Paulo Rocha vence concurso de fado de Setúbal

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O fadista de Lisboa, recuperado de intervenção cirúrgica a uma corda vocal, conquistou o júri. Rute Belga convenceu o público e foi a segunda melhor na votação dos juízes. Fernando Ferreira foi o terceiro classificado

Com a interpretação dos temas “Gaivota Perdida” e “Silêncio, deixem ouvir as guitarras”, o lisboeta Paulo Rocha conquistou o júri e saiu vencedor do 9.º Concurso de Fado de Setúbal, na gala final realizada este sábado, 18, na lotada Sociedade Capricho Setubalense.

“Estive afastado dos palcos nos últimos quatro anos devido a um problema que me levou a ser submetido a uma cirurgia a uma corda vocal. Estou a voltar agora, mas ainda estou a recuperar. Setúbal marca o meu recomeço e da melhor maneira”, confessou o fadista vencedor, que não foi a primeira escolha do público.

A jovem de 21 anos Rute Belga, de Viana do Alentejo, com os temas “A Candeia” e “Fado Primavera”, foi eleita pelo público como a melhor da noite, conquistando ainda o segundo posto na votação do júri.

O terceiro lugar, com um prémio de 125 euros, coube a Fernando Ferreira, 60 anos, de Vialonga, Vila Franca de Xira, que interpretou os temas “Se ao menos houvesse um dia” e “Recaída”, enquanto o Prémio de Melhor Fadista do Concelho coube a Ana Parreira, concorrente que actuou na segunda semi-final, mas que não passou à final.

O vencedor do concurso ganhou um prémio monetário de 500 euros e um fim-de-semana no Hotel do Sado, além de ter garantido uma actuação na Feira de Sant’Iago 2017. Rute Belga, segunda classificada, arrecadou 375 euros pelo somatório do segundo lugar e do Prémio do Público, e Ana Parreira, a Melhor Fadista do Concelho, também têm presença assegurada na edição deste ano do maior certame da região.

Todos os artistas foram acompanhados, tal como nas restantes fases do concurso, por Custódio Magalhães, na guitarra portuguesa, e Vítor Pereira, na viola. O júri do evento foi composto por Amílcar Caetano, da Capricho Setubalense, Horário Pena, da Câmara Municipal de Setúbal, e o fadista Gonçalo Salgueiro, que actuou no início do espectáculo.

Projecção nacional e qualidade de sobra

No final do espectáculo, Pedro Pina, vereador da Cultura da autarquia de Setúbal, em jeito de balanço a este 9.º Concurso de Fado de Setúbal, salientou a projecção nacional atingida pelo certame.

“Esta edição teve a maior participação dos últimos anos. Este é um excelente indicador da projecção do evento, não só em Setúbal, mas também a nível nacional, pois houve pessoas de vários pontos do País a concorrer. Somos uma cidade de portas abertas”, disse o autarca, considerando o evento como “um grande momento cultural da cidade”. Pedro Pina acrescentou ainda que “a nona edição foi realizada já a pensar numa décima”, pois a Câmara Municipal de Setúbal “continuará a apostar nesta expressão musical, dando sentido a novas vozes que vão surgindo”.

Já o presidente da Sociedade Musical Capricho Setubalense, Nuno Marques, destacou a qualidade dos concorrentes, o que levou o júri a pedir uma excepção ao regulamento.

“O júri não conseguiu seleccionar apenas três fadistas por eliminatória devido ao nível de qualidade muito elevado que se registou este ano. Por isso, foram seleccionados oito finalistas e não apenas seis como habitualmente”, explicou.

Sara Coito, de Lisboa, Cláudia Estrela, de Pias, Serpa, Nélia Romão, do Seixal, Paula Cruz, de Sousel, e Susana Cardoso, de Lisboa, foram as outras finalistas do 9.º Concurso de Fado de Setúbal.

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