Fórum Permanente de Teatro leva a Palmela grupos de todo o país para formação e espectáculos

TEATRO SEM DONO. Elementos do grupo têm em comum a paixão pelo teatro e o gosto de subir a palco
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Concelho de Palmela estreia-se como palco do evento nacional, que procurará reflectir sobre o estado do teatro amador em Portugal e aproximar o público das artes

 

Cerca de 30 grupos de teatro e 350 participantes oriundos de todo o país são esperados em Palmela para participar no XVIII Fórum Permanente de Teatro, evento nacional que se realiza pela primeira vez no concelho, entre 24 e 26 de Março, organizado pelo Teatro Sem Dono, de Pinhal Novo, em parceria com Federação Portuguesa de Teatro e com o apoio do município.

O evento pretende proporcionar uma “ocasião de convívio e partilha de experiências” entre os participantes, apostando na formação de actores e técnicos. Mas a ideia é também ajudar a reflectir “sobre o estado do teatro amador” em Portugal, contou Tiago Jorge, presidente do Teatro Sem Dono, ao DIÁRIO DA REGIÃO.

Dirigentes de todos os grupos associados da Federação Portuguesa de Teatro vão estar, assim, reunidos num fórum de discussão, com o propósito de “discutir o caminho da federação e o associativismo”, segundo o tema “Teatro em espaços não convencionais”.

Aproximar o teatro do público – porque ainda “existe público que julga que o teatro é um bicho de sete cabeças”, segundo Tiago Jorge – é outro dos desejos da organização do evento, que dinamiza também espectáculos gratuitos no Cine-Teatro São João e um painel de formação dedicado às crianças (6 aos 12 anos), de dramatização em teatro de sombras.

Na Escola Básica Hermenegildo Capelo e no Cine-Teatro São João, as companhias, sobretudo amadoras, dedicam-se a um ciclo de formação com 14 painéis temáticos, leccionados por um conjunto de profissionais com experiência na área artística, desde actores a encenadores e técnicos. Entre os nomes mais conhecidos do público contam-se Io Appolonni, actriz; João Barros, cenógrafo no Teatro Politeama e Miguel Cruz, professor na Escola Superior de Teatro e Cinema.

A formação de actores terá como painéis “Respiração e Voz”, “Performance e Competição”, “Trabalho do actor dentro e fora dos espaços convencionais”, “Técnicas do teatro do oprimido”, “Improvisação” e “Trabalho sobre o texto do autor – Criação de espectáculo”. Já a formação em teatro de rua tem como tema “Animação de Rua” e a formação de técnicas de palco inclui matérias como “Cenografia”, “Manipulação e construção de marionetas”, “Iluminação da cena”, “Caracterização” e “Fotografia”.

Os grupos chegam a Palmela entre sexta-feira e sábado (dias 24 e 25) e ficam hospedados em várias unidades hoteleiras. “A ideia é juntarem-se depois dos espectáculos para conviverem, partilharem experiências e visões e conhecer outras realidades”, explicou Carla Castro, produtora do Teatro Sem Dono.

De Espanha vêm inclusive membros da Confederación de Teatro Amateur Escenamateur, instituição parceira da Federação Portuguesa de Teatro que pretende realizar um evento semelhante ao português.

ENCONTRO. Fórum Permanente de Teatro realiza-se duas vezes por ano desde 2008. Edição de 2016 foi em Loures

“Queremos criar um bom evento de teatro a nível nacional”

O Teatro Sem Dono, para quem a organização de um evento desta magnitude é “uma responsabilidade acrescida”, ambiciona assim “criar um bom evento de teatro a nível nacional”, que projecte o associativismo artístico do concelho e interligue artistas e comunidade.

O XVIII Fórum Permanente de Teatro arranca com uma cerimónia oficial no Cine-Teatro São João, em Palmela, no sábado, dia 25 de Março, de manhã. Nesse dia, a companhia Palco na Linha, de Lisboa, leva à cena a peça “Alucinações”, às 22h e com entrada gratuita.

Antes, na sexta-feira, 24, o grupo de Pinhal Novo apresenta a comédia de enganos “Arlequim”, às 21h45, também de entrada livre no Cine-Teatro São João. Na programação geral do evento está prevista igualmente uma homenagem a um autor.

A associação, criada em Junho de 2014 em Pinhal Novo, no concelho de Palmela, é composta por 17 pessoas que têm em comum a paixão pelo teatro e o gosto de subir a palco. O grupo apresenta, em média, duas novas produções de palco por ano e actua frequentemente em várias localidades por todo o país.

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