Liberdade, Igualdade, Fraternidade

Opinião
Amelia Antunes
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Emmanuel Macron é o novo Presidente da Republica Francesa. Venceu as eleições inequivocamente, por larguíssima maioria, contra a extrema direita de Marine le Pen.

O seu Movimento Em Marcha, EM, as letras iniciais do seu nome, foi desenhado e pensado há cerca de um ano, para fugir ao espetro partidário existente em França para não se misturar com os partidos tradicionais do sistema francófono.

O Movimento de cidadãos do Presidente Francês agora Eleito foi a esperança, é a esperança na mudança que milhões de franceses ambicionam para o seu país e de tantos outros milhões  que pretendem ter também na Europa, na União Europeia um novo designio, para recolocar o projeto Europeu na senda do desenvolvimento, da solidariedade, da justiça e paz para os povos da Europa, contribuindo para o progresso e a paz à escala global. A sua responsabilidade é enorme como ele próprio afirmou.

O Movimento em Marcha do Presidente Macron foi até agora o mais bem sucedido, pela sua visibilidade, adesão e participação abrangente de cidadãos que pretendem construir e viver na França da liberdade da igualdade e da fraternidade, neste século XXI onde nos últimos anos a desigualdade tem vindo a aumentar e o desemprego atinge niveis insuportáveis.

No ato eleitoral de 23 de Abril o Em Marcha foi já o grande vencedor, garantindo não só o primeiro lugar ao seu candidato, mas também relegando para um plano secundário os candidatos dos partidos tradicionais.

É verdade que não há democracia sem partidos. No entanto ,nos últimos anos, acerca de duas décadas, os movimentos sociais, os movimentos de cidadãos desiludidos com os partidos têm vindo a fazer o seu caminho na construção da cidadia ativa.

“Se os partidos muito contribuíram para descredibilizar a politica e o sistema representativo, os movimentos alternativos não partidários ainda não deram provas suficientes para credibilizarem um sistema democrático alternativo ao atual.” *  Passaram 10 anos após esta análise e os movimentos alternativos aos partidos aí estão ao mais alto nível, em França, neste caso, a agregar a vontade dos cidadãos face às novas realidades económicas sociais e politicas a imporem-se à margem das estruturas partidárias atuais.

Em Portugal os movimentos de cidadãos vão também fazendo o seu caminho, no quadro do nosso sistema politico e eleitoral. É nas autarquias, municipios e freguesias que vão ganhando influência. A existência da AMAI- Associação Nacional Movimentos Autárquicos Independentes é já uma realidade. Outros Movimentos vão percorrendo a sociedade portuguesa, contribuindo para o esclarecimento, informação e participação dos cidadãos.

Mais tarde ou mais cedo a legislação será alterada para dar voz e espaço a participação dos cidadãos e de grupos de cidadãos, com a possibilidade de candidaturas independentes dos partidos, para além dos partidos ,quer a nível individual quer de entidades representativas de cidadãos, de grupos de cidadãos. Aos partidos politicos cabe refletir e interagir com os cidadãos de forma consistente, séria, não para usar e deitar fora ou para fazer de conta “para compor o ramalhete”. A democracia representativamente participada  com as pessoas e para as pessoas.

É o tempo da cidadania ativa que só pode servir para melhorar a qualidade da democracia. Servir o interesse geral e o bem comum. Servir as pessoas e não servir-se delas. O tempo do combate  à corrupção ,pelos valores da ética republicana ,da lealdade contra a traição, da verdade contra a mentira, da nobreza da politica contra a promiscuidade, da separação entre politica e  negócios. O tempo da vontade das pessoas  empenhadas na construção de uma sociedade mais livre, mais igual, mais justa e fraterna.

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