MONTIJO: João Luís Barbosa lança livro de poesia “Je Suis Português”

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Reside no concelho montijense há sete anos e prepara-se para apresentar uma obra que se divide em três temas: sociedade, amor e Lisboa

Apaixonou-se desde bastante cedo pela escrita. Daí que a primeira experiência no mercado de trabalho, em “part-time”, tenha justamente passado pelo “mundo das letras”, no extinto Jornal do Comércio.

Hoje, aos 63 anos de idade, João Luís Barbosa continua a colaborar em revistas “online”, depois de ter exercido também o cargo de director do Jornal “Os Belenenses”, e prepara-se para proceder ao lançamento do seu primeiro livro, intitulado “Je Suis Português”, no Montijo, em sessão a ter lugar no próximo dia 21, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal. Trata-se de uma obra de poesia, sobre a qual o autor acedeu levantar uma ponta do véu.

Mas antes, João Luís Barbosa estabelece uma ponte entre o passado e o presente, ao revelar que o seu envolvimento no mundo das artes não está confinado por qualquer fronteira literária, não obstante o trajecto percorrido precocemente ter registado algumas marcas que não se apagam da memória.

“Aos 15 anos ganhei o meu primeiro prémio nuns jogos florais (poesia) e posteriormente sucederam-se outros prémios em vários concursos. Também já fiz letras para canções e inclusive no livro agora editado consta um fado que foi musicado pelo Jorge Vargas e cantado pela Francisca Dias (dois grandes montijenses). É a minha primeira obra editada pois entendi ser o momento oportuno para o fazer”, confessa, acrescentando: “Mas, não me limito exclusivamente à poesia e, por exemplo, no próximo dia 14 de Junho, pelas 21h30, no Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida vai subir à cena um original meu: Uma Família Portuguesa em 2017 interpretado pelo Grupo de Teatro da Universidade Sénior do Montijo.”

Hipocrisia que reina na sociedade

Sobre o livro, o autor desvenda que “a obra está dividida em três grandes temas, a sociedade, o amor e Lisboa”, já que é natural da capital do País, do bairro de Campo de Ourique. “Mas o livro tem muito a ver com o Montijo e as suas gentes, pois foi nele que foi construído porque há sete anos que habito nesta terra”, salienta.

João Luís Barbosa explica também a escolha do título da obra. “Je Suis Português pretende ser um título choque baseado em dois poemas incluídos no livro, sendo um deles Je Suis Charlie, e tenta relatar alguma hipocrisia que continua a reinar na nossa sociedade”, justifica o autor. E quanto a influências na poesia? “Vão desde Fernando Pessoa até Nuno Júdice, passando por um jovem poeta que muito aprecio, João de Negreiros. Na escrita o autor contemporâneo que mais aprecio é José Luís Peixoto”, admite.

Em relação ao futuro, João Luís Barbosa tem já em mente um outro projecto. “Um novo livro de poesia e um romance que relate alguns meandros do negócio futebol estão nos meus objectivos”, conclui.

Excerto de poema da obra

Je suis Paris

Je suis Charlie

Je suis Istambul

Je suis Damasco

Je suis Bagdade

Je suis parque de estacionamento da gare do oriente

Je suis portas das lojas de luxo da avenida da liberdade

je suis

je suis

pois sou

sou uma fotocópia do que não vejo

um pequeno burguês

gosto da caridadezinha

de ir ao lar dar um beijo

rápido à avózinha…

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