Ninguém no Barreiro quer o terminal de contentores em frente à Avenida da Praia

118
visualizações

A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio anunciou que rejeita “qualquer projecto” que ponha em causa a frente ribeirinha do concelho, referindo que é possível compatibilizar o terminal de contentores com a Avenida da Praia.

“No Estudo de Impacte Ambiental do Projecto do Terminal Portuário do Barreiro, que está em consulta pública, o mesmo se se propõe abarcar toda a frente ribeirinha, na Avenida Bento Gonçalves, sensivelmente até ao fim do Parque Infantil junto ao “Moinho do Jim””, refere em comunicado.

- Pub -

A União de Freguesias, liderada por Ana Porfírio (CDU), refere que esta dimensão nunca tinha sido anunciada ou equacionada e constitui “uma grave agressão à qualidade de vida dos barreirenses”.

“Causa a destruição do que é por todos reconhecido como um local invejável, aprazível, potenciador de várias situações, desde a prática de desportos náuticos a zonas de lazer, que tem sido alvo nos últimos anos de sucessivos investimentos”, acrescenta.

A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio refere que apesar da “importância inequívoca” de criação de postos de trabalho que permitam o crescimento económico do concelho, “estes não podem ser feitos a qualquer custo, como aconteceu no passado”.

“O crescimento económico pode e deve ser sustentável e potenciador de melhoria de condições de vida da população e não o inverso. Acreditamos que é possível a construção do equipamento no sentido oposto, fazendo uma ligação natural à estrutura portuária existente no território da Baía Tejo, conforme Plano de Urbanização da Quimiparque, mantendo assim a aprazível frente Ribeirinha para usofruto da população do Concelho do Barreiro. A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio rejeita qualquer projecto que ponha em causa a frente Ribeirinha”, referiu.

Autarquia, PSD e PS também já tinham assumido posições

A Câmara Municipal do Barreiro defende o novo terminal de contentores no concelho, mas rejeita a hipótese de a vista da marginal no centro da cidade ser afectada pela infraestrutura.

“A Câmara Municipal do Barreiro e o seu presidente têm defendido, desde sempre, que o terminal de contentores do Barreiro só será um contributo para o desenvolvimento do concelho, compatibilizando a actividade portuária com o projecto da Terceira Travessia do Tejo e com o ordenamento da cidade, incluindo a frente ribeirinha. A Avenida da Praia não pode ser afectada nas suas vistas”, refere a autarquia, em comunicado.

As questões estão relacionadas com as imagens que existem sobre a implementação do terminal no território no EIA, em que é possível ver a expansão do terminal para a zona da avenida da Praia, a marginal no centro da cidade, afectando a sua vista sobre o rio e sobre Lisboa.

A autarquia defende que a primeira fase do terminal, com um cais de 796 metros, vá até ao início da avenida, na zona do Clube de Vela do Barreiro, e que a segunda fase, que prevê um aumento do cais para cerca de 1500 metros, se faça para nascente e não em direcção à avenida.

Bruno Vitorino, vereador e candidato do PSD à Câmara Municipal do Barreiro, já tinha exigido esclarecimentos ao governo e à autarquia, referindo que o potencial da zona ribeirinha do Barreiro iria ser “destruído”.

“Este projecto nunca tinha sido apresentado à população. É muito estranho o facto de somente agora, em fase de consulta pública, o mesmo surja, uma vez que alterou totalmente o projecto inicial que tinha sido discutido e que sempre teve em cima da mesa”, disse, salientando que é preciso “compatibilizar as diferentes actividades económicas e turísticas”.

Bruno Vitorino diz mesmo que as imagens desse novo projecto são “absurdas” pois assim iria “arruinar completamente um dos pontos estratégicos do Barreiro, que é a Avenida da Praia e a sua vista para o rio, bem como todo o seu potencial turístico. O que é importante é compatibilizar as diferentes actividades económicas, algo que sempre esteve previsto”.

Também Frederico Rosa, candidato do PS à Câmara do Barreiro, se manifestou contra o projecto, cujo EIA está em consulta pública.

“Para que fique claro desde já, a esta implantação do projecto, na extensão proposta, digo não”, frisou o candidato.

Frederico Rosa afirmou que o aumento da actividade portuária é desejável para o Barreiro, que a instalação de um Terminal de Contentores poderia criar sinergias e mais valias para a nossa comunidade, mas referiu que a infraestrutura “tem que se enquadrar na nossa estratégia e não se transformar na estratégia em si mesma”.

“Não aceito que se pendure mais uma vez o futuro do nosso desenvolvimento num único projecto que, ainda por cima, depende de terceiros. Conhecemos este caminho e vivemos com os seus maus resultados. Uma decisão definitiva, se queremos ser responsáveis, só pode ser afirmada após a conclusão de todos os estudos ambientais e de viabilidade económica que nos permitam saber qual o real impacto que vai ter na cidade, seja ele ambiental, paisagístico, social ou económico”, disse.

Comentários

- Pub -