Santa Casa da Misericórdia de Palmela festeja 488.º aniversário

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Almoço de comemoração decorreu nas instalações do lar de S. Pedro no passado domingo, em Palmela e juntou dezenas de pessoas, entre provedores das misericórdias do país, membros dos órgãos sociais e funcionários

 

A Santa Casa da Misericórdia de Palmela (SCM) completou 488 anos, no passado domingo, 5. Para comemorar a efeméride, realizou-se um almoço nas instalações da instituição do Lar de S. Pedro, em Palmela.

O evento contou com a presença de Francisco Cardoso, provedor da SCM de Palmela, Fernando Cardoso Ferreira, provedor da SCM de Setúbal, Alberto Rosário, presidente da Assembleia Geral da SCM de Palmela, Natividade Coelho, directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social, Álvaro Amaro, presidente da Câmara de Palmela, Fernando Baião, presidente da Junta de Freguesia de Palmela, Ana Teresa Vicente, presidente da Assembleia Municipal de Palmela, Pe. João Lobato, vigário geral da diocese de Setúbal e o Pe. José Joaquim, da paróquia de Palmela.

Na sessão solene, Francisco Cardoso, provedor da SCM de Palmela começou por agradecer a presença dos vários provedores das misericórdias espalhados pelo país, autarcas, membros dos órgãos sociais e funcionários da instituição. A dois anos de terminar o mandato, Francisco Cardoso revelou que a prioridade da direcção é melhorar os equipamentos e continuar o trabalho de apoio aos idosos. “Muitas vezes, somos esquecidos pela opinião pública, mas a nossa missão é apoiar a comunidade”, afirmou.

Alberto Rosário, presidente da assembleia geral da SCM de Palmela seguiu a mesma linha de pensamento do provedor.  “Podemos dizer que temos poucos apoios privados e públicos, porque é verdade. Mas não é por isso que vamos deixar de trabalhar, porque essa é a nossa missão”, acrescentou.

Em representação da União das Misericórdias Portuguesas, Fernando Cardoso Ferreira, provedor da SCM de Setúbal explicou que a razão da longevidade das misericórdias está no facto de as instituições darem respostas adequadas aos problemas em constante mudança e reforçou a importância do apoio das misericórdias no país. “Nos últimos anos, tenho tido uma percepção das misericórdias do país e, de facto, percebo que é verdade o que muitos políticos dizem: que as misericórdias foram os grandes amortecedores, que minoraram os efeitos da crise económica do país”.

Já Natividade Coelho, directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social recordou que o modelo português de serviço social assenta na cooperação e que “as misericórdias e as mutualidades são parceiras do Estado no desenho e concretização da acção social”. Como tal, esta reforçou o significado do conceito de cooperação. “Cooperar quer dizer interagir com responsabilidade para assegurar a dignidade e o bem-estar dos nossos concidadãos e daqueles que mais precisam. Mas também significa respeitar cada parceiro e agir em concertação”.

Em representação de D. José Ornelas Carvalho, bispo de Setúbal, João Lobato, vigário geral da diocese de Setúbal afirmou que “os 488 anos da SCM de Palmela dão-lhe a garantia de que se trata de uma resposta sempre actual e presente”. No entanto, o sacerdote referiu que a missão das misericórdias não está concluída, porque “estas instituições inspiradas no Evangelho e nascidas do coração e consciência da responsabilidade social continuam a ter um papel importante na transformação da sociedade”.

Para terminar, Álvaro Amaro, presidente da Câmara de Palmela salientou que a SCM de Palmela foi o primeiro hospital da vila, sendo “uma fonte fascinante para o estudo da história do concelho de Palmela, da região e desenvolvimento social”.

Inaugurada a 5 de Março de 1529, a SCM de Palmela possui três valências: o lar S. Pedro para idosos com capacidade para 84 utentes; o Centro de Dia, em Aires, com capacidade para 20 utentes e o Centro de Medicina Física e Reabilitação, com capacidade para 120 pessoas. A cantina social serve ainda refeições diárias a pessoas em situações mais vulneráveis.

 

Santa Casa da Misericórdia de Palmela apresenta bandeiras da instituição restauradas

A sessão de comemorativa dos 488 anos da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Palmela começou com a apresentação do trabalho de restauro das antigas bandeiras processionais da Misericórdia e de conservação de um crucifixo, do século XVI, com duas policromias. Joana Rosário, uma das artistas responsável pelos trabalhos explicou que “o crucifixo se trata de uma obra de conservação e não de restauro, ao contrário das bandeiras. No restauro, acrescentamos o que está em falta, e neste caso, o que fiz durante dois meses foi conservar o que já existia”.

A propósito das obras, Alberto Rosário, presidente da assembleia geral da SCM de Palmela afirmou que “o homem é herdeiro, portador e transmissor de uma cultura” e que a Misericórdia decidiu lançar mãos de “uma obra meritória a vários níveis, porque a sociedade é de materialismos, onde os cifrões e as teclas se impõem e temos de defender o homem de amanhã dos materialismos, que não conduzem a nada”.

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