Portugal: Descobrimentos * 25 de Abril * Vº Império

Opinião

No percurso de Portugal os Descobrimentos, o facto-efeméride 25 de Abril e a saudosa utopia do Vº Império, são três referências de escala planetária-universalista, em cujo interior reside um desiderato do povo português.

Ao saírem da «Idade das Trevas», os Portugueses «deram mundos ao mundo», mapearam o planeta e transmitiram aos Homens modernos a forma e conteúdos da Terra com olhos portugueses. Pelos mares circularam povos, culturas, produtos, … numa amplitude intercontinental, agora reconhecida como primeira globalização. Mas a universalidade da saga descobridora, não está no conceito «globalização», mas na  utopia-sonho da Ilha dos Amores ou no Éden redescoberto de Vera Cruz, assim como na procura da unidade terrena e da «Verdade» planetária ou Paraíso primordial livre das leis e do Tempo sem o qual não há ordens, nem propriedade, nem exploração, porque não há nada a fazer, obedecer ou demonstrar na terra-planeta-mãe-de-todos. As viagens portuguesas alimentaram o desejo de liberdade de quem se perdia pelo mundo, livre da servidão e dos Senhores. E dessa época persiste a chama das denúncias de Vieira ou Las Casas contra a escravatura e barbárie; persiste a memória da resistência dos índios Tamoios ou a experiência camponesa de Canudos. As descobertas foram e são aqueles Portugueses soltos e livres em quem ecoou no coração António Vieira: «Para nascer Portugal; para morrer o mundo» fraterno e livre, sem escravos, servos ou amos.

Ao libertar-se da «Noite Fascista», no dia 25 de Abril, o povo português desamordaçado e com saudade da liberdade fundamentada na igualdade, engenhou e tentou fundar, como o fazia e sabia nas suas aldeias e comunidades, formas de viver baseadas na cooperação de pessoas e união de povos, na distribuição e entre-ajuda, projectando o Povo para uma realidade sem tempo e governantes. Deu utilidade aos seus soldadinhos que alfabetizaram, construíram e proveram cuidados de saúde para os mais carenciados, libertou territórios ultramarinos da globalização de cinco séculos, colocou a produção económica ao serviço da política do social, ampliando a educação, saúde, habitação e cooperação…, tentou erguer uma república cristã-franciscana de Unidade, Verdade e Igualdade, como os paraísos sonhados pelos navegadores portugueses …gritando que o povo era unido! Para alguns historiadores, como Fukuiama, o 25 de Abril é precursor das revoluções modernas e da primavera árabe. Sob sua influência caíram ditaduras na Europa e o Império de 500 anos, sucedeu-se a independência da Namíbia e o fim do Apartheid onde os povos gritavam a palavra abrilista «Viva», e… a Europa e o Mundo da civilização dos chefes, propriedade, exploração, renda, lucro abalou com a acção franciscana do exército e revolucionários portugueses. As colónias independentes tiveram peso na ONU e em contenciosos como a luta do povo palestiniano. Da mesma forma que os Descobrimentos foram de amplitude e escala planetária, o foi a transformação operada pelo 25 de Abril no que restava da ditadura europeia e mais antigo império do mundo e primeira globalização. Mas, o projecto da cristã-franciscana e revolucionária república socialista portuguesa do 25 de Abril, falhou, não se concluiu. Basta olhar para os destroços da nossa política e sociedade.

No futuro-próximo quando os Portugueses sairem do presente e deixarem para as calendas da História e do Tempo os factos materiais do seu passado iremos iniciar, fundar e cumprir num futuro sem-tempo uma nova era onde não haverá lugar ao lucro, renda e exploração, onde os nossos crísticos corações serão canais de Bem que alimentam de forma educada e conventual as nossas mentes zen, abrindo à Humanidade o exemplo de um mundo novo, Igual. Então os Portugueses e Portugal irradiarão para o mundo, como um farol a seguir, todos os seus sonhos e utopias de andarem pelos mares, sem tempo e definição, como vadios, de amarem eternamente toda a gente e serem amados, de acolherem e se acolherem em qualquer parte, de admirarem e se adoçarem a qualquer cultura ou povo, constituindo Portugal e Brasil, qualquer coisa que não imaginamos, fora do paradigma actual, mas o embrião do Vº Império de Isabel, a rainha do pão e das rosas, de  Agostinho da Silva, o profeta do 3º milénio, de Vieira, o sacerdote  luso-brasileiro do Futuro, e de F. Pessoa aquele que lavrou a «Missão» de Portugal. Nesse tempo a chegar, os Portugueses em missão deixarão sua alma e corpo sofridos e Portugal concluirá a viagem incompleta dos Descobrimentos e a Revolução de Abril em Paz, Amor e Fraternidade, como os escravos da república de Palmares e os «índios da Meia-Praia». Então, os Portugueses (re)educados no bem-fazer de seus corações franciscanos, abrirão um novo paradigma mundial cuja experiência de repartição e igualdade terá início e lugar aqui, no Brasil e em terras da língua de Camões. Com Amor e sem violências. * Pinhal Novo, 25 de Abril.

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