Ossadas desapareceram de Cemitério da Moita, autarquia assume erro

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Ossadas desapareceram do Cemitério da Moita, com a autarquia a assumir que se tratou de um erro e que está a decorrer um processo de averiguações para apurar as causas. As famílias estão indignadas e uma já avançou com uma queixa no Ministério Público.

“No final do mês de Janeiro, foi detectada, pelo titular, a ausência da urna num ossário do Cemitério do Pinhal do Forno por si alugado. De imediato, a Câmara Municipal da Moita confirmou o facto e desencadeou um Processo de averiguações. Está em curso um inquérito aos serviços responsáveis e foi, entretanto, efectuada uma verificação da totalidade dos ossários dos cemitérios municipais”, refere a autarquia em resposta por escrito, depois de questionada pelo DIÁRIO DA REGIÃO.

Inácio Francisco disse ao DIÁRIO DA REGIÃO que não conseguiu encontrar os restos mortais do seu pai que estavam no Cemitério da Moita, quando se deslocou ao local depois de estar presente num funeral.

“Fui ao Cemitério da Moita para um funeral e, como é normal, desloquei-me para visitar o espaço onde estavam as ossadas do meu pai há cerca de um ano. Ainda andei para a frente e para trás, porque podia ter-me enganado, mas não estava lá nada”, disse.

Inácio Francisco referiu que procurou junto dos responsáveis obter uma explicação para o que ocorreu, mas que ninguém lhe justificou a situação.

“Nós pagamos para ter os restos mortais no local. Ninguém me soube dizer nada sobre o ocorreu e o meu advogado já avançou com uma queixa no Ministério Público. Já falei com uma outra pessoa a quem aconteceu a mesma situação e não sei se não existem mais casos”, afirmou.

Uma outra família está também a pensar apresentar queixa por caso idêntico.

Margarida Andrade, e as duas irmãs, depararam-se também com o desaparecimento das ossadas do pai. “A minha irmã, no dia em que foi ao cemitério e descobriu que não estavam lá os ossos do meu pai, veio de lá enervadíssima, só se acalmou com água com açúcar”, disse ao DIÁRIO DA REGIÃO.

As ossadas estavam no gavetão também há menos de um ano e a família não recebeu qualquer notificação da autarquia. “O meu pai estava no gavetão há 11 meses, ainda não completou um ano e a minha irmã até já tinha ido perguntar quando poderíamos fazer o próximo pagamento”, refere Margarida Andrade.

A Câmara da Moita, liderada por Rui Garcia (CDU), referiu que no final de 2016 decorreu uma acção indevida dos serviços.

“Os factos até agora apurados revelam que ocorreu, no final do ano passado, uma acção indevida dos serviços municipais que procederam à remoção de quatro ossários que estavam devidamente ocupados”, esclarece.

A autarquia refere que está a procurar apurar as causas da ocorrência e apresentou as suas desculpas aos visados.

“Perante este erro, além do apuramento completo das suas causas e circunstâncias, que está a decorrer, a Câmara Municipal lamenta o sucedido e apresenta as necessárias desculpas aos afectados e informa que irá proceder à reposição da situação original”, concluiu.

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