Portugal: Fátima*Maria*Francisco

Opinião
Jose Vinagre

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Professor
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As visões de manifestações de Luz em Fátima,  contêm em si desideratos amplos de uma saudosa «nova idade», não-ignorante, desejada por esta Humanidade «velha» mergulhada nas trevas da soberba, avareza, lúxuria, ira, gula, inveja e preguiça. Estamos nessa ignorância pecaminosa, nessa  «idade do ferro e violência», há milhares de anos, com memória-saudade de um não-tempo de concordia e amor num paraíso de Luz e Verdade. Essa memória primordial terá realização quando abandonarmos os inimigos da nossa felicidade, as coisas mundanas, as diabolizações a materialidade carnal e mergulharmos na imortalidade do Conhecimento rejuvenescendo o Homem «velho» que somos. Fátima manifesta essa memória paradísiaca e a possibilidade de restaurar, entre nós, esse mesmo Paraíso que pelos caminhos da Luz, nos leva novamente ao Príncipio. Fátima, e todos os santuários e fenómenos de luz portugueses  são locais onde os adeptos da «luz resplandecente» (=az-Zahara ou Fátima), opostos às trevas, têm visões espirituais de perfeição, beleza e amor revelando-nos o que colectivamente perdemos ao mesmo tempo que nos recolocam a possibilidade desse paraíso futuro. Já os Sufis berberes e fatimidas aí se envolviam nos fenómenos luminosos. A mensagem de Fátima desde o tempo muçulmano e anterioridade é profunda: ela nos mostra a possibilidade de sermos outra humanidade, nos pararelos da luz; de sermos uma humanidade espiritual e livre na sua felicidade, não agrilhoada e condicionada. O lugar de Fátima desvela aos portugueses o auspício da luz,caminho de uma outra consciência, pura e suprema, por oposição à escuridão ignorante em que vivemos e nos degladiamos há milhares de anos.

O local da Fátima muçulmana é o da Maria cristã. Esta Maria-Fátima, este «marianismo»  moral de Maria-Mãe e das criancinhas (pastorinhos e Menino Jesus) conduz-nos pela luz que o mundo há-de ser, através da Verdade até ao Príncipio, quando a pureza e imaculação dos nossos corações forem os meios que preparam a nossa alma para o futuro luminoso, afastando o desespero, a presunção, inveja, obstinação e impenitência da nossa forma afirmativa-individualista de viver e estar que corrompe a moralidade, para que a gente não atinja a Consciência. Então, com o exemplo da Mãe-Maria de Fátima e da Palestina, a mulher que conhece a matriz e segredos da Vida, colheremos frutos de consciência, e seremos como as crianças pastorinhas e o menino Jesus, puros de boas-aventuranças, com o descernimento da Luz que se revela por nossa conquista espiritual e ações bondosas. O «imperador do mundo» será então uma criança como Jesus, mas todos seremos puros (rejuvenescidos) como as crianças e cristo e as nossas manifestações viventes serão a pia bondade mariana que nos eleva em caminhos de luz, abandonando a actual obscuridade que nos arrasta ao sofrer. Quando compreendermos Maria-Fátima executaremos «peregrinações de esperança e não de favores» (Francisco); não teremos riqueza de meios, executaramos práticas luminosas como Fátima nos permite; seremos todos pobres franciscanos mas «ricos de amor» (sic) como  Maria-Mãe e como gostaríamos que fossem todas as mulheres, todos os homens  e crianças: puros. É a matriz da inteligência feminina, o caminho para a felicidade, na Unidade que o povo português quer e pode levar ao mundo, como anunciam  os anjinhos  das nossas capelinhas e rezas.

Esteve entre nós o franciscano Francisco, iniciado do Amor e Igualdade (como Maria), cujos apelos contra a destruição do planeta, exploração humana, abuso do trabalho, miséria e ganância são constantes. Os portugueses e todos os Homens sabem que não terão paz e felicidade neste mundo pecaminoso, cujos podres alicerces são ignorância, desigualdade e violência e nos levam ao desespero, dor, sofrimento e choro, não sabendo nós, às vezes, como deixar  este sistema. Portugal, pode mostrar aos povos do mundo como ultrapassar o sistema que tanto nos atormenta, seguindo Fátima-Maria, a mulher que consubstancia um «mar imenso de luz» (Fátima) e a «força revolucionária da ternura e do carinho» (Maria), nas palavras do Papa. Francisco veio a Portugal, desvendar o caminho que segue a Luz: abandonar ações pecaminosas que alicercam estes sistema violento e praticar manifestações de bondade que atingirão o desiderato espiritual de «concórdia entre todos os povos» (sic), tão presente no coração de portugueses,brasileiros e demais humanos. Francisco não veio celebrar qualquer espécie de ideologia ou «clericalismo» que mergulhe os portugueses numa Fé desgraçada e desesperada com «santinhas de favores» (sic), fruto de miséria e exploração. Francisco veio participar na grande celebração comunitário-colectiva da felicidade e abundança que todos os povos celebram desde a aurora dos tempos, desde o Principio, acentuando essa comunhão de «todos os povos» (sic), por oposição à violência; ele veio ao altar do Mundo, da grande-Mãe que envolve a Terra, sublinhar a sua mensagem de conhecimento que alimenta uma força imortal; veio desvendar as práticas iniciáticas que consubstanciam a Luz de Fátima, a bondade do coração de Maria-Mãe («Temos mãe!», disse) e a pureza dos meninos (pastorinhos), lembrando aos Portugueses, cujos corações vivem saudosos do Futuro que devem aprofundar esses caminhos pelas práticas da Luz, Bondade/repartição/partilha e Pureza/Amor.Paz!

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