Álvaro Amaro apresenta ‘Máscaras’ [com Opinião]

MÚSICA. O cantautor apresentou-se em palco com uma banda de músicos também da região
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O músico, cantor e autarca de Palmela, Álvaro Amaro apresentou no Sábado o seu novo trabalho a solo. ‘Amaro Máscaras’ é o titulo do novo disco, e o espectáculo ao vivo na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Azeitão, foi o primeiro dos previstos para este ano de 2017.

O cantautor apresentou-se em palco com uma banda de músicos também da região, que já o acompanham ou conhecem de outros projectos musicais, com o auxílio de Rita Tapadas, nas vozes, e perante uma plateia bem composta.

O concerto, em ambiente descontraído e intimista – integrado nas comemorações do Dia Internacional da Mulher promovidas pela Junta de Freguesia de Azeitão – foi conquistando a audiência, de uma forma progressiva, terminando com uma notável sintonia entre artistas e público.

André Rosa, colaborador do DIÁRIO DA REGIÃO, ouviu o disco e faz aqui, em jeito de crónica, uma apresentação do trabalho.

 

 

CRÍTICA

Em cada máscara, um amor

 

 

Chega aos ouvintes como uma obra musical de surpreendente carisma, o mais recente projecto da vertente artística de Álvaro Amaro

 

Se “máscaras” remetem para personas e vidas distintas das de quem as coloca, então o novo disco “Amaro Máscaras”, da autoria do cantautor e autarca Álvaro Amaro, é habitado por muitas personagens. E é levando o ouvinte numa viagem por territórios de amor, desamor, união e desunião que se dão a conhecer neste álbum.

Mas Álvaro Amaro situa o conceito de “máscaras” na própria forma dos poemas – “O poema é uma máscara/E a música um vestido/No deserto do teclado/Encontrei-me só perdido/contigo” são os versos melancólicos da canção final deste disco. Um disco que, seguindo esta lógica de pensamento, se “veste” de canções “orelhudas”, típicas do género pop, dotadas de um instrumental rico e surpreendente nos detalhes.

Em “Noites Amordaçadas” escuta-se um divertido saxofone, em “Há um país…” soa uma inconfundível gaita-de-foles, em “Roda das solteiras” casam um acordeão de Celina da Piedade, bandolim e caixa tradicional portuguesa… O resultado final é um alinhamento de múltiplas atmosferas (em que pontificam até os ritmos tradicionais e uma espécie de canção rap), e que nem por isso deixa de ser coerente e equilibrado.

“Amaro Máscaras” desenvolve-se ao longo de um fio temático comum que, ou não fosse o sentimento primordial da existência humana, não inspiraria todos os músicos: o amor. É sobre ele que versam a maioria das letras, homenageando-o nos mais diversos estados – “amordaçado”, salgado, “urgente”, sôfrego, livre, em brasa ou solteiro.

E é nesse universo poético que se movem as tais personagens, algumas indiferentes ao “choro”, ao “grito” e aos que os rodeiam, revelando o quotidiano que as absorve e aliena. “Túnel do metro”, de que se retira esta leitura, e “Há um país…” são talvez as canções mais mundanas e cruas do disco, tendo sons electrónicos e ritmos urbanos.

Com produção, música e letra de Álvaro Amaro (à excepção de “Bastava-nos Amar”, letra do poeta Joaquim Pessoa), e com ilustrações admiráveis de Kim Prisu, “Amaro Máscaras” chega aos ouvintes como uma obra musical de surpreendente carisma, o mais recente projecto da vertente artística de Álvaro Amaro.

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