Polémica sobre construção do aeroporto do Montijo chega à Câmara de Setúbal

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Maria das Dores Meira fala em “favorecimento político-partidário” pelo facto da autarquia do Montijo ser da mesma cor política do Governo. PS e PSD/CDS-PP defendem opção da Portela +1

 

A discussão sobre a futura construção do novo aeroporto foi levantada na sessão de Câmara da passada quarta-feira, 15.

O vereador Luís Rodrigues (PSD/CDS-PP) apresentou uma moção a defender a construção do novo aeroporto complementar ao da Portela, no concelho do Montijo, onde “existe uma infra-estrutura, que por valores muito mais reduzidos e em prazos mais curtos, muito próxima do centro da capital, permite encontrar uma solução para responder às necessidades da procura esperada até 2050”. O vereador social-democrata foi mais longe e afirmou que “a decisão de localizar uma infra-estrutura desta dimensão e com estas características na Península de Setúbal é um motivo de regozijo para toda a população, tendo o Governo, os Deputados e os Autarcas de todos os partidos a obrigação de encontrar um consenso em torno da instalação do novo aeroporto  complementar no Montijo”.

Em resposta, Manuel Pisco (PCP), do Departamento de Ambiente e Actividades Económicas, sublinhou que não se deve decidir com base no “clubismo” regional, acrescentando que o que está em causa é encontrar uma solução alternativa à Portela +1 e não defender essa mesma opção. “Não posso estar a responder com consensos só porque é no Montijo. Reconheço que para o país, Lisboa e concelhos do distrito de Setúbal é importante. Mas sendo tudo isto contrário aos planos estratégicos de Lisboa e Setúbal, não pode ser solução”, defendeu.

Já o vereador Carlos Rabaçal, do Departamento de Obras Municipais disse “não fazer qualquer sentido a Câmara de Setúbal estar a antecipar-se às conclusões técnicas dos estudos”, sendo preferível pensar numa solução definitiva e não numa solução ao lado, que não resolva o problema.

André Martins juntou-se à discussão e lançou várias críticas a Luís Rodrigues (PSD). “Sabemos que existem vários lobbies, que se movimentam em torno deste investimento, porque da noite para o dia, todos mudam a localização do aeroporto. Esta moção é uma provocação. Está a exigir que todos os autarcas estejam de acordo quando sabe perfeitamente que os municípios têm um plano estratégico”, acusou.

O debate subiu de tom, com a intervenção de Paulo Lopes, que acusou Maria das Dores Meira de adoptar um visão demasiado partidária face a esta matéria. “Não percebo o facto de a Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) estar contra uma solução menos dispendiosa (Portela +1) e prefira uma solução utópica sob pena de entrarmos novamente em derrapagens impagáveis. Acho que a senhora presidente tem tido um registo demasiado partidário ao atacar o Governo, afirmando que está a beneficiar concelhos com executivos municipais do Partido Socialista”.

A presidente da Câmara de Setúbal respondeu às críticas levantadas pela oposição, justificando a sua opinião desfavorável em relação à moção apresentada pelo vereador Luís Rodrigues. “Estou contra esta decisão, tendo em conta que não foram ouvidos todos os municípios da Península de Setúbal. Porque é que escolheram o Montijo? Porque é o único concelho com espaço para isso, e por acaso, tutelado por um executivo da cor política do Governo (PS). Só faço votos que não apareçam mais estudos depois das eleições autárquicas”, atirou.

Depois da discussão acesa, a moção foi rejeitada com seis votos contra da CDU e quatro a favor (um da coligação PSD/CDS-PP e três do PS).

One comment

  1. DIZEM OS LIVROS … A QUEM OS LÊ!

    É bom saber (ou não !) que aqueles que elegemos (local e regionalmente) e nos devem representar, sempre em defesa dos interesses de uma região (pois o investimento em causa exige uma visão mais … alargada) – “PENSAM LOCAL E AGEM … LOCAL”.
    Mas a divisa ou premissa teórica, e que serve de fundamento à política (pública, principalmente), e tendo como pano de fundo o tal desenvolvimento sustentável, que todos deviam defender, é “PENSAL GLOBAL E AGIR LOCAL”.
    Mas, claro, tenho para mim, que os livros só podem ensinar quem os lê!!!!

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