PEDRO PINELA: “Ser apanhado três vezes alcoolizado na rua equivale à pena de morte”

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O jovem do Pinhal que continua a percorrer o “globo” terrestre apresenta-nos mais um relato sobre as experiências vividas

Publicada no DIÁRIO DA REGIÃO a história saltaria de Esfahan, no centro do Irão, directamente para Bombaim, a primeira cidade da Índia. Porém, a fim de não se privar o leitor das milhas que pelo meio se fez, esta crónica resume a cidade de Shiraz, a ilha de Qeshm e o regresso a Teerão que resultou numa visita a Rasht – cidade na costa do Mar Cáspio, norte do país persa.

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Sinónimos de Shiraz foram encontros com viajantes da Geórgia, Suécia, Alemanha, França, Polónia, Turquia, uma rapariga que me toca no ombro depois de recusar que lhe tirasse uma fotografia a si e às suas amigas (apogeu do atrevimento feminino iraniano), boleias até e de Persépolis e Qalat, culminando este abreviado rol na introdução ao álcool caseiro tão severamente proibido quanto consumido.

Curioso que ser apanhado por três vezes alcoolizado na rua, a não ser que se tenha as posses para subornar a polícia, equivale à pena de morte, na maioria das vezes por enforcamento.

۰, ۱, ۲, ۳, ۴, ۵, ۶, ۷, ۸, ۹ Até os símbolos numéricos são diferentes em persa, não só o alfabeto.

Adiante que o quotidiano destas gentes não passa por uma constante vigilância relativamente ao que pode ou não a polícia vir a fazer quanto aos seus “crimes”. Simplesmente adaptaram o seu nível de prudência às políticas sociais impostas. A mente humana não pode ser outra coisa senão livre. Nenhum homem, nem lei pode atentar contra a liberdade de pensamento. Quanto muito emperra a sua expressão e se não é isso hipócrita da parte de quem alucina que o poder é assim que se exerce.

Qeshm veio, nem de propósito, vincar o que dizia: ter sexo antes do casamento é uma realidade, assim como beber álcool, consumir drogas ou ter animais domésticos (que também é proibido). “Nós fazemos tudo o que vocês, no Ocidente, fazem, sem excepções. A única questão é que fazemo-lo em nossas casas porque as ruas são um risco”, disseram-me Ali, Mohammad, Sadeq e Raeem.

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