Labutes já chegou ao Espaço com a Estação Internacional

EQUIPA. Alunos do Clube de Robótica desenvolveram programa de computador através de um Raspberry Pi (mini-computador)
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A Labutes Pi, do Clube de Robótica da Escola Secundária D. João II, de Setúbal, é uma das cinco equipas portuguesas entre as 45 finalistas do Astro Pi Challenge, concurso europeu promovido pela European Space Agency (ESA) e pela Raspberry Pi Foundation

 

A equipa setubalense de sete alunos, coordenada pela docente de Física e Química Ana Carneirinho, criou um programa (software) de computador capaz de resolver problemas concretos a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI). Como base de trabalho tiveram um Raspberry Pi (mini-computador) equipado com sensores, igual aos dois que existem no módulo Columbus, o laboratório europeu a bordo da EEI.

Na primeira etapa, os jovens cientistas com 15 e 16 anos estudaram Física, Matemática, trigonometria e a forma como os fenómenos ocorrem no módulo espacial. Foram aprovados pelo júri do concurso e lançaram então mãos à programação no mini-computador com o objectivo de conseguir detectar, através dos sensores, a presença de tripulação dentro do módulo.

“Investigámos os materiais providenciados pela ESA e a partir dos sensores que podíamos usar – humidade, temperatura, pressão, acelerómetro, giroscópio e magnetómetro – percebemos que só podíamos usar o da humidade, porque que o da temperatura era influenciado pelo processador do Raspberry Pi”, conta Ana Carneirinho ao DIÁRIO DA REGIÃO.

Depois de submeterem o programa e relatórios a concurso, a equipa recebeu “um grande elogio da parte dos jurados” pelo facto de ter usado “uma média exponencial móvel [ferramenta matemática]”, que lhes permitiu “identificar com muito mais precisão a entrada de uma pessoa no módulo”. “A humidade tinha um efeito mais abrangente no ambiente do que a temperatura”, explica Ricardo Rocha, aluno do Clube de Robótica.

Com a chegada de um email da ESA após a avaliação do projecto, a Labutes Pi (“Setúbal” lido ao contrário) teve a certeza de que chegaria ao Espaço: “O vosso código vai ser carregado para a EEI para correr nos Astro Pi do módulo Columbus, sob supervisão do astronauta da ESA Thomas Pesquet. Os dados recolhidos serão descarregados para a Terra e distribuídos pelas equipas no dia 15 de Maio”, lê-se no email.

“O facto de a Escola Secundária D. João II ter conseguido chegar tão longe superou as nossas expectativas, tendo em conta que estamos a trabalhar com alunos do ensino regular e fora do horário deles. Isto prova que conseguimos criar núcleos onde se faz, de facto, Ciência e onde se consegue trabalhar com qualidade”, realça a professora de Física e Química.

Para o resultado final contribuiu também o engenheiro Nuno Nunes, da empresa Densare Lda., que foi ao clube dar duas sessões de assessoria em programação, o que para a docente foi “muito importante”. “A linguagem das pessoas que estão fora da escola não é igual à dos professores e acaba por dar aos alunos um horizonte que as aulas normais não dão”.

PROGRAMAÇÃO. Projecto Astro Pi ensinou estudantes a programar e a expandir conhecimentos

Sucesso do Clube de Robótica

O Clube de Robótica funciona precisamente no sentido de dar novas ferramentas aos estudantes, envolvendo-os em projectos que estimulem a criatividade e o trabalho de equipa. E vem suprir uma falha do curso de Ciências e Tecnologia do ensino regular, que “tem muita Ciência, mas tecnologia tem muito pouca”. Quem o diz é Ana Carneirinho, que desde o início do ano lectivo regista os interesses dos alunos pelas áreas da programação e das engenharias.

Os alunos querem aprender a criar jogos de computador, projectos de lógica e aplicações para telemóveis e estão sensíveis às oportunidades a nível do empreendedorismo e ao contacto com as empresas tecnológicas. “Aprendemos a fazer contactos com possíveis empregadores”, acrescenta Ricardo.

Ombreando com 184 escolas de 15 países europeus e mais de 1800 alunos, a Labutes Pi catapultou a Escola Secundária D. João II de Setúbal para a órbita da Estação Espacial Internacional, a 350 km da Terra. “O clube é uma oportunidade de aprender e este projecto é algo diferente. Não é todos os dias que se manda linhas de código para o Espaço como se não fosse nada”, sintetiza Tomás Costa, causando uma gargalhada geral.

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