SANTIAGO DO CACÉM: Descarga de fábrica mata quase uma tonelada de peixe em Ermidas-Sado [actualizada]

INVESTIGAÇÃO. Elementos da GNR recolheram amostras de peixes mortos e de água que enviaram para análise
Local Últimas Últimas B Últimas C

Militares do Núcleo de Protecção Ambiental (NPA) de Santiago do Cacém encontraram a água completamente “negra” e com odor “a bagaço de azeitona”. Fábrica responsável está referenciada desde 2008

Cerca de 700 quilogramas de peixe foram recolhidos mortos da barragem na albufeira de Monte Novo dos Modernos – Ermidas do Sado, em Santiago do Cacém, devido a descargas poluentes de uma fábrica localizada num concelho vizinho, apurou o DIÁRIO DA REGIÃO junto de fonte da GNR. A ocorrência foi registada na última quarta-feira, 15, por elementos do Núcleo de Protecção Ambiental (NPA) de Santiago do Cacém da Guarda Nacional Republicana (GNR).

“O Comando Territorial de Setúbal, através do Núcleo de Protecção Ambiental (NPA) de Santiago do Cacém, detectou no dia 15 de Fevereiro, um foco de poluição/contaminação numa albufeira em Monte Novo dos Modernos – Ermidas-Sado”, revelou a GNR em comunicado, descrevendo o cenário que encontraram no local. “Os militares, ao deslocarem-se à albufeira, verificaram que a água se encontrava completamente ‘negra’ e com cheiro a ‘bagaço de azeitona’, além de existirem diversos peixes mortos (carpas)”, explicou a GNR.

Fonte desta força de autoridade acrescentou ao DIÁRIO DA REGIÃO que foram enviados alguns peixes ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera “para realização de exames para apurar a causa de morte”, tendo sido ainda “recolhidas amostras de água para análise pelo laboratório de Águas da Região Hidrográfica do Alentejo, da Agência Portuguesa do Ambiente”.

Após efectuadas as diligências de investigação, a GNR apurou que os motivos da contaminação da albufeira foram motivados por “descargas provocadas por uma empresa que se dedica à compra e venda de biomassa, actividade para produção de azeite e fabrico de pellets de bagaço de azeitona a partir de bagaço seco”.

Ao DIÁRIO DA REGIÃO, fonte da GNR afirmou que a empresa em causa está “referenciada desde 2008, no domínio de poluição hídrica, de solos e de atmosfera”.

“Esta fábrica situa-se em Ferreira do Alentejo e todos os territórios próximos sofrem com isso. Têm sido levantados vários autos de contra-ordenação e de crime, como neste caso que também foi participado ao Ministério Público de Santiago do Cacém”, concluiu.

Álvaro Beijinho, presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, lamenta a ocorrência e confirma que a autarquia procedeu à recolha do peixe. “Já fomos ao local recolher os cerca de 700 kg de peixe. Infelizmente, estas situações não são novas e as autoridades devem tomar medidas contundentes para que estes acidentes não se voltem a repetir”, disse o autarca ao DIÁRIO DA REGIÃO.

Deixe uma resposta