Movimento Pensar Setúbal vai pressionar Governo e autarcas para garantir fundos comunitários

MOVIMENTO. Movimento Pensar Setúbal é liderado por Fidélio Guerreiro, que luta pelos interesses económicos da região
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Movimento cidadão assume o papel de “lobby regional” junto dos actores políticos na defesa dos interesses económicos e sociais da região de Setúbal

 

O Movimento Pensar Setúbal (MPS) liderado por Fidélio Guerreiro, empresário e antigo presidente da Associação Empresarial da Região de Setúbal (AERSET), vai pressionar os autarcas da região e o Governo no sentido de ver alteradas as regras de atribuição dos fundos comunitários europeus à Península de Setúbal.

Desde 2001 que a Península de Setúbal faz parte da zona sul da Área Metropolitana de Lisboa (AML), NUT II, apresentando “dados oficiais de rendimento per capita alavancados pelos altos rendimentos de Lisboa”. Por essa razão, os dados reais da “queda da economia” da região são ocultados e a Península de Setúbal não pode aceder a fundos europeus.

“A grande prioridade neste momento é confrontar o Governo com esta realidade, para que altere as coisas. Eu tive, a semana passada, uma reunião com o vice primeiro-ministro, ele disse-me que eu tinha razão, mas disse que as regras de atribuição dos fundos não podem ser alteradas a meio do quadro comunitário. Mas eu tenho as minhas dúvidas, portanto vamos continuar a trabalhar nisto, vamos falar com todas as organizações, e se for preciso vamos a Bruxelas. Vamos fazer pressão”, garantiu Fidélio Guerreiro em entrevista ao DIÁRIO DA REGIÃO.

Para o Movimento Pensar Setúbal, urge fazer-se um reajustamento do actual quadro comunitário de apoio e o “lançamento das negociações para o próximo (2021-2027)”, para corrigir o “erro grosseiro” do posicionamento da região de Setúbal na AML e permitir a alocação de fundos europeus na região.

Junto dos autarcas da região, o Movimento Pensar Setúbal promete também fazer “pressão” para colocar os temas do desenvolvimento estratégico na agenda política. “Gostávamos muito que os autarcas se envolvessem nisto e vamos confrontá-los no futuro, sobretudo os candidatos às autárquicas”.

“O grupo vai ter um papel de lobby regional para defender os interesses da região e quer juntar outras organizações – neste momento já temos a participação activa da AISET e a ACISTDS. Isto é um quadro em que todos têm de participar, como autarcas, deputados, partidos políticos e organizações”, disse Fidélio Guerreiro.

Para discutir o “impacto estratégico nacional” do novo aeroporto no Montijo na Área Metropolitana de Lisboa e em particular na Península de Setúbal, do ponto de vista de passageiros e cargas, empreendedorismo e turismo, o MPS vai organizar um novo debate, dia 20 de Maio, na Escola Profissional do Montijo, a partir das 15h.

O Movimento Pensar Setúbal é um movimento de cidadãos que procura definir uma estratégia de desenvolvimento económico para a Península de Setúbal e conta com cerca de 30 signatários. Está prevista a criação de núcleos brevemente nas zonas de Moita/Barreiro, Almada/Seixal, Montijo/Alcochete e provavelmente no Litoral Alentejano.

 

Projectos na calha à espera de investidores

O Movimento Pensar Setúbal reuniu em debate em Março último para discutir o “interesse nacional e estratégico da Península de Setúbal” e daí resultou uma Estratégia de Desenvolvimento Económico assente na criação de “novas empresas inovadoras e projectos de interesse regional e nacional” a instalar na região, dos quais se destacam a criação de uma marina em Setúbal ou de um complexo turístico com hotel e teleférico na antiga bataria militar do Outão, na Serra da Arrábida, por exemplo.

A criação de um cais de competição no rio Sado com capacidade para receber regatas internacionais; a implementação de uma empresa de reparação e manutenção de barcos de recreio no rio; a construção de um Parque Temático dos Descobrimentos de dimensão internacional; de um parque aquático e do Instituto Nacional do Artesanato, sediado em Setúbal, são outras das ideias elencadas pela associação.

 

Foto: Diário da Região

2 comments

  1. E ainda um cais para navios de passageiros, porque há condições e seria muito importante para a Cidade

  2. Talvez fosse mais assertivo, estarem conta o Aeroporto no Montijo, o que parece que não acontece. Existe alguma explicação para este vosso erro crasso? desconhecem isto? Não temos dúvidas que face ao contexto económico/financeiro do país, a solução mais ponderada é a solução Portela+1, contudo porque se enviesou a discussão e se escolheu dentro dessa lógica o +1 Montijo? E não o +1 Alcochete sabendo-se que este pode ser construído por fases e é o que em todos os tipos de avaliação o mais proveitoso para o País? Uma das perguntas que tem surgido a todos aqueles que se têm interessado sobre a localização do Aeroporto complementar no Montijo, é: Qual a razão porque, perante tantas evidências de que é impraticável, perigoso e financeiramente ruinoso o Montijo, continuam alguns a cavar esse erro?
    Para responder a isso temos que refletir sinteticamente no seguinte: Qual a importância das infraestruturas aeroportuárias, nas regiões? Qual a importância do Aeroporto Sá Carneiro na Região Norte? O que implica para o Aeroporto Sá Carneiro e para a Região Norte, o Portela+1 em Alcochete e não no Montijo? Qual o interesse da ANA e da VINCI? O que é mais abrangente para o desenvolvimento da região de Setúbal, Alcochete ou Montijo?
    Mais do que nunca, os aeroportos são o motor económico das regiões. “Os aeroportos, são uma grande fonte de criação de postos de trabalho, não só nas imediações, como também nas regiões vizinhas. Porque promovem o desenvolvimento económico das regiões (International Transport Forum – 2009)” Se as infraestruturas aeroportuárias conseguirem atrair desenvolvimento, estas, terão um impacto positivo no desenvolvimento da região. “É grande o Impacto do Aeroporto Francisco Sá Carneiro no Desenvolvimento da Região Norte(Crockatt & Ogston, 2003)”. Funcionando como porta de entrada para a localidade em que está inserido.
    “As infraestruturas de transporte aéreo, poderão ter dois possíveis efeitos no desenvolvimento regional: positivo, ou negativo (Hoyle & Smith, 1992)”. Para as infraestruturas de transporte aéreo terem um efeito positivo no desenvolvimento regional, será necessário que resultem numa expansão da produção da atividade económica. Novas oportunidades de negócio serão criadas através desses serviços. O efeito negativo, poderá ter origem num mau investimento, em que, os recursos alocados não terão o retorno desejado e se adiou uma outra melhor solução. Ora foi na minha opinião com estes pressupostos que em 2012 a ACP Associação Comercial do Porto presidida por Rui Moreira (agora presidente da CMP), avançou com um estudo totalmente “enviesado” sobre o “mérito económico e financeiro do Portela+1”, concluindo depois de imensas “piruetas” que a melhor solução seria o Montijo. Era preciso “adiar” o mais possível a construção do NAL em Alcochete, sabendo-se que o Montijo sendo uma solução aberrante, serviria para isso, ou pelo menos adiaria por uma década as ameaças económicas ao aeroporto regional do Porto. Face á opinião unânime de Engenheiros, pilotos, economistas e ambientalistas de que a solução escolhida em Alcochete era a melhor, tinha que se avançar com rapidez com a privatização da ANA a concessão á VINCI, por molde a permitir a estratégia “de defesa” do aeroporto Sá Carneiro. As peripécias da Concessão já conhecemos, resultaram na entrega á VINCI de todos os aeroportos nacionais no Continente e ilhas.
    Assim interessa mais á VINCI ir ampliar antes os seus aeroportos do que um aeroporto estratégico como o que iria crescendo em Alcochete, que possa abrir Portugal a uma área de influência não só nacional como intercontinental. Chamam os ”técnicos” a este fenómeno o catchment area de um aeroporto definido segundo o ponto de vista geográfico, como sendo a área que contém todos os potenciais utilizadores e passageiros de um dado aeroporto. Do ponto de vista de procura, a catchment area de um aeroporto pode ser definida como o número de passageiros processados pelo mesmo, onde as suas origens podem ser identificadas numa determinada área, cujas dimensões dependem das características do próprio aeroporto (Postorino, 2010). Isto é existe um lobie do norte com receio que o Aeroporto Sá carneiro perca a sua potencialidade que é de ser dos aeroportos que competem a nível nacional e na Galiza, o que dispõe de maior catchment area, ou, área de influência, ou que diminua essa influência perante o crescimento de Alcochete. Portanto o problema é: EFECTIVAMENTE O CATCHMENT AREAS DE ALCOCHETE NO FUTURO, VAI INTERCEPATAR O DO PORTO, E VAI ABRANGER MAIS POPULAÇÃO ATÉ DISTANTE. Qual o interesse da ANA e da VINCI nisto? Para além de verem um aumento de receitas maiores com o aumento da capacidade de cada um dos seus aeroportos, produzir mais receitas na Lusoponte, porque se o aeroporto complementar for no Montijo obrigará os passageiros na sua maioria a passarem pela ponte Vasco da Gama. Ao contrário se o Aeroporto for Alcochete por fases o transito rodoviário far-se-á pela Ponte das Lezírias em Benavente pertencente á BRISA. Pelo que já foi dito, facilmente percebe quem estiver de boa fé, que estão a manipular as pessoas e a prejudicar, objetivamente toda a região de Setúbal e até o Alto Alentejo, e o país na sua globalidade, com o desenvolvimento trazido por um Aeroporto em Alcochete. O que determinará que pessoas com responsabilidades, nacionais e regionais se conformem com uma “coisa destas”.

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