Almada celebra centenário de um homem chamado Romeu Correia

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Exposição inaugura dia 8 no Museu da Cidade, na Cova da Piedade. Tem como objectivo assinalar os cem anos do nascimento do almadense multifacetado, promovendo a obra do escritor, desportista, cidadão, cinéfilo e dramaturgo

O Museu da Cidade, na Cova da Piedade, vai receber a inauguração de uma exposição promovida pela Câmara Municipal de Almada, no próximo dia 8, a partir das 16h00, que visa assinalar o centenário do nascimento de Romeu Correia. A mostra, intitulada “Um homem chamado Romeu Correia”, servirá para celebrar e divulgar a obra do escritor, desportista, cidadão, cinéfilo e dramaturgo.

“Na exposição, objectos quotidianos, livros, excertos da obra, heróis e personagens, documentos, testemunhos apresentam-nos, num registo poético e intimista, um homem que cresceu, viveu, trabalhou e sonhou em Almada, contando-nos não ‘a história’ de Romeu Correia, mas as suas ‘histórias’ que, evocando outras, constroem a memória da cidade, das suas gentes, do Tejo, do País ao longo de quase todo o Século XX”, explica a autarquia.

A encenação de objectos, documentos, imagens e citações presentes na exposição, adianta a edilidade, “evocam paisagens, quotidianos, espaços de trabalho, o movimento associativo, a prática desportiva, a festa, a resistência e o activismo cívico”.

O cenógrafo José Manuel Castanheira é o autor do design da mostra, que sublinha a importância da experiência do teatro na obra de Romeu e da cenografia como contexto narrativo. “Considerado um especialista na área da Arquitectura dos Teatros e na Cenografia do Espectáculo, José Manuel Castanheira é autor de mais de 200 cenografias. Na Cenografia de Exposições ficou célebre a exposição que criou sobre ‘As Fábulas de La Fontaine’, para o Museu Gulbenkian (1996). Foi também autor do pavilhão de Portugal na Feira Internacional da Cultura e da Língua, em Paris. No âmbito da Expo’98 trabalhou nos interiores do Pavilhão de Portugal, de Siza Vieira, e concebeu ‘O Voo das Cegonha’, uma das ‘Máquinas de Peregrinar’”, lembra a autarquia.

Letras, encenações e desporto

Romeu Correia, que dá nome ao Fórum Municipal – onde estão implantados a Biblioteca Municipal de Almada e o Auditório Fernando Lopes-Graça – conta com cerca de 41 títulos publicados, entre contos, novelas, romance, teatro, biografias e divulgação da história local. Foi colaborador regular de revistas como a Vértice, jornais como a República, Jornal do Comércio, Diário Popular, Jornal de Almada entre outros.

“A obra de Romeu Correia é indissociável do imaginário de gerações de almadenses, reconstruindo e fixando paisagens, lugares, personagens e histórias quotidianas que marcam a identidade da cidade, afirmam valores e causas comuns”, realça o município. “Os seus textos para teatro tiveram pelo menos uma centena de encenações de norte a sul do País, por grupos amadores e profissionais, entre os quais o Teatro Experimental do Porto, de Cascais, a Sociedade Guilherme Cossul, Grupo de Teatral Freamundense, Teatro Desmontável Rafael de Oliveira, Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro no Teatro Nacional no Monumental e no Capitólio, Companhia Portuguesa de Comediantes, Teatro de Animação de Setúbal e Companhia de Teatro de Almada”, acrescenta a edilidade.

A obra de Romeu Correu foi também “representada pelas colectividades do concelho de Almada como a Academia Almadense, Teatro Popular e Almada, Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, Sociedade Recreativa União Pragalense e Grupo Desportivo e Cultural do Concelho de Almada”.

Na vertente desportiva, nas décadas de 1930/40 “foi atleta nas modalidades de estafeta, peso, disco e dardo”, iniciando actividade na Juventude Atlética Clube Almadense. “Sagrou-se Campeão Nacional de Juniores, modalidade de peso, representando Os Belenenses, foi recordista de Estafeta Olímpica-Seniores, classificando-se em 2.º lugar na 1.ª Prova de Decatlo em Portugal, em representação do União Sport Clube Almadense, terminando a actividade competitiva como Campeão Regional e Nacional de Peso.”

“Praticou também pugilismo, participou na fundação do Almada Atlético Clube e criou, com a sua mulher Almerinda Correia, um núcleo de raparigas praticantes de atletismo, sendo também indissociável do Ginásio Clube do Sul”, recorda ainda a autarquia.

Actividade cívica

Romeu Correia distinguiu-se também por ter desenvolvido uma actividade cívica constante, ao participar e colaborar regularmente com bibliotecas e comissões culturais das colectividades no concelho e em todo o País.

“Participou no Movimento de Unidade Democrática – MUD (1945-47), sendo signatário das candidaturas da oposição democrática com a qual colaborou. Integrou por diversas vezes os órgãos sociais de diversas associações, após o 25 de Abril [de 1974], participou na Frente Eleitoral Povo Unido – FEPU, sendo eleito e integrando a Assembleia Municipal de Almada.”

A Câmara recorda, a concluir, que Romeu Correia “foi ainda um divulgador da história local e dos seus protagonistas, guiando percursos pela cidade, participando em sessões em escolas dos vários níveis de ensino e colaborando com a Biblioteca Municipal”.

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