“É preciso mais salário e menos horário”

Opinião
Amelia Antunes

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Presidente da Assembleia Municipal do Montijo
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A afirmação recente de Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP, de que ” é preciso mais salário e menos horário” pode afigurar-se um paradoxo mas deve servir para reflectir e aprofundar as reais possibilidades de poder vir a acontecer, de ser colocado em prática no futuro.
De fato, as transformações sociais positivas ocorridas nas últimas décadas na Europa e em Portugal, na União Europeia, a favor do trabalho, dos direitos sociais, por mais igualdade e justiça social, na construção do Estado Social, Educação, Saúde, Protecção Social foi e é fruto da luta de todos aqueles que convictamente assumem participar na construção de uma sociedade mais livre, mais justa, mais igual, humana e solidária.
Nada está assegurado com carácter permanente, para sempre, pois” nada é permanente salvo a mudança”, como ensinou Heraclito. Ter presente aqueles princípios na acção diária é tão importante como o ar que se respira.
Vivemos hoje o momento, no mundo em que as mudanças acontecem a uma velocidade que estaríamos longe de sequer imaginar há duas décadas. Mudanças que continuam a acontecer cada vez mais e mais depressa.
É neste quadro que se insere a preocupação com os rendimentos das pessoas e o número de horas de trabalho para a formação da retribuição, para a formação do seu rendimento sem inviabilizar a sustentabilidade individual e colectiva da empresa.
A consciência de que as novas tecnologias, a ciência, a robotização vão paulatinamente substituir o papel das mulheres e dos homens nas relações de trabalho é cada vez maior, o que obriga a reflectir no que deverá ser feito, que soluções nessa nova ordem económica e social para assegurar às pessoas uma vida de realização e dignidade, uma vida útil para si e para a sociedade.
Por isso, a questão principal, a prioridade é o combate às desigualdades, ao empobrecimento, à exclusão social, o que pressupõe mais rendimentos, onde o salário, o ordenado são a regra como fonte de rendimento do trabalho.
O horário de trabalho tenderá a ser equacionado não só em função da produtividade mas também da qualidade para a formação de um determinado rendimento, sustentável.
Com todos os meios que hoje estão ao dispor, como as oportunidades de qualificações, conhecimento, novas tecnologias, capacidade de empreender, adaptação a novas realidades, assentes numa nova atitude, formas de trabalhar e de estar, interacção, conexão, trabalho em equipa, em associação, em rede, em grupo, responsabilidades partilhadas, serão a base para concretizar os tempos de trabalho.
As tendências para o futuro poderão ser realmente de” mais salário e menos horário”.

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