“Achamos necessário criar uma unidade de cuidados continuados”

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Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Palmela frisa que a grande valência da instituição é a prestação de cuidados de saúde aos idosos e revela que o grande desejo dos órgãos sociais actuais é a abertura de uma unidade de cuidados continuados e um centro de análises clínicas

Na comemoração do 488.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Palmela, Francisco Cardoso revela que o Estado devia dar mais apoios à instituição de solidariedade social.

 

Que balanço faz da actividade da Santa Casa da Misericórdia, no concelho de Palmela, nos últimos anos?

A Santa Casa da Misericórdia de Palmela sempre esteve muito balanceada na valência dos idosos. É um lar e um centro de dia e depois tem uma valência de saúde, com uma clínica de reabilitação e fisioterapia, instalada no primeiro andar da Santa Casa da Misericórdia de Palmela. Neste momento estamos a tentar fazer uma clínica com outras valências, nomeadamente análises clínicas. Esse tipo de valência, porque a Misericórdia sempre esteve ligada à área da saúde, era proprietária do antigo hospital de Palmela, mas depois quando foi o 25 de Abril, os hospitais foram todos nacionalizados e saíram da posse das misericórdias, a Misericórdia de Palmela ficou sem o hospital. Neste momento, a nível nacional já existem 18 hospitais que foram entregues às misericórdias locais pelo país inteiro. E nesse sentido, a Misericórdia sempre teve o carisma ligado à saúde e por isso, queremos incentivar os serviços de saúde à comunidade local. Um dos lemas será esse: dinamizar a vertente da saúde na Misericórdia.

 

Quantas pessoas fazem parte da Santa Casa da Misericórdia (utentes, funcionários)?

A Santa Casa da Misericórdia de Palmela tem cerca de 130 utentes e 90 funcionários.

 

Na sua opinião, o que é que ainda falta à Santa Casa da Misericórdia de Palmela?

Todos os dias nos batem à porta as famílias a pedirem apoio. Portanto, o que nós achamos que é necessário é criar uma unidade de cuidados continuados. Na altura, a Grande Lisboa não era prioridade, mas agora já é. Actualmente, no distrito de Setúbal já temos algumas misericórdias com este tipo de unidades, só que isso também é um bocado difícil, porque os apoios são poucos e a Misericórdia não se pode estar a endividar para oferecer um benefício que é do Estado. O Estado é que devia abrir mais estas situações e nós temos que fazer as coisas com capacidade sustentável para podermos durar mais 500 anos. E é nesse sentido que vamos fazendo as coisas sustentavelmente, não é aquilo que necessitávamos, precisávamos de mais, mas temos de ser sustentáveis acima de tudo. As autarquias não nos dão apoio financeiro, mas muitas vezes dão-nos apoio logístico. Às vezes basta um telefonema para resolver as situações urgentes no imediato e isso é o mais importante.

 

Qual o impacto da instituição na comunidade local?

A Misericórdia em Palmela, a seguir à Câmara Municipal é a instituição com mais trabalhadores, o que dá um sentimento de conforto aos funcionários, porque nós não despedimos ninguém. E até precisamos de mais pessoas e é nessa situação que tem impacto e as pessoas também analisam e sabem que as misericórdias são sempre parceiras, porque muitas vezes a opinião pública não fala nelas, e as pessoas nem conhecem estas instituições e quando as visitam ficam com uma dimensão diferente, em função do espaço, das situações e do trabalho que desenvolvemos.

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