com o ordenamento da cidade, incluindo a frente ribeirinha. A Avenida da Praia não pode ser afectada nas suas vistas”, refere a autarquia, em comunicado.

As questões estão relacionadas com as imagens que existem sobre a implementação do terminal no território no EIA, em que é possível ver a expansão do terminal para a zona da avenida da Praia, a marginal no centro da cidade, afectando a sua vista sobre o rio e sobre Lisboa.

A autarquia defende que a primeira fase do terminal, com um cais de 796 metros, vá até ao início da avenida, na zona do Clube de Vela do Barreiro, e que a segunda fase, que prevê um aumento do cais para cerca de 1500 metros, se faça para nascente e não em direcção à avenida.

Bruno Vitorino, vereador e candidato do PSD à Câmara Municipal do Barreiro, já tinha exigido esclarecimentos ao governo e à autarquia, referindo que o potencial da zona ribeirinha do Barreiro iria ser “destruído”.

“Este projecto nunca tinha sido apresentado à população. É muito estranho o facto de somente agora, em fase de consulta pública, o mesmo surja, uma vez que alterou totalmente o projecto inicial que tinha sido discutido e que sempre teve em cima da mesa”, disse, salientando que é preciso “compatibilizar as diferentes actividades económicas e turísticas”.

Bruno Vitorino diz mesmo que as imagens desse novo projecto são “absurdas” pois assim iria “arruinar completamente um dos pontos estratégicos do Barreiro, que é a Avenida da Praia e a sua vista para o rio, bem como todo o seu potencial turístico. O que é importante é compatibilizar as diferentes actividades económicas, algo que sempre esteve previsto”.

Também Frederico Rosa, candidato do PS à Câmara do Barreiro, se manifestou contra o projecto, cujo EIA está em consulta pública.

“Para que fique claro desde já, a esta implantação do projecto, na extensão proposta, digo não”, frisou o candidato.

Frederico Rosa afirmou que o aumento da actividade portuária é desejável para o Barreiro, que a instalação de um Terminal de Contentores poderia criar sinergias e mais valias para a nossa comunidade, mas referiu que a infraestrutura “tem que se enquadrar na nossa estratégia e não se transformar na estratégia em si mesma”.

“Não aceito que se pendure mais uma vez o futuro do nosso desenvolvimento num único projecto que, ainda por cima, depende de terceiros. Conhecemos este caminho e vivemos com os seus maus resultados. Uma decisão definitiva, se queremos ser responsáveis, só pode ser afirmada após a conclusão de todos os estudos ambientais e de viabilidade económica que nos permitam saber qual o real impacto que vai ter na cidade, seja ele ambiental, paisagístico, social ou económico”, disse.

9 comments

  1. Ou seja vão recusar um projecto de milhões que pela primeira vez vai trazer os empregos que o PCP destruiu no pós-25 de Abril, só pela causa paisagística. Uma autêntica comédia

    1. Projecto de milhões? Nao de e ser para os bolsos dos barreirenses. Mais emprego? Não devem conhecer poço do bispo! Além de mais trânsito pesado, não vejo nada de melhor.

  2. Eu não moro no Barreiro,mas estou totalmente solidário com a população,conheço o local,e digo: não faltava mais,
    destruir a vista da marginal,não passa na cabeça sequer de um anormal,quanto mais de gente com responsabilidade
    governativa.

  3. Provovam o turismo, estamos a apenas 20 minutos da Baixa de Lisboa, porque não procuram investidor para a construção de um parque temático, Espanha tem 3( Isla Mágica, Porto Aventura, e Parque Warner) seria unico em Portugal, isso sim criava muito emprego.

  4. É inaceitável que a qualidade ambiental da cidade não se sobreponha a interesses económicos.
    Há que encontrar uma solução conciliatória que permita melhorar a qualidade de vida dos barreirenses a vários níveis.
    Emparedar-nos é que não!

  5. tudo o que seja para desenvolver a terra para criar postos de trabalho tudo contra mas não tem que prejudicar a vista.

  6. Eu pertenço, naturalmente ao grupo de pessoas, que de forma responsável, apoio e
    acredito, que um projecto e infraestruturas destas dimensões, só trará desenvolvimento econômico e mais valias a uma região.
    No entanto, também concordo que não deve ser implementado a qualquer custo, nem sob pena de prejudicar o meio ambiente e as populações, daí que, seria sensato a projecção do mesmo, mas no sentido inverso, ou seja, na direcção do parque empresarial da Quimiparque, uma vez que ao longo dos anos, a imagem sempre foi uma imagem de marca, no âmbito industrial.

  7. Sou nascido e criado no Barreiro e com certeza k quero o terminal, faz falta pelo trabalho k tiraram na quimigal e cp, o Barreiro precisa.

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