A vantagem de quem conhece melhor a realidade

Opinião
Alcídio Torres

Alcídio Torres

Mestre em Administração e políticas Públicas
Alcídio Torres

Se algo pode ser comparável a uma disputa eleitoral é a guerra, onde o domínio do conhecimento, do talento, da disciplina pode determinar a derrota ou a vitória em qualquer um dos confrontos (batalha eleitoral ou guerra).

Na “Arte da Guerra” Sun Tzu tratou de forma magistral a arte de vencer um exército inimigo, não subestimando as principais variáveis que influenciam uma decisão final.

Na verdade, comparar uma guerra a uma batalha eleitoral é um exercício de utilidade comprovada porque, quer numa quer noutra, o acerto ou o erro na definição da táctica e da estratégia determinaram sempre a vitória ou a derrota de uma das partes.

Na “Arte da Guerra”, Sum Tzu alertava para a necessidade de traçar qualquer plano de confronto com o inimigo respondendo previamente a sete questões fundamentais. Das sete refiro apenas as seis que mais se aplicam a uma campanha eleitoral:

  • Qual dirigente é mais sábio e capaz?
  • Que comandante possui o maior talento?
  • Que exército obtém vantagens da natureza e terreno?
  • Em que exército se observam melhor os regulamentos e as instruções?
  • Quais as tropas mais fortes?
  • Que exército tem oficiais e tropas melhor treinadas?

Se analisarmos profundamente estes factores, verificamos que quem os subestimou em campanhas eleitorais perdeu a contenda e quem os considerou foi vitorioso. O próprio eleitorado é decisivamente influenciado por cada um destes factores.

Vamos, então, descodificar cada um dos seis pontos.

Conhecer o adversário como nos conhecemos a nós próprios é essencial para o derrotar politicamente. O candidato a presidente de uma câmara deve estar sempre um passo à frente em relação aos seus adversários. Um passo à frente no saber, na reputação, nas competências e no conhecimento do terreno e das pessoas. Actuar assim é, à partida, levar vantagem sobre os adversários. É ser “mais sábio e capaz” do que eles, como preconizava Sum Tzu.

O talento é outra das características do líder. Ser talentoso é ter inteligência emocional suficiente para debater ideias sem ofender o adversário, é ser prático, próximo, afectuoso, é saber coleccionar aliados e não inimigos. Este é o “líder talentoso” de que falava Sum Tzu.

O domínio do território eleitoral, com um conhecimento profundo da realidade local e das pessoas, é condição essencial para as convencer.. Sem conhecimento da realidade (territorial e humana) dificilmente se ganha uma batalha. São “as vantagens da natureza e do terreno” definidas por Sum Tzu.

O candidato melhor conhecedor das leis, dos regulamentos e mais aberto e interessado em adoptar uma conduta ética clara e transparente é o que pode, à partida, reunir maior consenso e gerar uma maior confiança das suas tropas e dos eleitores. Era o que Sum Tzu definia como “melhor conhecer os regulamentos e as instruções”.

“As tropas mais fortes”, de que falava o autor da “Arte da Guerra”, podem definir-se, em política, como os militantes e apoiantes mais aguerridos, confiantes, preparados e dispostos a lutar até ao fim, dando tudo de si pelo objectivo da vitória.

“O exército com oficiais e tropas melhor treinadas” são, numa campanha eleitoral, os membros eleitos das principais estruturas partidárias e os militantes e apoiantes do candidato. Eles devem ser os primeiros a não desanimar e a resistir perante provocações dos adversários, contratempos, cansaço, etc. Este exército eleitoral deve estar treinado na paciência, na persuasão e no espírito de vitória.

One comment

  1. Sugiro aos Leitores a revisitação do Capítulo 11 (onze) de “A Arte da Guerra” ; Ao Autor do Texto sugiro a releitura da obra ” Da Guerra” de Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz .
    jc

Deixe uma resposta