Na Índia cospem como Lamas e usam mão esquerda em vez de papel nos WC

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Pedro Pinela, jovem do Pinhal que continua o seu périplo pelo mundo, revela-nos curiosidades e costumes indianos. É de arrepiar

Haviam de ver a nenhuma vergonha com que os homens se cumprimentam e ficam de mãos dadas, por longos períodos de tempo. Alguns passeiam-se assim mesmo. Às vezes em grupos de três. Dá para estranhar como se falam a uma distância tão pouco “natural” e sem se largarem.

Já tinha sido grande o contraste entre a Grécia e a Turquia, na transição entre a Europa e a Ásia. Voltou a sê-lo da Turquia para o Irão. E de lá para aqui novo contraste, até visual. Principalmente nas mulheres, no vestir das roupas, tudo é garrido. Não há mais laranja do que o seu laranja ou mais verde que o seu verde, em paletas de indumentária de dois tons predominantes.

Mas os contrastes visuais não se ficam por aí. O lixo na rua é incontornável ao olhar. Nos primeiros dias, estava cheio de energia e vontade para marcar alguma diferença, nem que fosse somente nas imediações do espaço a que um nómada chama de casa. Saí à rua uma manhã e comecei a recolher tudo quanto era plástico, até ser hora de almoço, porém, tudo o que consegui fazer foi melhorar uma fracção de uma longa rua. Subi ao andar para a refeição e já no sofá, onde tomávamos o chá preto com leite – peçam por um chá e é o que vos servirão – olho pela janela.

(A Índia é o pais com a maior densidade populacional do Mundo e não há como não reparar nesse facto: há tanta gente na rua constantemente!)

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Onde tinha limpo apressava-se quem passava a repor a sujidade, com o gesto de desprezo adicional de cuspirem em cima. Os indianos fazem lembrar os lamas nos jactos de cuspo que deitam fora. Apenas os lamas não o fazem com tanta frequência quanto estas pessoas.

Os inquestionáveis garfos, facas e colheres deixaram de ser uma questão pela segunda semana da minha estadia. A sua ausência nas mesas da Índia é já um dado adquirido. A refeição começa com o lavar das mãos, principalmente a mão direita, desenvolve-se com o misturar das diferentes comidas contidas em diferentes compartimentos do prato e termina com um novo lavar de mãos, seguido de um bochechar de água que… se cospe.

Especial realce para a importância do uso das respectivas mãos. Só a mão direita faz as despesas da alimentação. Quanto à mão esquerda, bem… A mão esquerda vem a propósito pela altura em que se faz nota de que é rara a casa de banho que tenha papel disponível. Como seu substituto existe um balde de água.

Pedro Pinela

Nota: Um grande e sentido “Obrigado” aos meus amigos José Miguel Pareja da Venezuela e Ensar Sevindik da Turquia pelo material fotográfico com que tenho a honra de ilustrar este artigo. Fomos pedras no caminho um dos outros e já hoje somos parte de castelos que não param de se erguer.

Note: A big and felt “Thank you” to my friends José Miguel Pareja from Venezuela and Ensar Sevindik from Turkey for the photographic material with wich I`m honored to ilustrate this article. We were rocks in each others ways and now itself we are part of castles that don`t stop to grow high.

One comment

  1. Ótima análise Pedro Pinela, quase dá a entender que foi à Índia, é possível cheirar o caril nas suas palavras.

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