“O nosso combate é ganhar a Câmara de Setúbal com uma pessoa experiente”

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O presidente do PS Setúbal acusa os sociais democratas de populismo por desafiarem os socialistas a estabelecer entendimentos com as suas estruturas locais para as autárquicas, ao contrário do que é defendido por Passos Coelho. Paulo Lopes vai mais longe e aconselha o PSD “a ganhar credibilidade antes de desafiar o PS” para acordos pré-eleitorais

 

O líder da concelhia socialista faz um balanço muito positivo do primeiro ciclo de conferências da “Agenda para a Década do Concelho de Setúbal”. Em relação às autárquicas 2017, Paulo Lopes diz que o candidato socialista será uma pessoa ligada à cidade, credível e com experiência autárquica

 

O PS tem tido no terreno um ciclo de conferências da “Agenda para a Década”. Porquê esta iniciativa neste momento e com que objectivo?

Nas últimas legislativas, o Partido Socialista (PS) teve a necessidade de criar um documento orientador, com um horizonte de uma década, que servisse de documento estratégico para o país. Entendemos que em Setúbal, também devia haver este documento orientador e estratégico, que extravasasse as fronteiras do partido, que fosse também um documento, onde se reflectisse com a sociedade civil, com uma abertura muito grande do partido à sociedade civil e que fosse primeiramente um plano estratégico participado. Ou seja, não de um partido, mas da sociedade civil. Daí termos lançado o desafio da “Agenda para a Década do Concelho de Setúbal”. Elencámos quatro eixos estratégicos: Comunidades Solidárias; As Pessoas Primeiro; Democracia Activa e Emprego e Desenvolvimento Sustentável. Fizemos quatro sessões com muita participação e já tirámos ilacções sobre este primeiro ciclo.

 

Quais foram as principais conclusões?

Na parte das Comunidades Solidárias, há um valor que é fundamental aprofundar, que é o conceito de comunidade, que pode ser da rua, do bairro, etc. Sente-se que Setúbal está a perder a identidade em certos bairros e é preciso reforçar, de forma muito clara e estratégica que Setúbal precisa de bairros com uma identidade cultural e uma identidade própria reforçada. A súmula destes bairros todos é que faz a diversidade e a força de Setúbal. Portanto, este conceito de comunidade é fundamental reforçarmos. Depois na parte das Pessoas Primeiro é fundamental perceber (e foi algo que nos foi dito por muitas pessoas), que é preciso apostar na formação e naquilo que está a ser feito pela escola profissional e pelo politécnico, no sentido de adequarmos o que Setúbal precisa nas suas áreas, naquilo que é a sua estratégia de desenvolvimento ligada ao mar, turismo e novas tecnologias a uma formação específica para que os nossos jovens possam ter formação e depois trabalho para haver um sentimento de fixação desses jovens. Não estarmos a formar jovens para depois irem para fora, para Lisboa. Portanto temos de adequar aquilo que existe à formação para poder haver um reforço, em termos de desenvolvimento sustentável, na vertente de criar qualificações para as áreas que interessam para Setúbal. Depois, na parte da Democracia Activa, que foi um evento muito engraçado, abordaram-se as velhas possibilidades de os munícipes poderem intervir ao longo do ano e não só quando há eleições. Mas ao longo do ano, os munícipes criarem mecanismos, onde possam intervir, como o orçamento participativo e os referendos locais. Quer dizer, há aqui muita matéria a ser estudada para fazer com que os munícipes participem mais. O concelho de Setúbal teve 50% de abstenção, nas últimas eleições. E isto deve fazer-nos pensar, todos os actores políticos. Saiu há bem pouco tempo uma nota, onde Setúbal aparece no 258º lugar no índice de transparência municipal, no total de 308 municípios. Significa que há muito pouca transparência, em termos de informação disponibilizada e que os munícipes não sabem o que se passa. Quanto maior for o conhecimento e a transparência, mais oportunidades têm os cidadãos de actuarem na cidade. Há muita matéria tratada nestes quatro eventos. Queremos fazer um segundo ciclo com temas mais específicos. Este segundo ciclo vai ter temas como o Turismo especificamente para Setúbal, o Mar, o Ambiente, Indústrias Criativas. Vamos ter áreas mais específicas, criando uma malha mais fina, partindo do geral para o particular e teremos um plano estratégico, que depois vai dar origem ao programa eleitoral do Partido Socialista, mas um programa eleitoral que não é só de um partido ou fechado nas barreiras de um partido, mas aberto aos simpatizantes e à sociedade civil.

 

A propósito das autárquicas que estes encontros também estão a preparar, recentemente o PSD Setúbal lançou um desafio ao PS para que estivessem em conjunto em causas como o IMI ou o estacionamento na cidade. Como é que responde a esse desafio?

Em primeiro lugar, quero dizer que o nosso adversário político para as próximas eleições autárquicas claramente não é o PSD, que é a terceira força política do concelho. O nosso adversário político é a CDU e isto tem que ficar bem claro. Em segundo lugar dizer que do PSD só conheço duas bandeiras políticas, que são a questão do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) que o Partido Socialista já vem defendendo há muitos anos e a questão do estacionamento. Não conheço mais nada. Nós estamos a fazer um plano estratégico para a cidade e a criar conteúdos. A nós não nos interessam apenas bandeiras. Em relação ao IMI, reforço a posição do Partido Socialista, que já desde o passado tem dito que a nossa proposta é passar da taxa máxima para a taxa mínima em quatro anos, de forma que a despesa da Câmara de Setúbal se adapte à nova realidade de receita. Portanto, todos os anos baixar meio ponto percentual para passar da taxa máxima para a taxa mínima. Não é uma medida avulsa, é uma medida estratégica, em quatro anos passar dos 0,5, que já se vão pagar este ano para os 0,3. Esta é a proposta do Partido Socialista e vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que se materialize esta nossa proposta. Mas em relação ao PSD, este PSD de Pedro Passos Coelho precisa primeiro de se tornar credível. Como é que nós podemos acreditar num partido, que ainda há bem pouco tempo o seu presidente, que acho que deu instruções claras, pelos menos veio na comunicação social a dizer que não queria nem admitia nenhum entendimento com os partidos que suportam o actual Governo? E agora vem a estrutura local com este desafio. Quer dizer, isto só demonstra uma coisa: populismo. É óbvio que já foi dito que não admitem qualquer tipo de entendimento com os partidos que suportam o Governo, então agora vêm fazer esta atoarda. Este PSD de Pedro Passos Coelho precisa mesmo de ganhar credibilidade antes para depois vir desafiar o PS para o que quer que seja.

 

Um dos objectivos destas sessões da “Agenda para a Década” é um encontro final, onde será anunciado o candidato do PS à Câmara Municipal de Setúbal. Já têm esse candidato definido?

O final da “Agenda para a Década” será o evento a que chamamos Fórum Setúbal, onde vai ser discutido e votado o documento final. E esse será o nosso compromisso, um compromisso muito real com aquilo que vai ser depois o nosso programa eleitoral. Em relação à escolha do candidato, o Partido Socialista neste momento está a desenvolver o processo segundo os trâmites normais, que constam dos estatutos e dos regulamentos do partido. Sabemos o que queremos, quem queremos e é apenas uma questão de ‘timing’, que somos nós que definimos, não os nossos adversários políticos. O candidato será anunciado a seu tempo, depois de ser votado o nome internamente. O processo vai ser muito transparente, estamos no ponto onde queríamos estar, é apenas uma questão de ‘timing’, porque o candidato ainda não foi apresentado. Temos uma estratégia política, que estamos a desenvolver e brevemente será anunciado. Mas nessa matéria, achamos que Setúbal deve ter um candidato da terra, que as pessoas identifiquem como sendo de Setúbal, que defenda a terra, que vá cumprir o mandato e que as pessoas olhem para ele e reconheçam idoniedade, credibilidade e um grande sentido humanista. Alguém com experiência autárquica. Não quer dizer que tenha de ser necessariamente do partido, mas alguém com experiência. Nós queremos mesmo ser alternativa e entendemos que é possível ganhar a Câmara Municipal de Setúbal. Não estamos aqui para ganhar mais um vereador, não é esse o nosso combate. O nosso combate é ganhar a Câmara com uma pessoa experiente e é isso que está a ser tratado e equacionado.

 

O perfil que traçou exclui alguns nomes que têm sido falados como opções de candidatos do PS, no concelho de Setúbal?

O perfil que nós temos acima de tudo é que tem de ser alguém que sinta Setúbal de forma muito pessoal.

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