Filha teve de esperar 15 dias para sepultar pai

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Família sem posses para suportar custos do funeral. Serviços sociais não resolveram. Funerária Montijense foi quem pagou tudo

Guida Domingos, 35 anos, estava desesperada. O pai, António Domingos, falecera aos 63 anos a 22 de Março. Viu todas as portas fecharem-se-lhe. Até que a solidariedade bateu-lhe à porta.

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O corpo esteve na morgue do Hospital do Barreiro para ser levantado até ontem, dia em que também foi a enterrar no Cemitério do Pinhal Fidalgo, no Montijo. Foram cerca de 15 dias de calvário para a filha e genro de António Domingos, que residia no Alto Estanqueiro-Jardia.

A morte inesperada do pai apanhou desprevenida Guida Domingos, sem posses económicas para poder dar a paz do descanso eterno ao seu ente querido.

António Domingos nunca fez descontos, vivia com uma reforma por deficiência que ascendia a pouco mais de 349 euros. Guida Domingos bateu a todas as portas de serviços sociais, obtendo, invariavelmente, a mesma resposta: “Não podemos fazer nada.” Desesperada, recorreu a várias agências funerárias no Montijo, até que viu abrir-se-lhe uma porta de solidariedade.

“Na terça-feira, foi o meu anjo da salvação. Foi à minha casa e pediu-me os documentos. Ofereceu-se para fazer o funeral do meu pai a custo zero”, conta Guida Domingos, deixando um agradecimento comovente à Agência Funerária Montijense e, em particular, ao proprietário da mesma, “Xico” Salvação. “Ele foi, para mim, um anjo que caiu do céu”, reforça a filha do falecido.

“Não podia fazer o funeral. Se pudesse, eu própria abria a sepultura e enterrava o corpo. Felizmente, o senhor ‘Xico’ Salvação prontificou-se e até vai suportar o custo da campa. Senão, não sei como seria…”, desabafou, antes de relembrar as respostas obtidas. “Na Segurança Social do Barreiro disseram-me que a situação não era com eles, que teria de ir à junta de freguesia local ou à Câmara Municipal para ver se podiam ajudar”, conta Guida Domingos, que também recorreu aos serviços da Segurança Social no Montijo.

“Expliquei que não tinha dinheiro para poder fazer o funeral e aí transmitiram-me que o meu pai não tinha direito a qualquer subsídio, a não ser à reforma por invalidez, e que nada podiam fazer”, lembra, acrescentando que também pediu ajuda à Santa Casa da Misericórdia do Montijo: “O senhor provedor disse-me também que não podia fazer nada, porque já havia feito três funerais sociais e que quem tinha a obrigação eram os serviços sociais.”

Resposta idêntica obteve da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro e da Junta de Freguesia da área de residência. Os dias foram passando e o desespero, enquanto o corpo ia acumulando noites na morgue do Hospital do Barreiro, aumentava. Até ontem, quando finalmente o corpo de António Domingos pôde descansar em paz.

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