13 de Maio – entrevista com uma testemunha do fenómeno

Opinião

Poucos dias ficarão na história de Portugal de forma tão vincada como o 13 de Maio de 2017. Para além de ser o 133º dia do ano, este dia tem outro traço de personalidade bastante interessante: aprecia o nome Salvador. A ironia é esta: no mesmo dia em que se comemoravam 100 anos que a mãe do Salvador foi vista em cima de uma azinheira, aparecia um outro Salvador a fazer milagres em cima de um palco em Kiev. No rescaldo de um dia histórico, o Diário da Região quis ouvir a opinião de quem viveu intensamente o 13 de Maio de 1917: a azinheira que acolheu a Virgem Maria. Um testemunho verdadeiramente emocionante de quem viu e sentiu (literalmente) a mãe do Salvador.

DIÁRIO DA REGIÃO – Bom dia, Sra. Azinheira. Como foi para si ser a árvore escolhida pela Virgem Maria? Calculo que tenha sido um orgulho.

AZINHEIRA – Bom dia. Antes de mais, gostaria que me tratasse pelo nome científico. Não temos assim tanta intimidade. Pode tratar-me por Quercus ilex e não por azinheira.

DIÁRIO DA REGIÃO – Peço desculpa. Não queria ser indelicado.

QUERCUS ILEX – Bom, respondendo à sua pergunta…digamos que não foi fácil, na medida em que a Virgem Maria tinha aquele aspecto franzino mas ainda era pesadota. Eu era uma jovem e tinha ainda pouca força nos galhos. Sucede que me partiu um galho ou outro mas nada de grave.

DIÁRIO DA REGIÃO – Continua a ser uma árvore famosa, apesar de já não ir para nova. Que diferenças existem entre a árvore que recebeu uma figura tão ilustre e a árvore que é agora? Conte-nos como é ser uma árvore centenária.

QUERCUS ILEX – Eu era uma estrela. Era bonita e viçosa.Tinha vários pretendentes. Toda a gente queria conhecer-me. Todas as semanas vinham devotos só para me contemplarem. Houve até um período em que cheguei a sentir alguma inveja por parte das minhas colegas. Olhe, sabe que mais? Agora com a idade é tudo mais complexo. Até as pontas das folhas começam a ficar secas e espigadas.

DIÁRIO DA REGIÃO – Quando diz que sentia a inveja das suas colegas, quer dizer exactamente o quê?

QUERCUS ILEX – Isto é tudo muito bonito, mas por causa da Virgem Maria perdi várias amizades, sabe? Cheguei inclusivamente a ser alvo de chacota. As minhas colegas diziam que, em vez de bolotas, eu dava Nossas Senhoras.

DIÁRIO DA REGIÃO – Relate-nos como foi o dia 13 de Maio de 1917. Que memórias guarda desse dia?

QUERCUS ILEX – Recordo-me como se fosse hoje. Surgiu de repente e nem tive tempo de me proteger. Ela vinha muito brilhante e branca. Quando reparei já tinha uma Nossa Senhora num dos galhos. Apareceu-me todos os dias 13 durante 6 meses. Não foi fácil livrar-me dela. Só consegui através de umas mezinhas e uma pomada contra aparições.

DIÁRIO DA REGIÃO – A discussão dos últimos dias tem sido esta: a Virgem Maria surgiu sob a forma de visão imaginária ou visão imaginativa? Terá sido mesmo uma aparição ou algo apenas na cabeça da Lúcia?

QUERCUS ILEX – Ainda bem que me faz essa pergunta. Toda a gente fala da Virgem Maria mas essa não foi a única aparição. Ninguém fala de outra, que para mim, foi mais importante para a região.

DIÁRIO DA REGIÃO – Houve outra aparição em Fátima para além da Virgem Maria?

QUERCUS ILEX – Houve. O Rui Vitória.

DIÁRIO DA REGIÃO – O actual treinador do Benfica?

QUERCUS ILEX – Exactamente. Actual treinador do Benfica e ex-treinador do C.D. Fátima. Foi uma aparição com sabor amargo na medida em que só cá esteve 4 anos. Imagine o que ganharíamos se ele cá tivesse continuado. Lamentavelmente foi fazer milagres para outra paróquia.

DIÁRIO DA REGIÃO – Tendo em conta que viveu o 13 de Maio de 1917 e o 13 de Maio de 2017, o que mais a impressionou nestes dois dias? O que destacaria como factos importantes?

QUERCUS ILEX – Poucos terão notado, mas o Salvador de 13 de Maio de 2017 e a Virgem Maria, mãe do outro Salvador, aparentam ter o mesmo gosto ao nível da indumentária. Arrisco a dizer que é o Stevie Wonder quem lhes escolhe as roupas.

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