S. Sebastião comemora Dia da Mulher com cultura e cravos vermelhos

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Uma encenação, uma exposição, esculturas e um colóquio marcaram as comemorações do Dia Internacional da Mulher organizadas pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM) e pela Junta de Freguesia de São Sebastião, que distribuiu, logo pela manhã, cravos vermelhos pelas mulheres

“Trazemos cravos porque é um símbolo do 25 de Abril, que ajudou muito a que se esbatessem as desigualdades entre homens e mulheres e foi um marco importante de avanço civilizacional no que respeita aos direitos das mulheres e das populações em geral”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, Nuno Costa, durante um almoço-convívio com cerca de 130 pessoas, organizado pela Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de São Sebastião.

“Nunca deixamos de assinalar este dia porque ainda existem desigualdades, precariedade e exploração, contra as quais é preciso lutar. Aproveitamos estes dias para exortar toda a gente a fazer este caminho de luta por melhores condições de vida e por igualdade entre géneros”, acrescentou o autarca, lembrando que a Junta de Freguesia “luta todos os dias ao lado dos sindicatos, do movimento associativo, dos trabalhadores e do povo nessa batalha pela igualdade, contra a exploração e a precariedade”.

Cultura no Auditório Germano dos Santos Madeira

No exterior do Auditório Germano dos Santos Madeira, viria a assistir-se a uma pequena demonstração por parte de nove mulheres pertencentes ao Projecto Sénior Tradições, da Junta de Freguesia, a simular o trabalho que era executado pelas mulheres na indústria conserveira de Setúbal.

A reconstituição incluiu o “moço da bicicleta” que ia de porta a porta avisar as operárias de que o peixe tinha chegado; o descarregador, que envergava um chapéu metálico circular, com aba profunda, sobre o qual transportava o pescado; e, claro, as operárias que saíam das suas casas para se entregarem às diversas tarefas: escorchar, salmonar, lavar, engrelhar, cortar, encaixotar, empapelar, entre outras.

Os salários miseráveis e o desprezo dos patrões pelos direitos dos trabalhadores também foram salientados através do testemunho de uma ex-operária da indústria conserveira. O facto de as jornadas de trabalho serem longas, chegando às 17 horas diárias, foi igualmente evidenciado pelas seniores, demonstrando que muitas vezes eram obrigadas a levar os filhos menores para as fábricas, porque não existiam infantários naquela época.

No interior do Auditório, o artista setubalense Pedro Marques apresentou duas esculturas de ferro, alusivas à mulher: “Rosa”, obra exibida pela primeira vez ao público e que irá ser exposta brevemente numa feira em Espanha; e “Borboleta de Sangue”, que simboliza a mulher “que se quer libertar da violência doméstica”.

A exposição “40 Anos de Abril, itinerários e conquistas dos direitos das mulheres”, do MDM, instalou-se também naquele espaço da autarquia.

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