Escola a pé

Opinião

Carlos Cupeto

Universidade de Évora

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Em ano de eleições o local agita-se. Basta ler o Diário da Região para sabermos de algumas das enormes propostas que começam a ver a luz do dia, propostas, repito. Todavia, muitas vezes, mais do que se supõe, o verdadeiramente bom são pequenas ideias que resultam em enormes benefícios.  Vem a propósito andar, uma das minhas maiores convicções.

Fomos nómadas durante milhares de anos, muitos mas muitos ainda o são, dizem alguns que são os humanos mais livres e felizes. Só conhecemos verdadeiramente um lugar, e as suas gentes, a pé. Os sentidos de proximidade como o tato, olfato e paladar, só se manifestam assim, a pé. Vem isto, hoje, a propósito do ir a pé para a escola. Na verdade, mesmo os mais distraídos já deram conta, nas nossas pequenas cidades, vilas e aldeias, da agitação automobilística do “levar a criança à escola”. A oportunidade de mostrar o novo modelo e o filho vestido da cabeça aos pés com as boas marcas, provavelmente com as calças rotas, é irrepetível ao longo do dia. Como o volante é excelente para encontrar motivos de stress não raras vezes este é também um dos ingredientes à porta da escola, o stress do carro mal estacionado que não deixa passar o pai mais apressado.

Como não há nada que um homem idealize que outro não realize eis que, em boa hora, a Câmara Municipal de Constância, em parceria com outras entidades, promove a ida a pé para a escola. Excelente exemplo que tem de ser generalizado quanto antes, as crianças andam alegres e felizes e ao “saltar nas poças” junta-se o prazer do “contar histórias” e da partilha intergeracional. Grandes cidades europeias como Paris assumem projetos deste tipo como essenciais, na primeira semana de aulas, pais, professores, policia, voluntários etc., dedicam algum tempo a ensinar às crianças o trajeto de casa para a escola. Os principais percursos estão devidamente sinalizados, designadamente com sinalética adequada no solo. Em Espanha muitas terras também o fazem. Por cá é importante que esta prática se generalize nas nossas terras, todos ganhamos, sobretudo a qualidade de vida das crianças e dos pais. Nada justifica as filas de automóveis que se formam à porta das escolas. Os grandes estudos e projetos sobre um dos temas da moda, a mobilidade, às vezes não necessitam de muito investimento para se constituírem em ações transformadoras de grande importância; este exemplo que chega de Constância é excelente para o demonstrar.

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