Tributo a Adriano Correia de Oliveira

Opinião
Valdemar Santos

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Tributo a José Afonso foi o tema de um suplemento do Avante! de 23 de Fevereiro de 2012, onde foi recordação a de alguém que o ouviu exclamar, ao subir ao Palco da Festa do Avante! de 1980, no Alto da Ajuda:

   – «Nunca vi uma coisa assim!…»

Valia o que valia, mas o Avante! reproduzia a foto desse enorme palco, tendo como fundo a Ponte 25 de Abril e a Margem Esquerda almadense, onde ele actuou ladeado por Carlos Paredes, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Adriano Correia de Oliveira, Janita Salomé, Henri Tabot, Guilherme Inês, sem dúvida com mais alguns e certo, certo, também no palco, com o seu filho Pedro, então com 11 anos, que haveria de não estar calado.

Sobre ele ainda e em particular Setúbal, página abaixo relatava-se: «Foi um dos fundadores e animadores do Círculo Cultural de Setúbal, como é sabido.

«Mas um dos locais privilegiados da sua actuação, assim como de muitos outros cantores e fadistas amadores, catedral da “conspiração” comunista, era a “Academia Sapec”, a taberna do nosso militante Jerónimo Bárbara, o “Sapec”, aberta há 43 anos, e que hoje, desde o seu falecimento, é o Restaurante “O Egas”, mantendo persistentemente todos os domingos uma noite de fado.

«Não é por acaso que “O Egas” é fiel depositário de uma fidedigna reprodução do Avante! nº 48, de Agosto de 1937 (mil novecentos e trinta e sete), onde há um texto “O FADO E O FASCISMO”. Curiosamente, na noite de 15 de Fevereiro passado, quando o Avante! perfazia 81 anos, a neta do Sapec, Carolina, lia entre acordes “A morte saiu à rua”, grito de José Afonso contra o assassinato de José Dias Coelho, a 19 de Dezembro de 1961».

Mas nestas páginas Adriano Correia de Oliveira é sem falta também figura central. Narra-se a noite de 11 de Novembro de 1967, no Luso Futebol Clube do Barreiro, «memorável espectáculo da iniciativa do Cine-Clube do Barreiro e da Comissão Cultural do Luso, momento em que a casa cheia tomava em mãos a procura da liberdade que o poder fascista nos negava».

Entre a multidão estava Adriano, mas então militar. Os chamamentos ao palco («Adriano, Adriano…») caíram sobre ele que se conteve, e logo o sentido de responsabilidade por todos foi ali compreensivelmente assumido – o da salvaguarda de um daqueles que viria a fazer o 25 de Abril, Militar de Abril já, entenda-se -, mas dedicando-lhe todas as atenções ao som dos «Vampiros» e das outras armas de luta do rol do cancioneiro.

A Associação Conquistas da Revolução e a Câmara Municipal do Barreiro promovem novo Tributo a Adriano na tarde de domingo, 9 de Abril, no Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC). Quando faz 75 anos que nasceu, quando faz 75 anos.

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