SETÚBAL: Festival do Choco abre com marca sadina e nova forma de confecção do molusco

63
visualizações

Chef Mikael Moreira ministrou aula ao vivo que deixou todos com “água na boca”. Pescado da região tem agora “Setúbal Terra de Peixe” na etiqueta

O arranque do Festival do Choco 2017, na manhã da última sexta-feira, 17, ficou marcado pela realização de uma aula de culinária, que revelou uma forma inovadora de cozinhar o molusco, e pela formalização da etiqueta CCL (Comprovativo de Compra em Lota), no Mercado do Livramento, em Setúbal.

- Pub -

A etiqueta de CCL, que já existia para identificar o peixe adquirido nas lotas portuguesas, tem agora associada a marca “Setúbal Terra de Peixe”, criada pela Câmara Municipal, permitindo assim identificar o melhor pescado capturado em Setúbal.

“A aquisição de produtos com esta etiqueta significa que o consumidor está a contribuir para a sustentabilidade e rentabilidade do sector da pesca no município de Setúbal”, diz o município, acrescentando que “o CCL é fornecido pela Docapesca aos comerciantes que adquirem pescado nas lotas portuguesas”. A etiqueta contém “toda a informação exigida por lei, nomeadamente qual a arte de pesca utilizada para apanhar determinado peixe, a zona de captura, os nomes científico e comum da espécie e, ainda, a identificação da lota de proveniência”.

 

Segundo explica Carla Fernandes, da Docapesca, no campo da etiqueta onde inserida a lota onde o peixe foi comprado já constava “Lota de Setúbal”, agora foi acrescentando o símbolo “Setúbal Terra de Peixe”. O objectivo, sublinha, “é os consumidores identificarem logo o peixe que é de Setúbal”.

A responsável acredita que “cada vez mais as pessoas gostam de consumir produtos locais” e, por isso, a nova etiqueta torna-se um factor diferenciador ao permitir que os consumidores, quando olham para as bancas de peixe, “fiquem a saber que estão a comprar um produto da sua terra”.

Para o presidente da Associação de Comerciantes do Mercado do Livramento, Henrique João, a medida é muito positiva, pois constitui “mais um factor de promoção do peixe de Setúbal”.

Rocha de Choco é o novo prato

Enquanto os comerciantes estreavam a nova etiqueta nas bancas de peixe, na zona central do emblemático mercado setubalense decorria uma aula de culinária ao vivo, conduzida pelo chef Mikael Moreira, da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, que marcou o primeiro dia de uma quinzena gastronómica dedicada ao choco.

Quem se aproximou, pôde constatar as novas formas de confeccionar o molusco que Mikael Moreira ia ensinando aos participantes. “Vamos fazer um prato de choco mais contemporâneo. A ideia baseia-se no cartão de visita de Setúbal, ou seja, vamos recriar neste prato elementos que identificam Setúbal, nomeadamente a Serra da Arrábida, o rio, as ostras, as algas comestíveis e as camarinhas”, revelou o chef.

Para o prato, denominado “Rocha de Choco”, o molusco é triturado, temperado com diversas ervas e transformado numa espécie de almôndega gigante, envolta depois em quinoa tingida com tinta de choco. No final, a rocha é acompanhada de puré de batata-doce, uma batata-roxa frita, camarinhas, tiras finas de choco frito, algas, camarão do rio e um molho de espumante “a imitar as ondas do Sado a rebentarem na areia”. Tudo pensado ao pormenor para “recriar Setúbal num prato”.

Visitantes deliciados

José Agante, 63 anos, natural da Figueira da Foz e residente em Alverca, foi um dos participantes na aula de culinária, que se mostrou seduzido pelo resultado final.

“Vim a Setúbal de propósito comer choco frito, mas já sabia da iniciativa e queria assistir. Não contava participar, mas aconteceu e estou muito satisfeito”, confessou.

José, que conhece essencialmente a forma típica de confeccionar o molusco, considera “de uma originalidade incrível” a interpretação de Mikael Moreira, com uma nova forma de abordar o choco.

Sobre o Mercado do Livramento sublinhou que “é, sem dúvida, fantástico e um dos melhores do mundo”, assim como Setúbal “é uma cidade muito bonita”.

Encantada com o mercado setubalense ficou também Ana Lúcia, brasileira de 60 anos, que se encontra em Setúbal a passar férias em casa de amigos. Com formação em gastronomia, não teve dúvidas quando soube da realização da aula de culinária e dirigiu-se ao mercado na esperança de participar.

“Não conhecia o choco e fiquei curiosa para perceber como se trabalha com este molusco. Adorei esta aula e adoro o prato. Vou levar esta novidade para o Brasil”, garantiu.

O Festival do Choco 2017, organizado pela Câmara Municipal de Setúbal, conta com a adesão de 26 restaurantes, que apresentam ementas em que consta o choco servido de diferentes formas. Frito, assado com e sem tinta, ensopado, à antiga, em caldeirada, estufado, ao alhinho e de pitéu, além de feijoada de ovas.

No último dia do evento, 5 de Março, realiza-se uma mostra e degustação comentada, novamente conduzida pelo chef Mikael Moreira, com um custo de seis euros, a partir das 18h00, na Casa da Baía.Os interessados devem inscrever-se, até 3 de Março, na Casa da Baía, pelo telefone 265 545 010 ou pelo endereço [email protected]

Comentários

- Pub -