Turismo, romaria Moita – Viana do Alentejo

Opinião

Carlos Cupeto

Universidade de Évora

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Uma vez por ano Romeiros a cavalo rumam da Moita a Viana do Alentejo pela fé e tradição. A romaria a Cavalo Moita-Viana do Alentejo, um dos eventos que distingue positivamente esta nossa terra, é muito mais que um ato de fé. Esta rota, de cerca 150 quilómetros, encerra um enorme potencial  dificilmente igualável, um conjunto de patrimónios quase infinitos. Simbolicamente é como misturar  o Cante e o Fandango. O Carro Andor  integra com distinção esta enorme comitiva romeira, pronto para levar a Nª Senhora da Boa Viagem até junto da Nª Senhora D’ Aires em Viana; um encontro ancestral, tradicionalmente testemunhado por lavradores que anualmente pedem por boas colheitas no magnífico Santuário de Viana. Tudo justo e perfeito. Uma grande iniciativa histórico-cultural que, lamentavelmente, não tem a atenção devida por quem de direito. Na verdade nesta embriaguez turística em que (quase) todos embarcámos e onde a chuva atrapalha inventam-se produtos de valia muito duvidosa enquanto ao lado a realidade clama por atenção. São estranhos estes tempos.

A moda das Rotas, Grandes (GR) e Pequenas (PR), invadiu-nos literalmente, mas só isto, a maioria das vezes é pouco, é apenas o primeiro passo. Passear na Arrábida com a família e o cão é bom mas pode ser muito melhor se o produto “rota” for devidamente fundamentado, estruturado e promovido. Um dos grandes desafios é tornar este percurso da Romaria numa Grande Rota que se constitua como um produto turístico de excelência e atraia, durante todo o ano, cavaleiros, caminheiros e ciclistas. Nesta matéria basta ver o que existe no estrangeiro (com muito menos condições) e tomar consciência do valor que esta rota pode representar. Torna-se óbvio que devemos alargar a Grande Rota da Romaria à cidade de Património Mundial, Évora e Lisboa, a capital do país.

Até um cego vê. Porque razão se continua a estragar dinheiro a inventar rotas quando o óbvio e essencial não se faz.

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