Comissão de Utentes do Cais do Seixalinho

Opinião
Miguel Dias

Miguel Dias

Licenciado em Geografia
Dirigente do LIVRE
Miguel Dias

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De norte a sul do país existem comissões de utentes constituídas para defender interesses comuns de cidadãos. Amiúde os autarcas juntam-se às reivindicações destas. Nada mais natural. A partir do momento em que foram eleitos representam a pluralidade da sua comunidade, isto é, representam todas/os as/os munícipes (ou freguesas/es). E devem ficar ao lado das suas genuínas expectativas. Tal ficou bem patente na recente carta aberta ao Ministério do Ambiente relativa à degradação do transporte fluvial, dinamizada pela União de Sindicatos de Setúbal, que foi subscrita por comissões de utentes e Câmaras municipais de Almada, Barreiro e Seixal.

O Montijo foi, mais uma vez, excepção… O município não subscreve a carta com reivindicações urgentes sobre o transporte fluvial no rio Tejo e fica fora da reunião entretanto realizada com o ministério que tutela esta actividade. Com claro prejuízo para a comunidade, numa semana em que a Transtejo semeou o caos no Montijo, com atrasos, supressões e avarias todos os dias.

Por cá vai-se discutindo a filiação partidária daqueles que dão a cara por todos os utentes. O que interessa é perceber se os mesmos pertencem ao PCP, PSD ou LIVRE. Em segundo plano fica a questão da pertinência da Comissão de Utentes do Cais do Seixalinho e da justiça das suas exigências. Este tipo de exercício menor de política, tão popular na dinâmica local, pessoaliza e partidariza assuntos que devem ser colectivos e transversais a toda a comunidade. E é para defender os interesses comunitários que esta Comissão existe. Que não restem dúvidas!

A todo o custo o PS local tenta, à boca miúda e através das redes sociais, descredibilizar o movimento de indignação que vai surgindo entre os utentes de transportes públicos. Conotando-o com aproveitamento político por parte das pessoas que se envolvem no mesmo. Esquece, como sempre, que a Comissão de Utentes do Cais do Seixalinho contempla todas as pessoas que utilizam aquele espaço e seus serviços. Isso implica uma vasta panóplia de filiações e simpatias partidárias (incluindo a sua) e, pasme-se, inúmeras pessoas apartidárias. Essa é a riqueza de sujeitos que se juntam em torno de um objectivo comum.

Perante os transportes públicos decrépitos no concelho, a Câmara Municipal continua a ser reactiva, invés de pró-activa. Só perante a confusão instalada ou a movimentação dos munícipes decide colocar-se no terreno. Bastava ouvir a população e poderia optar por uma posição preventiva, pedindo justificação e exigindo soluções para os problemas a quem de direito no seu estádio inicial. Mas resiste a esta abordagem. Talvez receando fantasmas de outros tempos ou descalabros eleitorais já no próximo ano. Só teria a ganhar com um posicionamento conjunto com comissões de utentes e mesmo com outros concelhos. Dessa forma a pressão poderia ser maior e a resolução dos problemas mais célere. A comunidade sente-se isolada e traída por aqueles que democraticamente escolheu para porta-vozes de seus anseios; sente que continua a não ter apoio nas questões que influenciam o seu quotidiano. Seja na mobilidade, na saúde ou num simples posto dos correios. Aliar forças no sentido de resolver estes problemas seria da mais elementar lógica. Contrariamente, as comissões de utentes são vistas como forças da oposição. Que, provavelmente, engrossam uma qualquer maioria negativa…

Sim, porque não falamos de uma cidade qualquer. Falamos de Montijo – a cidade mais atractiva de Portugal continental –, conforme apelidada pela Câmara Municipal. E, como tal, não poderá existir mácula ou imperfeição que ofusque essa imagem. Mas a recusa em enfrentar os problemas não os faz desaparecer.

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