Conheça a mais jovem setubalense certificada em Cake Design

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No Dia Mundial da Pastelaria, que se assinala hoje, 17 de Maio, o DIÁRIO DA REGIÃO recorda a conversa com Cristiana Sardinha, a mais jovem setubalense certificada em Cake Design

“A pastelaria é um mundo” e Cristiana Sardinha faz parte dele. Ela é um dos 113 formandos que nos últimos quatro anos se certificaram na Academia Profissional de Cake Design. Das Caldas da Rainha para a sua terra-natal, tem desenvolvido um currículo multifacetado, é proprietária de uma marca original e quer abrir, no futuro, um novo conceito de pastelaria. Para já, e não é pouco, sabe que é a mais jovem certificada em Cake Design na cidade de Setúbal
 

 

A origem do gosto de Cristiana pela cozinha em geral e pela pastelaria em particular remete-nos para os seus tempos de criança, ou não brincasse no quarto com alimentos e utensílios de cozinha feitos de plástico. Assim foi crescendo com menos bonecas por perto, frente à televisão. “Costumava ver o programa da Nigella Lawson na SIC Mulher, estava no 9º ano. Ela fazia as receitas, eu escrevi-as à mão e depois ia para a cozinha. A mulher era de tal maneira alegre e influente a ensinar, que no final ela comia os pratos”, lembra, entre risos. Quem diz este programa diz outros, como o programa do chef Henrique Sá Pessoa, na RTP.

O pequeno ecrã foi a primeira escola e os familiares próximos não influenciaram o seu interesse pela cozinha. “Se calhar vem nos genes”, atira, admitindo que o avô paterno, que foi chefe de cozinha na Marinha Portuguesa, possa remotamente ter tido alguma responsabilidade na sua vocação. Autodidacta, Cristiana veio a confirmar que a pastelaria tinha algo de muito especial ao fazer ao seu primeiro bolo de aniversário, com materiais e aspecto profissionais, aos 18 anos. “Fi-lo com base nos vídeos que via na Internet, comprava os ingredientes e perguntava como se usavam. Deu-me muito trabalho”, conta.

No entanto, o percurso académico não prosseguiu de forma tão doce quanto desejava. Uma vez concluído o ensino secundário em Ciências Socioeconómicas na Escola Secundária de Bocage, por decisão dos pais e por ser “uma área que dá emprego”, inscreveu-se no curso de Marketing na Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal. Hoje, admite: “Não adorei o curso nem gosto de Marketing para trabalhar, mas reconheço que é importante”. Afinal de contas, deu-lhe os conhecimentos e ferramentas necessários para criar e gerir a sua própria marca, entretanto patenteada.

“Gostei mais das cadeiras em que aprendi a falar com o cliente e a comunicar uma marca nas redes sociais”, explica a jovem, que em 2014 fundou a marca Doces da Cris, no Facebook, como ditam as regras do empreendedorismo do século XXI. Estando a frequentar o segundo ano do curso no Politécnico, foi então que disse: “É mesmo isto que eu quero!”. “Nessa altura percebi que queria apostar num projecto pessoal, ser empresária por contra própria”. E assim é: qualquer pessoa pode hoje encomendar bolos de pastelaria tradicional, conventual ou de Cake Design na sua página web, que também é uma montra das suas criações.

 

DOCES DA CRIS. A página no Facebook da marca é uma montra das suas criações.

 

Revolução na forma de fazer bolos

“O Cake Design, como nova área da pastelaria, motivou-me a seguir uma especialização”, justifica a jovem de 22 anos que chegou a fazer workshops com os reconhecidos chefs Inácio Berlinda e Filipe Blanquet, setubalense. Em Maio de 2016, concluiu o curso da Academia Profissional de Cake Design das Caldas da Rainha, pioneira em Portugal e a única na Europa a certificar profissionalmente cake designers.

Cristiana foi testemunha do nível de exigência colocado pelos formadores Teresa Henriques e Francisco Henriques, os mais internacionais e premiados cake designers portugueses. “O curso é intensivo. Quando lá cheguei vi que não sabia fazer nada. Quer dizer, fazia, mas não fazia como deve ser porque não tinha ainda conhecimento”, lembra, acrescentando que foi quando entrou na academia que percebeu gostar “ainda mais a sério” da pastelaria. Ainda assim, a experiência com que chegou permitiu destacar-se no curso.

Francisco Henriques, gestor de formação na Academia Profissional de Cake Design, explicou ao DIÁRIO DA REGIÃO que quando criou a escola em conjunto com a mulher, em 2013, o objetivo “era permitir aos pasteleiros trabalhar a decoração dos bolos”. “Mas em poucos anos percebemos que não eram os pasteleiros que estavam a dar cartas nesse mercado: 90% das pessoas eram de outros sectores e tinham ficado desempregadas com a crise. Faziam bolos como ocupação, bonitos por fora, mas que ao nível do sabor não recebiam grandes elogios, porque não eram formadas em pastelaria. A academia tem dado às pessoas essas competências”.

A jovem setubalense alinha com o formador ao acreditar que o Cake Design é a arte que veio revolucionar a forma de fazer bolos, à base de pasta de açúcar, mas também semi-frios e bolos de chocolate. Pertencer a esta espécie de elite da pastelaria exige técnica, “criatividade, imaginação e minúcia”, porque para se fazer um trabalho bem feito, como em tudo na vida, há que dar atenção aos pormenores. “As pessoas que procuram o Cake Design preocupam-se com o aspecto estético do bolo, que tem de ser bonito por fora e saboroso por dentro”, garante.

Francisco Henriques é da mesma opinião: “Um bolo destes tem um certo requinte e exige uma experiência de degustação. Infelizmente os patrões não premeiam o talento, antes os resultados imediatos”, lamenta, indicando essa como uma das razões para muitos dos formandos estabelecerem negócios por conta própria.

Assim fez Cristiana, que tem agora oportunidade de aproveitar a expansão desta vertente da pastelaria. Neste momento, frequenta o curso de Gestão e Produção de Pastelaria de Nível V na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, dando continuidade à sua formação. “Agora a minha meta é abrir uma pastelaria própria com um conceito diferente. A pastelaria é um mundo”, assegura.

 

ARTE. O Cake Design exige técnica, criatividade e minúcia

 

Texto originalmente publicado na edição 1186 de 25 de Julho de 2016 do Diário da Região.

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