PS debate sobre os desafios futuros do turismo

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Evento organizado pela concelhia socialista centrou-se na temática do aproveitamento das potencialidades dos recursos turísticos, a nível local e nacional

 

A iniciativa promovida pela comissão política concelhia do Partido Socialista (PS) Setúbal, que contou com a presença de Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, Ana Pifre, docente da Escola de Hotelaria e Turismo e Bruno Russo, empresário ligado à náutica de recreio, juntou esta sexta-feira à noite mais de uma centena de pessoas, entre militantes, simpatizantes e independentes, no Hotel Esperança, em Setúbal.

O seminário Turismo, moderado por Paulo Lopes, presidente do PS Setúbal, marcou o arranque do segundo ciclo de conferências da “Agenda para a Década – Concelho de Setúbal”, sob os temas Turismo e Mar; Ciência, Indústria e Inovação e Recuperação Urbana e Mobilidade, com vista à elaboração de um plano estratégico de desenvolvimento, com um horizonte de dez anos.

A “Agenda para a Década” define quatro pilares para afirmar Portugal 2024: a Valorização dos Nossos Recursos; a Modernização da Actividade Económica do Estado; o Investimento no Futuro e o Reforço da Coesão Social e surgiu em 2015 quando a Direcção Nacional do PS apresentou um documento orientador capaz de definir uma estratégia para o país, com um alcance de dez anos.

Sob o tema Turismo, a sessão aberta à sociedade civil, começou com a intervenção de Ana Pifre, docente da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, que enfatizou a ideia de que “no que toca ao turismo, Portugal se encontra na sua zona de conforto”, em virtude do seu património de excelência, cultura, gastronomia e vinhos e pelo facto de “a arte de bem receber estar no ADN da população”.

Em segundo lugar, a também formadora e consultora em projectos de investimento afirmou que houve uma mudança do perfil do turista, que visita Setúbal. “Há três ou quatro anos, as pessoas de Lisboa vinham a Setúbal para passear, comer peixe assado e choco frito, mas actualmente começámos a receber turistas internacionais” atraídos pela beleza da região, localização privilegiada entre Lisboa e Alentejo. Ana Pifre concluiu que o grande desafio futuro está em assegurar “a continuidade do turista nacional nos nossos territórios e tornar residentes os turistas internacionais”, na sua óptica, através de uma cultura de valorização dos recursos humanos e convivência pacífica com os agentes económicos concorrentes.

Já Bruno Russo argumentou que “o mar e a economia azul podem ser potenciais pilares para o desenvolvimento do turismo”, ainda que persistam grandes debilidades no que toca às infra-estruturas existentes, como as docas e os portos, que se encontram sub-dimensionados e a necessitar de obras”, caso da Doca das Fontainhas e Doca dos Pescadores. Para o empresário especialista no ramo da náutica de recreio, o segredo para o aumento da procura destes produtos turísticos está em “potenciar os passeios lúdicos e turísticos, apoiar os clubes de vela, canoagem e remo”.

A última intervenção da noite coube a Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, que caracterizou a evolução do panorama turístico nacional, em 2016. “No passado, o turismo era visto como um ‘parente pobre’ da economia. Mas o paradigma mudou, fruto do seu peso crescente nas exportações e na criação de emprego”, afirmou.

O membro do executivo nacional aproveitou a ocasião para informar que “2016 conseguiu destronar o mito da sazonalidade e inverter a tendência, com dois terços do crescimento a acontecer na época baixa”. Como razões para esse crescimento, Ana Mendes Godinho apontou “a dinamização de 64 novas rotas aéreas durante o ano, a retoma do investimento e o crescimento de 1500 empresas de animação turística, o ano passado”. No entanto, “como o turismo não se faz sozinho, mas da conjugação de diversos factores, a secretária de Estado do Turismo acredita que a estratégia nacional para o desenvolvimento turístico deve passar por “abrir o mapa, isto é, descentrar a procura dos destinos turísticos recorrentes, como Lisboa, Algarve e Madeira e acima de tudo crescer em valor e não em número de turistas, tornando o país num local bom para se viver, investir, estudar e visitar”.

Após as intervenções dos oradores convidados, abriu-se um segundo período de debate, com a participação da assembleia.

Questionado sobre a eventual concretização do investimento da empresa Macau Legend na frente ribeirinha de Setúbal, Paulo Lopes, vereador e dirigente da concelhia socialista remeteu-se às palavras da autarca de Setúbal, Maria das Dores Meira, que assumiu na última sessão de Câmara do passado dia 19 de Abril, que “o Governo ainda não tem qualquer documento formalmente na sua posse para se poder pronunciar”, o que vai contra a expectativa da autarquia, aquando do anúncio do memorando de entendimento para a realização da obra, em 2017.

No final dos encontros está prevista a realização do Fórum Setúbal, onde serão apresentadas as conclusões dos vários seminários e votado por todos aqueles que se queiram inscrever para o efeito, o documento final “Agenda para a Década – Concelho de Setúbal”, o qual servirá de base à elaboração do programa eleitoral do PS Setúbal para as eleições autárquicas de 1 de Outubro.

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