Palmela conquista grupos de teatro amador e reforça associativismo

FÓRUM. 18.ª edição em Palmela foi a que teve maior participação de grupos de teatro
Regional C Sociedade C

Sucesso da 18.ª edição deixou no ar a possibilidade de se realizar um fórum semelhante com os artistas do concelho

 

O Fórum Permanente de Teatro, que decorreu pela primeira vez no concelho de Palmela este fim-de-semana, bateu todos os recordes de participação entre as 18 edições já realizadas, reforçando o associativismo entre 250 participantes de 30 companhias de todo o país.

A adesão dos grupos amadores do concelho foi igualmente expressiva. “Quase todos os grupos do concelho participaram no Fórum, mesmo não sendo associados da Federação Portuguesa de Teatro. Isso foi muito bom para nós, para o concelho e para as associações, porque também lhes abrimos as portas e o leque de oportunidades que possam ter daqui em diante”, contou Carla Castro, produtora do Teatro Sem Dono, ao DIÁRIO DA REGIÃO.

À vila de Palmela rumaram companhias amadoras de todo o país, para dois dias de formação de actores e técnicos e partilha de experiências. Os novos formadores que a organização chamou à cena foram uma das principais “mais-valias” desta edição, segundo Tiago Jorge, presidente da associação.

“Normalmente há sempre uma repetição de formadores, e nós, reflectindo o espírito jovem do Teatro Sem Dono, também quisemos trazer novos formadores com um bom conhecimento daquilo que foram falar. Isso foi bom para todos as participantes”, disse.

A componente formativa do fórum foi dada ao longo de 14 painéis temáticos, leccionados por formadores profissionais com experiência na área artística, desde actores a encenadores e técnicos. Entre os nomes mais conhecidos do público participaram Io Appolonni, actriz; João Barros, cenógrafo no Teatro Politeama e Miguel Cruz, professor na Escola Superior de Teatro e Cinema.

PAINÉIS. Houve 14 painéis temáticos, sobre várias matérias do teatro, dados por formadores profissionais

A formação teve lugar, durante o fim-de-semana de 25 e 26, na Escola Básica Hermenegildo Capelo e no Cine-Teatro São João e permitiu “levar o conhecimento e a aprendizagem de novos métodos teatrais e novas abordagens” a todos os grupos, referiu Tiago Jorge.

No final, o teatro amador associativo saiu reforçado na sua essência. “Acho que ganhámos cada vez mais laços com outros grupos, o que ajuda na partilha de experiências e conhecimentos. Daqui para a frente, quem sabe se podem nascer projectos comuns”, adiantou também Carla Castro, deixando no ar a possibilidade de um fórum semelhante, de menores dimensões, se realizar com as companhias locais.

Também a organização foi largamente elogiada pela sua competência e sociabilidade, tanto pelos participantes como pela presidente da Federação Portuguesa de Teatro, Tânia Falcão, que na abertura do fórum deu os parabéns aos participantes por serem “embaixadores da cultura levando o teatro aos sítios mais pequenos e estranhos do nosso país”.

O XVIII Fórum Permanente de Teatro procurou ainda reflectir sobre o estado do teatro amador em Portugal e sobre os caminhos do associativismo a trilhar pela federação, pelo que os dirigentes de todos os grupos associados estiveram reunidos numa mesa redonda.

A programação não deixou o público em geral de fora e dinamizou dois espectáculos de entrada gratuita, no sexta-feira e sábado à noite, no Cine-Teatro São João, que tiveram salas cheias. No habitual momento de homenagem foi Tiago Rodrigues, dramaturgo, encenador e director do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, que viu os suas obras trabalhadas nos painéis de formação.

O evento nacional, que se realizou pela primeira vez no concelho de Palmela com organização do Teatro Sem Dono, de Pinhal Novo, a Câmara Municipal e a Federação Portuguesa de Teatro, realiza-se duas vezes por ano no sentido de “congregar os grupos associados da federação para a formação e o convívio”. A federação tem cerca de 80 companhias associadas.

Deixe uma resposta