“Estamos a preparar alunos para um mundo alterado e em perigo”

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Escola Secundária D. Manuel Martins, em Setúbal recebeu sessão pública de apresentação da Estratégia Nacional da Educação Ambiental 2020, com presença do secretário de Estado da Educação, João Costa

 

“A educação de sucesso passa pela educação ambiental”. Esta foi uma das conclusões principais da intervenção de João Costa, secretário de Estado da Educação, que esteve ontem na Escola Secundária D. Manuel Martins, em Setúbal, para apresentar os eixos programáticos da Estratégia Nacional de Educação Ambiental (ENEA 2020).

João Costa começou por salientar o recente debate em torno do perfil do aluno, ao fim de 12 anos de escolaridade, para reforçar o papel da educação para a cidadania nas escolas. “Da discussão resultaram duas vias de encarar o ensino: a primeira baseada na ideia de que a escola do século XXI é boa, se reproduzir os conteúdos do passado, e a segunda pensada para ensinar os alunos a ler os sinais do mundo e agir”, sendo esta última a que o Ministério da Educação pretende seguir.

Nesse sentido, o secretário de Estado da Educação sublinhou o papel central das escolas na mudança dos hábitos das famílias e a importância da educação para a “cidadania sustentável”, dando o exemplo da atribuição há 15 anos consecutivos do galardão bandeira verde Eco-Escolas à Escola D. Manuel Martins, pelo reconhecimento de boas práticas de educação ambiental.

A adopção de uma Estratégia Nacional para a Educação Ambiental para o período de 2017-2020 visa a consciencialização ambiental das populações, através da instituição de parcerias entre organismos públicos e privados, como escolas, administração central, regional e local, e organizações não-governamentais. Neste contexto, o Governo iniciou um processo participativo para a responsabilização da sociedade civil nas acções futuras, que integram o ENEA 2020. O documento governamental estará disponível para consulta pública até 15 de Março, no portal participa.pt.

O membro do executivo de Tiago Brandão Rodrigues explicou ainda que os objectivos de desenvolvimento sustentável traçados pela Organização das Nações Unidas (ONU) – como a erradicação da pobreza e fome; saúde e educação de qualidade; igualdade de género; água potável e saneamento, energias renováveis, trabalho digno e crescimento económico – servirão de contexto programático à estratégia nacional.

De seguida, Nuno Lacasta, presidente do conselho directivo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), falou nos três eixos estratégicos que o documento prevê: valorizar o território, descarbonizar a sociedade e tornar a economia circular. “O papel das escolas de integrar nos currículos de ciências naturais trabalhos manuais, ou até mesmo música, é essencial para a transmissão de valores de defesa do ambiente. Se uma criança não conhecer o som de um pássaro, dificilmente poderá protegê-lo”, avançou. Nuno Lacasta defendeu ainda que a educação para a cidadania não deve parar no 2º ciclo do ensino básico, mas ser reforçada nos ciclos anteriores e nas universidades.

Os trabalhos prosseguiram com uma mesa redonda composta por José Archer, presidente da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), Antonieta Costa, responsável pelo Centro Pedagógico do Jardim Zoológico de Lisboa, Ricardo Salgado, coordenador dos cursos de engenharia do Instituto Politécnico de Setúbal, Carlos Cunha, docente da Escola D. Manuel Martins e coordenador do Eco-Escolas e Manuel Pisco, vereador de Urbanismo da Câmara de Setúbal. O debate de especialistas sobre boas práticas ambientais foi moderado por Gualter Ribeiro, jornalista da Agência Lusa.

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